Edição 285 | 09 Dezembro 2008

Thomas Merton e Ernesto Cardenal: dois precursores da espiritualidade da libertação latino-americana

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Graziela Wolfart

Getulio Bertelli fala sobre a importância de Thomas Merton após os 40 anos de sua morte e lembra-se dos dois amores dele: o amor a Deus e à causa dos pobres. Estudioso de Merton, Bertelli explica o conceito de compaixão para o monge trapista: "é um corretivo da mística. Nenhuma mística é autêntica se não se converter em compaixão”. Em suas respostas, Bertelli também reconhece que, “diante da gravíssima crise econômica que vivemos hoje, Merton por sua vida, obra e morte, inspira-nos a adotarmos um estilo de vida mais sóbrio, mais partilhado, mais respeitador da alteridade e da diversidade”.

“Em sua famosa auto-biografia (A montanha dos sete patamares), Thomas Merton apresentou ao mundo valores descobertos no escondimento da solitude monástica: uma teimosa esperança, uma fé ardente e um inflamado amor, todos componentes essenciais da mística e da contemplação, bem como da compaixão.” Quem faz essa declaração é o teólogo Getulio Bertelli, na entrevista que segue, concedida por e-mail para a IHU On-Line. Estudioso de Merton, Bertelli explica o conceito de compaixão para o monge trapista: “Compaixão é uma metáfora polissêmica, que hoje podemos compreender como sinônimo de solidariedade, justiça, ternura, amor”. Para Getulio Bertelli, no mundo atual, este se tornou “um conceito central, diante do oceano de sofrimento humano, e de tantas vítimas: das guerras, dos desastres climáticos, da Aids, da ganância sem medida e da competição promovida pela ideologia neoliberal, da violência endêmica e pandêmica em nossa sociedade e no mundo”. E conclui: “Para Merton, a compaixão é um corretivo da mística. Nenhuma mística é autêntica se não se converter em compaixão”. Em suas respostas, Bertelli também reconhece que, “diante da gravíssima crise econômica que vivemos hoje, Merton por sua vida, obra e morte, inspira-nos a adotarmos um estilo de vida mais sóbrio, mais partilhado, mais respeitador da alteridade e da diversidade”.

Getúlio Antônio Bertelli possui graduação em Filosofia, pela Universidade de Passo Fundo, graduação em Teologia, pela Escola Superior de Teologia em São Leopoldo (EST), e mestrado e doutorado em Teologia, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Atualmente. É professor da Faculdade Estadual de Filosofia Ciências e Letras de Paranaguá, no Paraná. Tem experiência na área de Filosofia, Teologia e Antropologia. É autor de Mística e compaixão. A teologia do seguimento de Jesus em Thomas Merton (São Paulo: Edições Paulinas, 2008).
 
IHU On-Line - O senhor pode falar um pouco sobre a vida de Thomas Merton?

Getulio Bertelli - Thomas Merton foi um dos maiores mestres de espiritualidade a partir da metade do século XX até hoje. Dia 10 de dezembro próximo, lembramos os quarenta anos de sua morte martirial. Ele ficou conhecido no mundo inteiro a partir da publicação de sua autobiografia intitulada A montanha dos sete patamares.  Essa obra foi escrita sete anos depois de ele entrar no Mosteiro Trapista de Nossa Senhora de Gethsemani, em Kentucky, centro sul dos Estados Unidos. Foi o seu Abade Dom Frederick Dunne que pediu para que ele escrevesse a história de sua vida, na expectativa de que servisse de exemplo para outros jovens como ele. Mas a obra teve tal acolhida, que de repente se tornou um best-seller mundial, e - contra sua própria vontade - Merton virou celebridade. Isso porque ele apresentou ao mundo valores descobertos no escondimento da solitude monástica, e que estavam escamoteados pela II Guerra Mundial. Tais valores são, basicamente, uma teimosa esperança, uma fé ardente e um inflamado amor, todos componentes essenciais da mística e da contemplação, bem como da compaixão.

IHU On-Line - Como se deu a primeira conversão de Merton (do mundo ao mosteiro)? Como ele se torna um monge trapista? 

