Edição 536 | 13 Maio 2019

Em tempos de Revolução 4.0, a multiplicação de olhos no controle biopolítico

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João Vitor Santos

Itamar Soares Veiga observa que “precisamos de tecnologia para realizar processamento, então a tecnologia deve ser compreendida como um dos dispositivos de controle em geral”

Houve um tempo em que os avanços tecnológicos eram estimulados sob a perspectiva de que o ser humano seria diletante, tornando-se muito mais dado à liberdade. Mas não é de hoje que se percebe que a chamada Revolução 4.0 tem forte e profundo impacto em áreas como, por exemplo, a do trabalho, seja substituindo mão de obra, seja fazendo com que seres humanos produzam ainda mais. O professor Itamar Soares Veiga ainda alerta para outra face dessas profundas transformações: o controle. “A tecnologia está muito bem afeita ao controle biopolítico. Isto se deve a um motivo simples: a existência de um grande número de informações que devem ser processadas por alguém (ou grupo) que deseja compreender um contexto e controlá-lo”, aponta. Ou seja, a tecnologia faz multiplicar olhos, em que somente eles são capazes de ler as informações geradas a partir dessa interface homem–máquina.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Veiga detalha como esse controle biopolítico vai incidir na vida em sociedade. “A tecnologia se atualiza hoje como recurso biopolítico por meio do processamento dos dados coletados”, explica. “A criação de modelos e possibilidade de ter previsões matemática e estatisticamente orientadas é que explicita a interface entre a tecnologia e o controle biopolítico. O usufruto biopolítico possível dos dados é uma realidade indiscutível”, acrescenta.

Para a constituição desse seu argumento, o professor recupera o pensamento de autores como Martin Heidegger, Giorgio Agamben e Peter Sloterdijk no que diz respeito à tecnologia e, especialmente, na relação dos seres humanos com as máquinas. “Cada um desses três autores possui um conjunto de obras que não é pequeno e nem simples. Eles trabalharam temas próximos, mas com suas respectivas originalidades. Os fios condutores de suas elaborações não têm uma centralidade na técnica”, observa, revelando que tal associação é possível através de olhar situado na subjetividade dos usos das máquinas pelos indivíduos.

Itamar Soares Veiga é doutor e mestre em Filosofia, ambos os títulos obtidos pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Ainda possui bacharelado e licenciatura em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Atualmente é professor em cursos de graduação e pós-graduação na Universidade de Caxias do Sul - UCS. Na área de Filosofia, trabalha com metafísica e história da filosofia.

O professor estará no IHU no dia 23 de maio, quando proferirá a palestra “A tecnologia na vida cotidiana e nas instituições: Heidegger, Agamben e Sloterdijk”. Saiba mais.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como o conceito de tecnologia aparece nas obras de Heidegger , Agamben e Sloterdijk ? Quais são os limites e as potencialidades desses conceitos para compreendermos o ser humano em relação com a técnica?
Itamar Soares Veiga – Cada um desses três autores possui um conjunto de obras que não é pequeno e nem simples. Eles trabalharam temas próximos, mas com suas respectivas originalidades. Os fios condutores de suas elaborações não têm uma centralidade na técnica. Heidegger possui a sua famosa conferência “A pergunta sobre a técnica” (1953) em que se destaca o conceito de “Gestell”, sobre o qual acompanho a tradução de meu amigo prof. Marco Aurélio Werle e uso o termo português: “armação”. A “armação” ocorre quando a técnica convoca o homem para provocar a natureza e, assim, conseguir armazenar reservas para uso futuro (de eletricidade, de carvão, hoje em dia nós diríamos armazenamento de dados digitais em datasets). Este posicionamento de Heidegger nos anos 50 foi importante para estimular a discussão filosófica sobre a técnica.

