O grande desafio dos indígenas nos países andinos: seus direitos sobre os recursos naturais

Cadernos IHU ideias, em sua 225ª edição, publica o artigo de Xavier Albó, pesquisador do Centro de Investigação e Promoção do Campesinato, Bolívia.

Por: Redação

O grande desafio dos indígenas nos países andinos: seus direitos sobre os recursos naturais

Desde sempre o principal fator mobilizador para as lutas e rebeliões, tanto indígenas como camponesas, foi a defesa da terra. O conflito de interesses em torno dos recursos naturais ocorre com frequência nos territórios indígenas, que são ocupados por intrusos que ameaçam a sua forma de vida. Este é o tema do texto de Xavier Albó, que faz um resgate histórico da localização e dos embates dos povos indígenas em torno das terras que habitam nos países andinos. 

Em seguida, é abordada especificamente a questão dos diversos recursos naturais em jogo nas lutas indígenas com o capital e o Estado.  A mineração é um dos problemas mais sérios nesses territórios mobilizando as populações indígenas de diferentes maneiras. Conforme aponta Albó, os conflitos podem “provocá-los à união, gerando novas formas de enfrentar os poderosos que lhes roubam algo muito seu. E assim aprofundam e ampliam sua consciência e luta política. É provável que este conflito de interesses continue sendo o principal campo de batalha nos próximos anos”. O pesquisador ainda chama atenção para o fato de que “não se trata de algo novo. Desde sempre o principal fator mobilizador para as lutas e rebeliões, tanto indígenas como camponesas, foi a defesa da sua terra; e, no fundo, a Mãe Terra, mãe fecunda e fonte de vida.” 

No artigo também são abordadas as questões políticas que envolvem os mais recentes governos de esquerda nos países andinos e a postura desses líderes antes da chegada ao poder e suas atitudes depois de estar à frente dos países. “Um fenômeno bastante comum é que muitos líderes e partidos novos, antes de chegarem ao poder, defendem posições mais próximas aos movimentos indígenas, e se constituem, inclusive, em seus fortes aliados; mas depois, uma vez no poder, mais cedo ou mais tarde se deslocam, em grande parte, devido a sua posição pragmática em relação a estas atividades extrativas, que podem produzir rendimentos muito elevados, seja para o país ou para outros setores econômicos e sociais mais influentes no governo; ou simplemente para eles também lucrarem uma parte, porque ‘o poder corrompe’. Em nossos países muitas vezes dizemos que ‘outra coisa é com guitarra’”, analisa.

Esta e outras edições dos Cadernos IHU Ideias podem ser adquiridas diretamente no Instituto Humanitas Unisinos – IHU, solicitadas pelo endereço Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. e também suas versões digitais podem ser acessadas.■

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