Getulio Bertelli - Merton viveu sem rumo e sem norte até os 23 anos de idade. Passava as noites nos bares, ao invés de estudar. Foi pai solteiro, envolvendo-se num processo judicial em Cambridge, Inglaterra, por causa disso. Mãe e filho provavelmente morreram no bombardeio de Hitler a Londres. Mas, quando estudava na Universidade de Columbia, um dia deparou-se numa livraria com uma obra que o marcou indelevelmente: O espírito da filosofia medieval,  de Etienne Gilson.  Até então, Merton achava que a Igreja Católica era uma das maiores superstições da humanidade, juntamente com a religião judaica. Foi o que seu avô maçom ensinou a ele. Mas o encontro com a obra de Gilson mostrou a profundidade da filosofia católica, em contraste com sua vida pessoal, vazia e carente de sentido. Gilson é também um dos maiores especialistas em São Boaventura,  que, infelizmente, não se tornou o teólogo oficial da Igreja, mas tem uma teologia e uma espiritualidade que são como a arquitetônica de uma catedral gótica: de qualquer ponto que você considerar, acaba vendo o todo. Uma espiritualidade que, na esteira de São Francisco de Assis,  realça a dimensão espiritual do universo, e a compaixão para com todas as criaturas, humanas e não-humanas.

IHU On-Line - Como foi a segunda conversão de Merton (do mosteiro ao mundo)?

Getulio Bertelli - De 1948, ano da publicação de sua auto-biografia, até 1958, Merton viveu um paradigma monástico de desprezo pelo mundo (contemptus mundi, fuga mundi). Em 1958, acontece uma mudança de paradigma, um ponto de inflexão. Se antes sua mística era apenas um subir para Deus, agora começa um processo de descer aos humanos, uma abertura ao mundo (compaixão). Foi em pleno centro comercial de Louisville, Kentucky, atrás da catedral católica Our Lady of Assumption, que isso aconteceu, embora o processo psicológico seja bem anterior. Merton, vendo circular tanta gente, teve a intuição de que não havia nenhuma separação nem diferença entre ele, que era monge, e todo aquele povo caminhando freneticamente por lá. Sentiu-se parte da família humana, da qual o próprio filho de Deus quis fazer parte. Era o início de uma conversão, que iria repercutir nas suas obras escritas daí em diante, abrindo-se para questões de violência (contra negros, índios, asiáticos), injustiça nas relações entre o Norte e o Sul, e os rudimentos de uma ecoteologia e ecoespiritualidade (mais vividas que elaboradas). Até hoje uma placa naquele lugar recorda a segunda conversão de Merton.

IHU On-Line - Como o senhor descreve o conceito de compaixão em Merton?

Getulio Bertelli - A compaixão é uma metáfora includente em Merton, que tem a ver com sua segunda conversão, como dissemos. Ele a personifica e desposa, como São Francisco de Assis personifica e desposa a “Dama Pobreza”. Compaixão não é um conceito psicológico, mas ontológico. Não é sentimentalismo, nem assistencialismo. É um dos elementos constitutivos das grandes religiões da humanidade, base comum dos diálogos entre as místicas cristã, budista, judaica (cabala), e sufi (islâmica). Compaixão é uma metáfora polissêmica, que hoje podemos compreender como sinônimo de solidariedade, justiça, ternura, amor. Era um termo periférico no passado. Mas, no mundo atual, tornou-se um conceito central, diante do oceano de sofrimento humano, e de tantas vítimas: das guerras, dos desastres climáticos, da Aids, da ganância sem medida e da competição promovida pela ideologia neoliberal, da violência endêmica e pandêmica em nossa sociedade e no mundo. Para Merton, a compaixão é um corretivo da mística. Nenhuma mística é autêntica se não se converter em compaixão. Numa linguagem mais clássica, tão bem formulada pelo nosso querido bispo Dom Pedro Casaldáliga:  “Devemos subir a Deus e descer aos humanos”.  Essa “descida aos humanos”, depois de ter subido a Deus, é a compaixão (tomei essa frase como epígrafe ao meu livro, pois ela diz tudo: abertura a Deus e abertura ao mundo). Foi no seguimento de Jesus, em sua prática feita de compaixão, sabedoria e coragem, que Merton se inspirou para fazer dela uma das colunas mestras de sua espiritualidade.

IHU On-Line - Quem é Ernesto Cardenal? O que ficou de Thomas Merton nele?

