Edição 218 | 07 Mai 2007

Editorial

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IHU Online

O Brasil está se desindustrializando? Um debate

O último levantamento do IBGE mostrou um crescimento de mais de 3% na indústria brasileira no primeiro trimestre de 2007. Mesmo assim, fala-se, cada vez mais, que nos aproximamos de uma crise no setor industrial. Outros estudiosos, ao contrário, apostam em uma reestruturação da indústria de nosso País. E é justamente no intuito de refletir sobre a tendência que prepondera no setor industrial, e sobre os rumos da economia brasileira, que a IHU On-Line desta semana entrevistou diversos especialistas no tema.

Para o economista Rubens Ricupero, o Brasil vive hoje uma crise industrial, a qual ocorre “quando o peso da indústria no emprego e na produção começa a cair”. Para ele, todos os setores estão “atravessando um período de grave desindustrialização”. E o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, do Instituto de Economia da Unicamp, concorda com ele quando afirma que “estamos vivendo um processo complicado de perda de substância industrial em muitos setores” e que “a indústria brasileira está estagnada, cada vez mais dependente dos insumos importados”. Mais. Para Belluzzo, “temos poucas chances de sair dessa situação. Talvez a gente cresça num ano 4,5%, no outro 5%, mas tenho minhas dúvidas em relação a uma continuidade de crescimento”. E atesta: “E não é só por causa da economia, mas sim por causa da sociedade brasileira que não tem mais energia e vitalidade. É uma sociedade acomodada”.

Também contribuem com o debate os economistas Octávio Conceição, José Eduardo Cassiolato, David Kupfer, que diz que a indústria brasileira está passando por um processo de reestruturação. Segundo Marcio Pochmann, o Brasil não completou o seu ciclo de industrialização e assim perde espaço para as nações que vem crescendo rapidamente.

Para a economista Liana Carleial, professora da UFPR, “a desindustrialização não pode ser entendida meramente como a desindustrialização clássica do capitalismo avançado. Nós temos, sim, uma desindustrialização acelerada pela diferença histórico-estrutural e agravada pelo processo de ajuste dos anos 1990, pois tivemos inserção na globalização pelo lado financeiro e não pelo lado produtivo e, finalmente, pela natureza da política econômica”. Por sua vez, Pedro Cavalcante, professor da Fundação Getúlio Vargas – RJ, defende que a indústria brasileira não está passando por uma crise e que não há necessidade de uma política industrial. Para ele, “políticas horizontais, além de estarem menos sujeitas à pressão de grupos organizados, possuem maior potencial para impulsionar o crescimento econômico brasileiro”.

Na elaboração desta edição contamos, mais uma vez, com a parceria do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT, com sede em Curitiba. Aprofunda-se, desta maneira, a parceria já consolidada na elaboração cotidiana das “Notícias do Dia” e na feitura da análise de conjuntura semanal, ambas publicadas na página eletrônica do IHU.

Uma boa leitura e uma excelente semana a todas e todos!

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