Agamben possui uma conferência que também gerou um impacto significativo intitulada: “O que é um dispositivo?”, publicada em português em 2009. Nessa conferência, ele afirma que a tecnologia, por meio de dispositivos, captura a nossa subjetividade e não nos devolve nada em troca. O modo de ser do dispositivo contemporâneo é diferente do dispositivo medieval da “confissão”, analisado por Foucault . Neste último, quando um pecador se confessa ele passa por um processo de des-subjetivação para em seguida se subjetivar novamente. Mas os dispositivos atuais, como os smartphones, nos capturam, apanham a nossa subjetividade e nos transformam em uma forma lavrar ou fantasmática, à espera de um “like” na nossa última postagem.

Talvez, Peter Sloterdjik se aproxime mais do que poderíamos denominar de uma centralidade da técnica. Mas, mesmo assim, é possível dizer que o centro das suas preocupações é uma antropologia filosófica ou, ainda, uma antropotécnica. Nisto, Sloterdjik se diferencia de Heidegger e de Agamben, já que nenhum destes dois está propondo algo que se aproxime de uma antropologia, mas sim aprofundando os problemas que a atual situação do ser nos impõe. Heidegger forneceu subsídios para a elaboração de questionamentos importantes sobre a técnica. E Agamben procura explicar como nós conseguimos chegar ao nosso estágio atual de controle, gerando uma espécie de paradigma político, exemplificado pelo campo de concentração. No campo, os prisioneiros vigiam os próprios prisioneiros.

IHU On-Line – A partir da perspectiva de Agamben sobre biopolítica, como o senhor identifica elementos desse conceito nas reflexões de Heidegger e Sloterdijk?
Itamar Soares Veiga – Heidegger não tem um conceito de biopolítica e nem mesmo trabalhou com este termo. Na realidade, Heidegger não tratou filosoficamente sobre política. Pode-se pensar de forma diferente a respeito disso, principalmente após as publicações dos Schwarze Hefte (Cadernos Pretos), mas sempre é possível fazer uma crítica sobre um determinado grau de mistificação ou de narratividade que penetra na produção do filósofo. Esta é uma discussão complexa, que ainda deve ser feita.

Agamben se beneficiou dos constructos de Heidegger de facticidade e de Ereignis (acontecimento-apropriação). Eu analisei isto em um artigo, “O Homo Sacer de Agamben e a perspectiva ‘biopolítica’ a respeito de Heidegger”, de 2017. O conceito de facticidade proporcionou subsídios para se pensar um assumir-se que se transforme em missão. Mas, se a facticidade não for pensada biopoliticamente, como pretende Agamben, poderemos ser ingênuos e engolfados por sistemas autoritários biopolíticos, como foi o caso no nazismo. Por outro lado, sobre o conceito de Ereignis, Heidegger traz a possibilidade de um pensamento “livre de destino”. Isto contribui para uma ontologia política da potência (ou seja, a potência de... e a potência de não...). Agamben sugere esta apropriação.

Há um elemento filosófico importante na obra de Sloterdjik, isto é, talvez devamos dizer que é um filósofo influenciador. Este filósofo influenciador é Nietzsche . Tal influência alcança, por vias tortas, a filosofia de Agamben. Isto acontece porque Foucault é uma das vertentes de Agamben, e o próprio Foucault sofreu uma influência decisiva de Nietzsche. Esta influência é tão importante que, para Foucault, ela pode ser considerada um dos fatores motivadores para uma discordância com relação a Heidegger. Por outro lado, Heidegger também foi influenciado por Nietzsche, em suas obras dos anos de 1936-44.

A presença de Nietzsche

Enfim, diante disso podemos concluir que Nietzsche é um eixo que está nos três autores. Mas como aparece nestes três autores? Nietzsche é um filósofo complicado e de difícil compreensão. Em geral temos uma compreensão superficial ou impactada pela estética de suas afirmações mais fortes. Portanto, o mais indicado em relação a Nietzsche é seguir um roteiro conhecido, ler as suas obras e ler os seus comentadores. Lembrando que é muito importante, quando lemos um filósofo, que tenhamos um problema ou um ensaio de uma pergunta própria, para não sermos simplesmente “soterrados” pelas ideias do filósofo que escolhemos.