Getulio Bertelli - Cardenal é considerado o maior poeta latino-americano depois de Pablo Neruda.  É também um místico profundamente envolvido com a busca de um mundo melhor, uma sociedade mais fraterna e solidária. Começando em sua pátria, a Nicarágua, que ele ajudou a libertar da ditadura Somosa. A família do ditador Anastácio Somoza  dominava a Nicarágua por décadas, apoiada pelo governo dos Estados Unidos. O próprio Cardenal participou de um assalto ao palácio presidencial para derrubá-lo. Mas um traidor delatou e a libertação do país foi adiada. Cardenal chegou a ser ministro da cultura no governo sandinista. Mas toda a utopia revolucionária veio por água abaixo, quando Ronald Reagan,  junto com o papa João Paulo II,  destruiu a revolução. Reagan financiou os “contras”, os bandidos e ex-guardas de Somosa que ficaram desempregados quando a Revolução triunfou. Eles minavam os portos, destruíam a agricultura, assassinavam pessoas. Chegou ao ponto em que 50% do orçamento da nação ia para a defesa, em detrimento da utopia revolucionária de melhorar a situação do povo. O Papa João Paulo II, que nunca entendeu a Teologia da Libertação,  suspendeu a divinis officiis quatro dos sacerdotes em cargos no governo sandinista. Passou ao povo a imagem de que a revolução era má, que os católicos não deviam participar dela. Na eleição presidencial de 1990, o sandinismo foi derrotado. Uma revolução perdida. Cardenal termina sua obra do mesmo nome com essa bela confissão de esperança: “Toda revolução nos aproxima do Reino dos Céus, inclusive uma revolução perdida. Haverá mais revoluções. Peçamos a Deus que se faça sua revolução na terra como no céu”.  Eis algumas obras de Cardenal: Cântico cósmico , na qual exalta a dimensão espiritual do universo. Para ele, ser monge em nosso continente é ser revolucionário. Sua poesia é revolucionária, e cheia da mais fina espiritualidade. Basta ler seu livro intitulado Salmos.  Merton considerava ser esta a versão para ser lida e cantada pelos monges. Podemos dizer, enfim, que Cardenal faz a síntese entre Teresa de Ávila  e Che Guevara,  no dizer de frei Betto. O que ficou de Merton em Cardenal foi uma marca indelével, que ele jamais esqueceu: a lição de que não se pode ser contemplativo sem estar comprometido com os destinos do próprio país: “O contemplativo não pode ficar alheio às lutas políticas”, diz textualmente Cardenal, para depois citar Merton, quando diz: “Não resta dúvida de que se deve combater a ditadura, se possível com a não violência. Mas se não é possível, com a violência” (RP 670). A influência de Merton foi tão grande em Cardenal, que quase quarenta anos depois de sair do Mosteiro, ele escreveu dois livros de Memórias para lembrar Merton e a Abadia de Gethsemani. São eles: Vida perdida  (VP) e Las ínsulas extrañas (IE).

IHU On-Line - Como foi o encontro de Merton com Ernesto Cardenal? Como foi essa experiência e qual sua contribuição para a Teologia da Libertação?

Getulio Bertelli - Merton conheceu Cardenal quando este bateu à porta do mosteiro para se tornar monge em 1957. Não sabia que teria como mestre de noviços quem o inspirou a se converter à fé católica (tinha lido todos os livros de Merton; tinha estudado na mesma universidade que ele em Columbia; era poeta e escritor como ele). Logo se desenvolveu uma profunda amizade entre o mestre e seu noviço. Merton mostrou profundo interesse pela realidade latino-americana: as ditaduras do continente, a pobreza da imensa maioria da população, profundamente cristã na sua imensa maioria. Cardenal colocou-o a par de tudo isso, suprindo com recortes de jornais as informações solicitadas, e introduzindo-o aos escritores latino-americanos. O noviço temia ter que renunciar à sua vocação de escritor ao se tornar monge. O mestre, ao contrário, incentivou-o a escrever, para compartilhar com os outros os frutos da contemplação (contemplata aliis tradere). Com esse encontro, Merton acabou sendo um dos precursores da espiritualidade da libertação latino-americana, unindo os dois amores antes citados.

IHU On-Line - Qual a principal riqueza da correspondência entre Merton e Cardenal?

Getulio Bertelli - Ambos se enriqueceram com a amizade durante o período do noviciado, e depois com a correspondência epistolar quando Cardenal deixou o mosteiro por motivos de saúde (1959) até a morte de Merton (10 dezembro de 1968). Merton também queria deixar o mosteiro, por considerá-lo muito rico, e as relações muito artificiais. Mas foi impedido por seus superiores, que convenceram o Vaticano a impedir sua saída. Então, Merton encarregou seu ex-noviço de fundar uma comunidade monástica, e este escolheu uma Ilha do Arquipélago de Solentiname. Merton foi o inspirador dessa comunidade: mais simples, mais evangélica, mais livre das amarras institucionais. Devia cultivar a arte e a política, e não se distinguir dos vizinhos ao redor nem pelas vestes, nem pelas atividades. Até hoje, Solentiname é uma ilha de artistas, pintores, escultores, cujas obras são conhecidas no mundo inteiro.

IHU On-Line - O que aconteceu com a comunidade monástica fundada por Cardenal, sob a inspiração de Merton, na Ilha de Solentiname, e o que aconteceu com a revolução sandinista?

