Edição 285 | 09 Dezembro 2008

Perfil Popular - Rosane Flores da Motta

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Bruna Quadros

Aos 50 anos de idade, Rosane Flores da Mota é um exemplo de dedicação e força de vontade. Ao contrário de muitas pessoas que chegam nesta idade e ficam somente em casa, administrando a rotina do lar, ela decidiu, literalmente, colocar a mão na massa. Há 18 anos, ela faz chocolates artesanais. E o que começou como uma brincadeira, hoje, é uma fonte de renda e, também, de lazer para Rosane, que visitou a redação da IHU On-Line na última semana para contar a sua trajetória de vida pessoal e profissional, que você confere a seguir:

 

Rosane iniciou o trabalho com os chocolates porque seu filho caçula, o Vinícius, gostava, mas não podia comer porque tinha alergia aos conservantes. “Com isso, passei a fazer chocolates em casa. Até então, só fazia para o nosso consumo, mas as pessoas começaram a me pedir encomendas.” Aos poucos, Rosane começou a participar de feiras populares para expor os produtos e percebeu que podia ir além. “Comecei com bombons pequenos. Quis inovar, porque bombom todo mundo vende. Então, comecei a fazer trufas.” O produto ficou conhecido como “Trufas Tia Sane”. Depois de ter uma loja no Shopping do Vale, em Cachoeirinha, e também em Esteio, Rosane, hoje, investe em outros pontos de venda, como locadoras e salões de beleza.

Toda a produção é feita na empresa, que funciona dentro de casa, no município de Sapucaia do Sul, cidade natal de Rosane. “Tem épocas em que eu preciso de gente para me ajudar, como no inverno, que chego a fazer 8 mil trufas por mês, ou em datas comemorativas como Natal e Páscoa. Sou apaixonada pelo meu trabalho. Adoro o contato com as pessoas.” Mesmo quando pode ter um tempinho para o descanso, Rosane não pára. “Em dezembro, eu vou para a praia descansar. Também aproveito para fazer as embalagens decoradas para os chocolates de páscoa.”

Antes de se dedicar ao trabalho com as trufas, Rosane teve outros empregos, como o de atendente, na loja Palácio dos Enfeites, em Porto Alegre. “Gostava de trabalhar para ter o meu dinheiro, poder ir aos bailes no final de semana e comprar roupas novas, uma vez que minha família não tinha muitas condições financeiras.” Seu pai, Eduardo José, tinha comércio. E sua mãe, Dorcelina, era dona-de-casa, cuidava dos quatro filhos. “Quando éramos crianças, minha mãe trabalhava também para ajudar em casa. Ela está com 73 anos e é uma guerreira. Tivemos uma vida como a de todo o brasileiro: sempre tendo que lutar muito.”

Da infância, ela lembra com alegria. “Coisa boa aquele tempo. Eu corria na rua de pés descalços e brincava nas plantações de aipim. Hoje em dia, meu netinho Murilo, de 2 anos, tem que brincar dentro do pátio, pela falta de segurança.” Rosane conta que foi uma adolescente um tanto rebelde. Com estilo hippie, usava calças boca-de-sino e cabelos compridos. “Estudei até o segundo grau. Não sabia nada da vida, mas tudo era uma festa. Casei cedo, aos 17 anos. Meu marido, Paulo, é construtor. Ele fazia reformas nos hotéis da Varig e já viajamos muito, em função disso.”

Aos 18, Rosane teve seu primeiro filho, o Marcelo. Mãe de quatro filhos,Marcelo, Taís, Priscila e Vinícius, se orgulha da família. “Aprendi com os meus pais e passei para os meus filhos os valores de responsabilidade e respeito com a família, além de união e carinho. Eu e meus filhos moramos próximos e não nos desgrudamos.” Tamanha é a união que a rua onde moram em Sapucaia do Sul é chamada de “Rua das Flores”, devido ao sobrenome da família.

Religião

“Viver e virar pó é muito pouco. Por isso, acredito muito no espiritismo, na vida após a morte.” Esta relação com o espiritismo se fortalece, quando Rosane lembra do seu pai, que faleceu há 16 anos, vítima de um infarte fulminante. “Ele foi o melhor pai do mundo. Sempre achamos que não é a hora de a pessoa ir. Ainda tenho roupas dele guardadas.” Emocionada, ela afirma que um dia ainda vai reencontrá-lo.

Visão política

“Existe muito roubo. Temos que escolher bem, porque serão quatro anos com a mesma pessoa no governo, mas não temos muitas opções.” Rosane destaca que é contra a política brasileira, porque o país rico, mas pouco aproveitado. “Não entendo muito de política, mas vejo muitas coisas erradas. Sempre pensei que o melhor salário deveria ser o do educador que, hoje em dia, está desmerecido.” Para Rosane, quando eram os militares que estavam no poder, havia mais ordem. “Podíamos andar na rua e existia mais respeito. Hoje, as pessoas entram para a política com o pensamento de roubar. Na saúde, há um desleixo com a população.”

Saiba mais...

De 14 a 24 de dezembro, haverá uma Feira de Natal da Associação dos Funcionários da Unisinos (AFU), no campus da universidade, e as Trufas Tia Sane estarão à venda. Para conhecer os produtos, acesse o site: www.trufastiasane.com.br

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