Edição 220 | 21 Mai 2007

Jocilaine Alves Neves Stein

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

IHU Online

Funcionária da Unisinos há dez anos, Jocilaine tem a Universidade como uma segunda casa. A primeira fica no bairro Campestre, São Leopoldo, onde mora com o marido e dois filhos. No laboratório de Nutrição e Dietética, tem a rotina repleta, sempre em contato com alunos e professores. Formada em Administração de Empresas, com ênfase em Recursos Humanos, pela Unisinos, planeja no futuro abrir o próprio negócio. Hoje, aos 34 anos, tem tripla jornada: é mãe de dois filhos pequenos, laboratorista e presidente da AFU - Associação de Funcionários da Unisinos. Conheça um pouco mais de Jocilaine na entrevista a seguir.

 

Origens - Nasci em Porto Alegre, mas cresci em Canoas, no bairro Fátima, onde morei depois de casada. Meu pai era funcionário público e minha mãe tinha uma loja de roupas. Tenho uma irmã cinco anos mais velha, Janete. Sempre fomos muito unidas. Fora aquelas brigas típicas de criança, ela sempre cuidou muito de mim.

Infância - Minha infância foi muito boa, com um diferencial em relação à das crianças de hoje. Tínhamos sempre a mãe por perto, e isso era muito bom. Hoje a mulher tem dupla jornada, e, às vezes, se sente culpada por não estar sempre ao lado dos filhos. Brincávamos muito de aulinha, onde a minha irmã era minha professora. Como não tínhamos quadro-negro, escrevíamos na porta do roupeiro com giz e minha mãe ficava furiosa. Acordávamos de madrugada para brincar escondidas de aulinha e depois limpávamos o roupeiro para ela não descobrir. Foi uma infância com muitos amigos. Ficávamos juntos, todos em casa, onde tínhamos um pátio grande e brincávamos de casinha. Era uma época onde podíamos brincar na rua, pois não havia muita violência.

Estudos - Cursei o Ensino Fundamental na Escola Estadual Guarani. No Ensino Médio, optei pelo ensino técnico em Química, que cursei na Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, em Novo Hamburgo. Era uma viagem cansativa, pegávamos ônibus muito cedo, mas foi uma época muito proveitosa, em que aprendi a ter responsabilidades. Tínhamos muitos estágios, bem diferente do Ensino Médio normal.

Estágio - Fiz diversos estágios durante os anos do Ensino Médio. O primeiro foi em um curtume, em Novo Hamburgo, onde eu fazia testes no couro até atingir o pedido do cliente. O próximo estágio foi no Semae, em São Leopoldo, no laboratório de tratamento da água. Depois, fiz um estágio no laboratório de uma fábrica de papéis em Esteio. O meu último estágio foi no laboratório físico-químico do Centro de Ecologia da UFRGS, onde analisávamos água e efluentes. Eu adorei essa fase de estágios, pois conheci muitas pessoas, além de ter tido um aprendizado enorme.

Trabalho - Na UFRGS fui efetivada e permaneci lá quase dois anos. O meu próximo emprego foi no laboratório de ciências biológicas do Colégio Militar de Porto Alegre. Eu tinha uma rotina completamente diferente das que vivi anteriormente em razão da rigidez do regime militar. Trabalhando diretamente com os alunos, percebi a educação e disciplina daquele regime.

Oportunidade - Surgiu uma vaga de laboratorista na Unisinos em 1996. Enviei meu currículo e logo fui chamada para a seleção. Entrei na Unisinos para trabalhar no laboratório de Nutrição, que era muito diferente do que é agora. Eu auxiliava os professores na preparação das aulas práticas, fazia compras para as aulas, além dos serviços administrativos do laboratório. Depois de seis anos, a demanda do laboratório aumentou, e mais colegas vieram trabalhar comigo. Quando surgiu o curso de Gastronomia, houve uma reestruturação do laboratório, onde também pude ajudar a projetar os espaços. Os cursos de Gastronomia e Nutrição são multidisciplinares, trabalhamos a administração, sociologia, história e até artes, o que é muito legal.