Getulio Bertelli - O ditador Somosa bombardeou-a por considerá-la subversiva. Cardenal felizmente escapou e foi capelão dos guerrilheiros. Depois, entrou para o governo sandinista como ministro da cultura, como dissemos. Reagan e o Vaticano compartilhavam da mesma política com relação à revolução da Nicarágua. Ambos são responsáveis por destruírem essa experiência, a primeira revolução com a plena participação dos cristãos na história. No ano da visita do papa João Paulo II à Nicarágua, o Vaticano ameaçou com sanções os sacerdotes com cargos públicos no governo: Cardenal foi então proibido de administrar os sacramentos (RP 321). O mesmo Papa, que censurou publicamente Cardenal na chegada ao aeroporto de Manágua, diante das câmeras de televisão do mundo inteiro, abraçava o assassino do arcebispo Oscar Romero  em El Salvador (RP 303).

IHU On-Line - A partir de seu livro recém-lançado, Mística e compaixão, o que caracteriza a teologia do seguimento de Jesus em Thomas Merton?

Getulio Bertelli - Basicamente trata-se de dois amores acima citados: o amor a Deus e a causa dos pobres (RP 322). O seguimento de Jesus em Merton tem essa dupla abertura, citada anteriormente: abertura para Deus, (com paixão infinita, dedicação incondicional na consagração como monge, sacerdote e eremita) e abertura para os humanos, denunciando o racismo, a violência endêmica na sociedade, o imperialismo norte-americano, evidente na Guerra do Vietnam, mediante a voz e a escrita, e como formador de opinião em jornais de grande circulação nos EUA (como o New York Times, El Obrero Catolico etc.). Ele deu sua contribuição inspirando a criação de grupos promotores da paz, até hoje resistindo à acomodação da hierarquia católica, e sacudindo os cristãos tão identificados com a “religião civil”; em que a Constituição está acima do Evangelho; e, em que a palavra do presidente é quase infalível. Qualquer crítica às suas decisões é considerada traição, crime passível de assassinatos cometidos pelo FBI (dentro do país) e pela CIA (no exterior). O seguimento de Jesus em Merton teve o mesmo preço que seu Mestre: a morte martirial, como comprovou o jornalista Robert Grip, que abriu os arquivos da CIA, onde o nome de Merton aparece, e toda a sua correspondência “suspeita” arquivada. Ele foi denunciado ao FBI pelos católicos ultranacionalistas de Louisville como uma pessoa perigosa, cujos passos deviam ser vigiados. Até uma novela foi escrita, intitulada The bossuet conspiracy,  de Goodson Bill, sobre o assassinato de Merton. Ele teve uma morte martirial, como tantos e tantas na América Latina, conseqüência inevitável de sua postura profética desde o coração do império americano, já então transformado numa “Babel, armada de bombas”, como escreve Cardenal nos Salmos (p. 74).

IHU On-Line - Qual a mensagem de Merton para nós hoje?

Getulio Bertelli - Diante da gravíssima crise econômica que vivemos hoje, Merton por sua vida, obra e morte, inspira-nos a adotarmos um estilo de vida mais sóbrio, mais partilhado, mais respeitador da alteridade e da diversidade. Inspira a estendermos o conceito de compaixão e opção preferencial pelos pobres também ao planeta Terra, fragilizado e ferido de morte. Vivemos um momento purificador da humanidade, em que a ganância dos ricos foi golpeada duramente. Talvez a duras penas todos aprendamos a ascese monástica que Merton praticou nos 27 anos de vida religiosa: viver com sobriedade, desfazendo-nos do supérfluo, para que todos possam ter vida. Apesar de incompreendido pelos superiores hierárquicos, impedido pelo Vaticano de transferir-se para a América Latina, Merton decidiu permanecer “filho de uma Igreja contestada”, como escreve Antonio Merino, a respeito de São Francisco de Assis. Merton também “sabia que a Igreja é frágil... inclusive a hierarquia é composta de pessoas limitadas, que devem ser compreendidas e ajudadas, mas das quais não se deve desertar, e que muito menos se deve detestar”.  Além dessa fidelidade incondicional, apesar do inverno eclesial e da noite escura em que vivemos na Igreja hoje, Merton nos inspira a criar pontes entre as grandes religiões da humanidade, com vistas a salvar nosso planeta, morada de Deus e dos homens. Esses dois pilares: a mística e a compaixão, comuns a todas as religiões, podem servir para unir a humanidade, vencendo os fanatismos religiosos e políticos, e apontando para a diversidade querida por Deus para dar conta da fecundidade infinita do Sumo Bem.
 
Leia mais:

>> Confira outra entrevista concedida por Getulio Bertelli. Acesse nossa página eletrônica www.unisinos.br/ihu

Entrevista:

*A mística de Thomas Merton, publicada na IHU On-Line número 134, de 28-03-2005, intitulada Células-tronco embrionárias. Fronteira promissora da medicina?.

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