IHU On-Line – De que forma o pensamento de Heidegger, Agamben e Sloterdijk podem contribuir para compreendermos as nossas relações diárias com a tecnologia?
Itamar Soares Veiga – Heidegger nos fornece um elemento de base profundo: a facticidade, que diz respeito a como assumimos a nossa vida finita. Outro elemento profundo é a história do ser, que diz respeito ao sentido de verdade que as coisas têm em nossa época; e fornece uma provocação sutil: a Filosofia, que ainda pode ser feita, se transformou em cibernética. Tudo isto é muito interessante, mas bem complexo. Podemos, depois de um certo esforço, encontrar contribuições para pensar nosso mundo atual.

Agamben nos fornece uma discussão sobre a soberania e o Estado. Ele dirige o nosso olhar para a política, e esta é compreendida como biopolítica. Ele possui uma inspiração de Foucault, mas faz avanços em muitas frentes: tem uma crítica em relação aos processos de subjetivação, dentro dos quais existem dispositivos tecnológicos que nos capturam. Eles nos capturam oferecendo a nós uma condição instantânea, mas igualmente momentânea, de sermos sujeitos, como se fosse uma espécie de protagonismo, por exemplo, dentro de uma rede social.

Sloterdijk se dirige diretamente para a técnica ou para a tecnologia. Ele trata abertamente do fracasso das visões antropológicas do passado e propõe um enfrentamento direto do problema (biopolítico) de como os humanos podem administrar outros humanos. Seguindo nesta linha, devemos pensar com seriedade em uma antropotécnica e devemos ter um comportamento proativo enquanto indivíduos. Podemos dizer que Sloterdijk gera menos interfaces para se pensar o mundo atual.

IHU On-Line – Podemos compreender a tecnologia como um dos dispositivos de hoje para controle biopolítico? Por quê? Como a tecnologia atualiza-se hoje como dispositivo de controle biopolítico?
Itamar Soares Veiga – A tecnologia está muito bem afeita ao controle biopolítico. Isto se deve a um motivo simples: a existência de um grande número de informações que devem ser processadas por alguém (ou grupo) que deseja compreender um contexto e controlá-lo. Ora, este conjunto de informações é uma espécie de “tempestade digital”, como diz Byung-Chul Han no seu livro O Enxame . Esta “tempestade” somente pode ser compreendida e controlada por processamento digital.

Portanto, precisamos processar, precisamos de tecnologia para realizar processamento, então a tecnologia deve ser compreendida como um dos dispositivos de controle em geral, um recurso indispensável. Inclusive na política. Hoje, não temos o governo de um só soberano, mas de partidos e de políticas legislativas. Por isto, a compreensão e os controles, proporcionados pela tecnologia, devem convergir para a situação biopolítica de compreensão e controle, cujo alvo somos nós, os viventes. Nós constituímos as populações e, enquanto populações, nós somos caóticos, pois o vetor que une tudo e que foi o único que restou é: uma espécie de busca narcísica de reconhecimento. Uma busca realizada através das redes digitais. Isto resulta em população composta de egos narcísicos, passível de ser modelada por processamento digital.

Como se atualiza este controle biopolítico? Esta parte da pergunta é muito importante. A tecnologia se atualiza hoje como recurso biopolítico por meio do processamento dos dados coletados. Estes dados são obtidos de diversas formas: (1) existem alguns datasets (conjunto de dados) disponíveis publicamente que servem muito bem para o ensino e treinamento de estudiosos de softwares de aprendizado de máquina (Machine Learning); (2) existem dados que são obtidos por meio de uma API junto às redes sociais e, na maior parte das vezes, a coleta destes dados é cobrada. Tais datasets são trabalhados e submetidos a um entre vários algoritmos de aprendizado de máquina. O objetivo é gerar um modelo e previsões para resolver uma pergunta específica. As ferramentas digitais estão disponíveis, os treinamentos estão disponíveis, basta estudar e começar a trabalhar com os dados.