Administração de Empresas - Na Química, trabalhamos sozinhos, focados no trabalho e na pesquisa. Escolhi Administração de Empresas, com ênfase em Recursos Humanos, por ser uma área dinâmica, onde poderia trabalhar diretamente com as pessoas. Formei-me em 2006 e estou pensando em fazer pós-graduação e mestrado. Uma área que me encanta é a motivacional, pois atualmente é muito difícil conseguir manter o funcionário motivado por um longo período. Trata-se de um desafio para todo administrador. Fiz meu estágio obrigatório para conclusão do curso no projeto Ofisinos, onde fazia capacitações com alunos do Ensino Médio para se inserirem no mercado de trabalho. Era um trabalho realmente gratificante. Até hoje encontro alguns alunos que perguntam se vamos ter mais cursos. Meu trabalho de conclusão teve como tema “A Recuperação e a Reinserção Social através do Trabalho Prisional”. Fiz uma pesquisa com as detentas do presídio feminino Madre Pelletier, focando em como o trabalho prisional as ajudariam a se reinserirem no mercado de trabalho após o período de aprisionamento.

Casamento - Quando comecei meu trabalho na Unisinos, foi feita uma reunião de integração dos novos funcionários. Nessa reunião conheci meu marido. Ele tinha começado a trabalhar um dia antes de mim. Começamos a namorar e um ano depois nos casamos.

Filhos - Após dois anos de casados, mudamos de Canoas para São Leopoldo. Já tínhamos nosso primeiro filho, João Henrique, que, nesta época, tinha um ano e hoje tem sete anos. Temos outro filho, o João Vítor, de três anos. Na época em que ele nasceu foi conturbado, pois eu trabalhava e estudava. No dia em que ele nasceu, eu fui à tarde para a obstetra, que disse que deveríamos fazer o parto naquele dia. Eu tinha uma prova importante. Logo depois de fazer a prova, fui para casa e ele esperou mais uns dias para nascer. Logo depois do nascimento começaram as aulas. Os professores foram muito compreensivos, permitindo que eu trouxesse o bebê para a aula. Ele ficava no carrinho, ao meu lado. Meu marido e meu filho mais velho me acompanharam nessa época, vindo junto para a Unisinos comigo.

Horas Livres - O que mais gosto de fazer é curtir a família. Não somente ficar em casa na companhia deles; gosto de realmente brincar com eles. Vou ao cinema, jogo futebol com eles, sento no chão para brincar de carrinho. Quando estou com eles, dedico-me totalmente. Também gosto de fazer trabalhos manuais, como tricô e bordado.

Esporte - Gosto de praticar caminhada. Além de ser um exercício físico, ela oferece um tempo para podermos espairecer e relaxar, pensando no nosso dia-a-dia. Às vezes, saio do trabalho agitada e vou caminhar. E quanto eu mais reflito, me acalmo.

Filme - Não tenho um preferido. De modo geral, gosto de comédias e filmes que tenham uma história de vida interessante.

Livro - Gosto de livros da área da administração. Também leio Paulo Coelho e livros de auto-ajuda. Costumo misturar, ler de tudo um pouco. Agora, em função do meu trabalho, estou lendo obras de tendências e história da gastronomia.

Futuro - Queria muito abrir meu próprio negócio, pois poderia administrar a minha maneira.

Brasil - Na nossa política, temos muita corrupção. Surge, a todo o momento, um escândalo novo. Eu fico pensando o que será do futuro do Brasil se nossos filhos estão vendo isso diariamente. Precisamos ter uma boa base de educação em casa, com princípios sólidos para os filhos, porque, se dependermos dos exemplos que vêm de fora, vamos ter sérios problemas no futuro. Se as crianças tomarem como base o que vêem na televisão seria muito triste. Os políticos não se importam muito com a população.

Unisinos - A Unisinos é a minha segunda casa. Faz dez anos que trabalho aqui. Há muitas mudanças ocorrendo, espero que todas para melhor. Só tenho coisas boas para falar da Unisinos. Graças a ela consegui me formar, trabalho com pessoas agradáveis e me sinto muito bem aqui.

IHU - O Instituto Humanitas representa a cultura dentro da Universidade. Ele promove muitas exposições, eventos e palestras, que são muito importantes.

Últimas edições

  • Edição 546

    Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

    Ver edição
  • Edição 545

    Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

    Ver edição
  • Edição 544

    Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

    Ver edição