“As relações do cristianismo e da modernidade foram relações de exclusão recíproca. Isto é principalmente verdade para o cristianismo sob a forma do catolicismo romano”, defende o teólogo francês Claude Geffré que fala, nesta entrevista sobre as complexas de diálogo, sejam elas entre cristianismo e modernidade ou entre as diversas denominações religiosas. “Muitos historiadores se perguntam se o cristianismo não foi ele mesmo um vetor de modernidade, mesmo que ele, finalmente, tenha sido sua vítima”. Mas, segundo o teólogo, o fim da função social do cristianismo não origina necessariamente o fim do cristianismo como experiência vivida e como crença pessoal.

O jesuíta francês Joseph Moingt é autor da obra Dieu qui vient à l'homme (Paris, Éditions du Cerf, 2002). Já foram publicados quatro vastos volumes e a obra ainda não está pronta. O autor, de 91 anos, atendeu solicitamente, por e-mail, ao pedido da IHU On-Line e surpreendeu-nos com sua resposta em forma de carta dirigida à comunidade universitária da Unisinos. Na carta, o teólogo vai respondendo às perguntas que lhe propomos.

Jesus foi um “carpinteiro, concebido por uma mulher fora do matrimônio, nascido num estábulo, é o homem que torna Deus uma realidade para nós”, afirma o teólogo Gavin D’Costa. Ele aborda questões relacionadas à compreensão teológica de Jesus homem-Deus, à forma de abordar o assunto na universidade, ao diálogo com as religiões. Para Costa, Jesus é “o homem que nos faz perceber que fomos tão desfigurados por padrões culturais habituais, que nem sequer percebemos nosso barbarismo. Ele é o homem que nos traz a verdade, a conturbadora e maravilhosa verdade de que somos plenamente amados por um Deus que tudo quer perdoar-nos, porque ele deseja restaurar-nos em nossa original bondade e beleza”.

Para John Hick, a encarnação divina é uma idéia metafórica. “Assim, tomando um exemplo da recente história da África do Sul, podemos dizer que Nelson Mandela encarnou, vivenciou plenamente o espírito de perdão e reconciliação. Neste sentido metafórico, Jesus encarnou o espírito da autodoação em resposta a uma consciência do Pai celeste.” Para ele, considerando Jesus como um grande profeta e doutrinador espiritual o cristianismo está preparado para um genuíno diálogo com outras crenças, em benefício da paz mundial.

O teólogo alemão Peter Hünermann apresenta, no artigo a seguir, alguns traços significativos da pessoa e da proposta de Jesus de Nazaré. Hünermann respondeu unicamente à primeira pergunta proposta pela IHU On-Line, “Quem é Jesus?”, a partir de passagens bíblicas do Antigo e do Novo Testamento. Peter Hünermann é professor emérito de Teologia Dogmática, na Universidade de Tübingen, na Alemanha. Estudou Filosofia e Teologia em Roma, Munique e Freiburg. Autor de uma vasta obra teológica, citamos a de cinco volumes intitulada Herders Theologischer Kommentar zum Zweiten Vatikanischen Konzil, Freiburg 2004/5.