A criação de modelos e possibilidade de ter previsões matemática e estatisticamente orientadas é que explicita a interface entre a tecnologia e o controle biopolítico. O usufruto biopolítico possível dos dados é uma realidade indiscutível. Obama teve o melhor modelo de aprendizado de máquina para orientar a sua indicação pelo partido democrata; Trump fez o mesmo para ganhar a eleição; o Brexit também sofreu uma influência dos modelos preditivos: pessoas que nunca foram às urnas participaram do plebiscito. Existem certas observações que as eleições aqui no Brasil também foram decididas pelos modelos de aprendizado de máquina, os quais orientaram os candidatos. Além das fake news.

IHU On-Line – Como os caminhos da democracia e da tecnologia de hoje se cruzam? De que forma podemos mensurar a incidência de um campo sobre o outro?
Itamar Soares Veiga – Quando as pessoas votam em um candidato que utilizou largamente a tecnologia para se eleger e depois elas se decepcionam com o governo deste candidato vencedor, além do efeito da decepção, o próprio sistema político sai perdendo. Como o candidato provavelmente utilizou a tecnologia? Por exemplo: ele ou o seu partido ou os seus simpatizantes contrataram softwares de aprendizado de máquina (Machine Learning) e apresentaram o problema de alcançar um número X de votos em uma determinada região de um país. Os softwares, com informações coletadas e compradas dos administradores de redes sociais, fizeram um modelo preditivo e passaram ao candidato as orientações para assuntos a serem tratados em seus discursos, pronunciamentos, postagens e comportamentos.

Além disso, foram contratados programadores para criarem bots (robôs de softwares, eles são automatizados) e estes bots foram lançados nas redes sociais. Eles podem dar mais de um “like” por segundo em determinadas postagens, além de poderem estimular polêmicas. Existe um estudo muito bom da Fundação Getulio Vargas - FGV a respeito . É claro que o uso de bots e, também, de fakes news não são um jogo limpo, mas, enfim... Qual é o resultado disso tudo? O candidato vence a eleição e depois governa, segue-se uma decepção e uma descrença na prática política. Essa descrença estimula a especulação de que no futuro talvez não existam mais políticos, mas apenas softwares que administram tudo.

IHU On-Line – No mundo atravessado pela tecnologia, pesquisadores de diversas áreas têm apontado como o capitalismo tem se transmutado para sobreviver e se reinventar na era da chamada Revolução 4.0. Como o senhor compreende esse processo?
Itamar Soares Veiga – Há seis anos ninguém conseguia imaginar a influência que a Inteligência Artificial teria nos dias de hoje, mas ela está aí, nos smartphones, nos carros autônomos e não autônomos, no ambiente doméstico como assistentes virtuais da vida privada etc. A Revolução 4.0 é uma automatização completa, ou, em alguns casos, praticamente completa, da produção industrial. Ela está a caminho, mas possui dois desafios que têm que ser resolvidos e, ao que parece, ninguém tem uma resposta para eles: (a) uma associação precisa ser feita com uma internet diferente: a internet das coisas. E a infraestrutura está aquém do necessário, mas a internet das coisas e a indústria 4.0 são complementares. (b) A questão do desemprego industrial: de que adianta a produção ser totalmente automatizada e não existir consumo? Não haveria porque pessoas vão perder os seus empregos com a automação.

Uma possibilidade de resolver esse problema é a proposta de uma renda básica universal. Mas, neste caso, um dos valores importantes do capitalismo é atingido: o valor do trabalho. A Revolução 4.0 está sendo implementada, mas os dois desafios ainda estão sem uma solução direcionada. O capitalismo, sem dúvida, vai ter que se reinventar para continuar existindo.

