Desmilitarização. O Brasil precisa debater a herança da ditadura no sistema policial

O aprofundamento da discussão acerca da segurança pública deve passar, necessariamente, pelo papel e a natureza do sistema policial do Brasil. Nos últimos anos, sobretudo por conta do recrudescimento da violência nas ações, o tema da desmilitarização das corporações cresceu em importância. Entre os especialistas consultados nesta edição, há pelo menos três recorrências na leitura feita do fenômeno: a persistência de marcas da ditadura nas corporações, a ideia de que o inimigo precisa ser eliminado (o que explicaria tamanho grau de letalidade e truculência) e a falta de transparência e de controle externo sobre a atividade policial.

Participam do debate suscitado pela revista IHU On-Line: Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública; o professor Sérgio Adorno, referência no debate sobre violência e segurança; advogado e ativista dos direitos humanos Renan Quinalha;  Ariadne Natal, doutoranda e mestre em Sociologia; diretor da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, Martim de Almeida Sampaio; doutor em Sociologia e professor Marcos Rolim; coordenador nacional da Pastoral Carcerária, padre Valdir João Silveira; tenente-coronel Adilson Paes de Souza, que trabalhou 30 anos na Polícia Militar de São Paulo; coronel José Vicente da Silva Filho, também oficial da reserva da PM paulista; e o secretário de Segurança Pública no município de Canoas, Rio Grande do Sul, Alberto Kopittke.