Edição 217 | 30 Abril 2007

Editorial

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Fenomenologia do espírito de Georg Wilhelm Friedrich Hegel. 1807-2007

Em 1807, Georg Wilhelm Friedrich Hegel publicava a Fenomenologia do espírito. Como lembra, pertinentemente, o Prof. Dr. José Henrique Santos, ex-reitor da UFMG, “a palavra ‘fenomenologia’ quer dizer ‘ciência do fenômeno’, ou ciência de tudo o que se manifesta na consciência e serve para indicar o saber que o espírito adquire de si mesmo ao longo de uma série de experiências nas quais a consciência estuda sua própria formação”. E ele continua: “Ela se educa continuamente, e um dos méritos da Fenomenologia do espírito consiste em fazer com que essas experiências exemplares apareçam para nós, leitores, de maneira lógica e ordenada, para que possamos ver se nós também nos reconhecemos nelas”. Segundo o autor de O trabalho do negativo: ensaios sobre a Fenomenologia do espírito, recém-lançado pelas Edições Loyola, “a Fenomenologia de Hegel não podia ser mais oportuna do ponto de vista histórico: nela a história do Ocidente foi pensada até o ponto máximo da ruptura com o mundo antigo e o nascimento da modernidade na qual nos encontramos”. A obra é única, constata, por sua vez, o filósofo alemão Walter Jaeschke, diretor do Hegel-Archiv, na Ruhr-Universität Bochum, Alemanha, pois ela tem um “caráter completamente diferente das antigas obras filosóficas”.

Segundo ele, “a filosofia de Hegel é um dos últimos modelos de pensamento abrangente da grande tradição filosófica”. A Fenomenologia do espírito é mais atual e mais promissora do que nunca em termos de futuro, avalia Pierre-Jean Labarrière, do Centro Sèvres de Paris, pois permite “obter um esclarecimento das relações verdadeiras que unem o sujeito e o objeto (só para evocar esta problemática mais geral e profundamente essencial)”.

 Eduardo Luft, professor de filosofia da PUC-RS, refletindo sobre a atualidade da obra de Hegel, evoca a “crise ecológica, o conflito extremo entre homem e natureza, que vivenciamos”. Segundo ele, “é uma situação análoga, mas muito mais dura, ao conflito entre subjetividades que está na gênese da dialética do senhor e do escravo, tão bem tratada na Fenomenologia hegeliana”.  E o professor continua: “Mas não se trata agora apenas ou propriamente de enfrentar o conflito entre subjetividades diversas, entre culturas antagônicas, mas de superar a tensão entre a civilização e o reino   natural, um conflito que está nos colocando em uma situação extrema, potencialmente muito mais grave do que qualquer outra enfrentada pelo gênero humano”.

Já o Prof. Dr. Carlos Roberto Velho Cirne Lima, um dos maiores estudiosos e especialistas brasileiros de Hegel, professor do PPG em Filosofia da Unisinos, autor do recém-lançado Depois de Hegel. Uma reconstrução crítica do sistema neoplatônico, na instigante entrevista publicada nesta edição, faz duas críticas a Hegel: “Hegel nunca deu o devido valor e importância para a contingência ou, em outras palavras, a facticidade das coisas nesse mundo e, portanto, da história” e “o segundo grande erro de Hegel é mais um problema de terminologia combinado com certa ambigüidade”, ou seja, “quando ele fala em contradição, entenda-se contrariedade”.
Participam ainda desta edição o Prof. Dr. Marcelo Fernandes de Aquino, reitor da Unisinos, e Paulo Gaspar de Meneses, tradutor da Fenomenologia do espírito para a língua portuguesa.
Num momento em que “o estudo de Hegel no Brasil, assim como no cenário internacional, certamente sofreu um refluxo com o colapso do marxismo”, como constata Eduardo Luft, é com muita satisfação que a IHU On-Line “rememora” esta Fenomenologia do espírito no seu segundo centenário.

De 13 a 31 de maio, realiza-se, em Aparecida do Norte, a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. A partir desta edição, além da página eletrônica do IHU, contribuiremos na reflexão e análise deste importante evento. Assim, entrevistamos, na presente edição, o Prof. Dr. Paulo Suess, professor em universidades da Alemanha e no mestrado e doutorado da Faculdade Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo.

Nesta semana, quando celebramos o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, o IHU promove mais um encontro de “Conversas sobre o mundo do trabalho”, no dia 2 de maio, e no dia 3, no IHU Idéias, a Profa. Dra. Luciana Marques Vieira falará sobre comércio internacional e as certificações relacionadas ao comércio ético.

A todas e todos uma ótima leitura e uma excelente semana!

 

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