IHU On-Line – De que forma a tecnologia realinha as ideias de indivíduo e coletivo? E como pensar num ator social em tempos em que a tecnologia assume centralidade?
Itamar Soares Veiga – O sociólogo francês Alain Touraine afirma que atualmente a sua concepção de sujeito diz respeito a um ator não-social. O problema não é o sujeito, nem o fato de ele ser também um ator, ou seja, de poder provocar transformações. O problema é o adjetivo “social”. Este está defasado e diz respeito mais à época moderna e início da época contemporânea (século XX) do que à época atual. Na época atual, vivemos em forma de “enxames” e não como “massas”, como diz Byung-Chul Han. Os enxames são mais voláteis, aparecem e desaparecem com rapidez, são caóticos e sem propósitos. As “massas” de outrora sempre possuíram uma homogeneidade e um propósito.

O coletivo de hoje é constituído destes enxames, de pessoas que podem se refugiar em um espelhamento narcísico com os seus smartphones. Somos átomos dispersos. O ator é atualizado, por Touraine, com o termo não-social. O ator deve provocar transformações no caos dos enxames, deve se tornar um sujeito e para isto ele deve se envolver com a tecnologia: não ser ingênuo, mas sim atento ao crescimento de seu conhecimento digital e ao percurso que seus dados digitais fazem em um mundo cibernético. Em outras palavras, o ator não-social deve poder acompanhar a ruína de sua própria privacidade, deve propor alternativas. Qualquer uma destas atitudes não é nada fácil nos dias de hoje.

IHU On-Line – Além da tecnologia, que outras perspectivas atravessam as discussões de hoje sobre o transumanismo?
Itamar Soares Veiga – A perspectiva ética é uma das mais importantes. Os processos de edição genética estão acontecendo (na China e nos EUA) e estudos de nanotecnologia são dependentes da tecnologia obtida. Esses dois campos não podem ser desprezados.

O que é necessário é iniciar ou aprofundar uma discussão ética. Uma discussão ética que deve ter como foco a espécie humana, porque esta espécie, independente da crença ou da filosofia erudita e metafísica que pratique, simplesmente está defrontando recursos tecnológicos para se automodificar. Além disso, a espécie humana está próxima de ter que conviver com uma outra espécie de vida inteligente: a Inteligência Artificial. Então, devemos aproveitar e criar oportunidades de reflexão: refletir eticamente estes novos tempos. Estar disposto para o debate e não ser ingênuo em desprezar a tecnologia. Em resumo, dois fatos marcantes se anunciam no horizonte: uma relação entre humanos não modificados e humanos modificados e uma relação entre a espécie humana e outras espécies inteligentes como a IA.

IHU On-Line – Na sua opinião, como os campos ligados a áreas tecnológicas encaram a Filosofia? Quais os desafios para estimular um pensamento crítico e completo que vá além dos tecnicismos?
Itamar Soares Veiga – Penso que as outras áreas de conhecimento possuem um interesse na Filosofia. Estes estudiosos estão cientes dos avanços e dos problemas éticos suscitados pela Big Data e pela Inteligência Artificial e outros recursos atuais. Um diálogo com a Filosofia pode ser algo que eles sentem como se fosse uma carência. Mas, se o filósofo nada sabe de tecnologia, nada sabe sobre dados e nem imagina como seja a linguagem de programação em geral, então o diálogo é muito prejudicado e muito difícil de ser iniciado.

Por isto, é importante que o filósofo esteja mais dentro da sua própria época e consiga perceber estas pontes entre as áreas do conhecimento. Com certeza, do outro lado de uma destas pontes está o pesquisador de uma outra área, o cientista de dados, o geneticista, o programador etc. Estão ansiosos por uma conversa humana, sobre consequências nos humanos, causadas pelo seu trabalho que ainda é humano. O desafio é instruir e criar oportunidades para que tal diálogo aconteça.■

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