Hospitalidade

Desafio e Paradoxo. Por uma cidadania ativa e universal

Uma dádiva de si, que abre caminhos para o diálogo com o Outro, aquele desconhecido que bate à nossa porta em busca de acolhida. Embora magnífico, o gesto de acolhimento não resguarda em si apenas a maravilha do encontro, mas também tensões que surgem no limiar desses dois mundos que se encontram e até mesmo se chocam. Para debater o paradoxo e os desafios da hospitalidade, num tempo caracterizado pela globalização da indiferença, segundo, inclusive, a descrição do Papa Francisco, testemunhamos milhares de refugiados e migrantes que enfrentam mares, desertos e muros, na busca de um lar, e que são vistos não como ‘hospes’, mas como ‘hostis’.

A revista IHU On-Line, no contexto das festas natalinas, em que os textos evangélicos relatam que “não havia lugar para eles” (Lucas, 2, 7), debate o tema com pesquisadores de várias áreas do conhecimento. Enfim, a hospitalidade, afirma Gustavo Lima Pereira, “na esteira do pensamento de Jacques Derrida e Kierkegaard e que ganha guarida em Ricardo Timm de Souza, é "o reconhecimento da loucura pela justiça perante o mistério do rosto de outrem". Pereira é professor de Direito Internacional e Filosofia do Direito na PUCRS e advogado do Grupo de Assessoria a Imigrantes e a Refugiados.

 

Contribuem para as reflexões: Alain Montandon, professor emérito de Literatura Geral e Comparada na Universidade Blaise Pascal - Clermont II, na França; Magali Bessone, professora de Filosofia Política na Universidade de Rennes 1; Marco Dal Corso, teólogo, professor de religião em uma escola secundária em Verona e professor visitante do Instituto de Estudos Ecumênicos "San Bernardino" em Veneza, ambas na Itália; Placido Sgroi, teólogo italiano; Claudio Monge, frade dominicano, italiano, radicado na Turquia; Faustino Teixeira, teólogo da Universidade Federal de Juiz de Fora – PPCIR-UFJF;

 

A sutil linha que costura em igualdade refugiados e retirantes, ambos migrantes, ambos fugitivos do desajuste climático, ambos estrangeiros, uns globais, outros dentro do próprio território, nos conduz do debate sobre a hospitalidade às discussões sobre os 60 anos da publicação de Morte e vida severina – auto de Natal pernambucano, de João Cabral de Melo Neto. Neste sentido a IHU On-Line discute esta importante obra da literatura brasileira fazendo aproximações com a realidade contemporânea.

 

Nas reflexões a partir dessa obra, contribuem: Antonio Carlos Secchin, poeta, ensaísta, crítico literário e professor; Thaís Toshimitsu, doutora, mestra e graduada em Letras pela Universidade de São Paulo – USP; Braulio Tavares, escritor, poeta, compositor, letrista e pesquisador de ficção científica e literatura fantástica; Eli Brandão da Silva, doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo – Umesp; Maria Augusta Torres, mestra em Ciências da Religião pela Universidade Católica de Pernambuco – Unicap.