Edição 520 | 23 Abril 2018

Cultura de verificação é um caminho para enfrentar as fake news

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Ricardo Machado | Edição: João Vitor Santos

Para Taís Seibt, o chamado fact-checking tensiona um aprimoramento da cobertura jornalística e abre caminhos para a necessidade de reflexão ao invés da reprodução automática de notícias

A chamada Revolução 4.0 se potencializa nas redes e, inevitavelmente, impacta também o campo de produção de conteúdo, especialmente o jornalismo. No mundo de hoje, a tecnologia realinha a velha lógica comunicacional de emissor e receptor, transformando todos no híbrido que une esses polos. E num ambiente em que todos podem dizer o que quiserem e levarem isso a circulação, as fake news germinam. Para a jornalista e mestra em Comunicação Taís Seibt, uma reação possível a esse fenômeno é o fact-checking, que não só supera as fake news como também confere um outro status ao produto do jornalismo. “Os processos de verificação e fact-checking vêm acompanhados de um método jornalístico mais transparente, que permite ao leitor escrutinar o processo de apuração, algo totalmente ausente da notícia em sua forma clássica”, explica.

Entretanto, é preciso ter clareza e não ver este como um problema estritamente da tecnologia. Ou seja, não é a invenção de uma máquina que vai resolver os dilemas das fake news. “O método de verificação é essencialmente humano, assim como o mecanismo que aciona a disseminação de informações falsas: somos nós que compartilhamos e, assim, ‘ensinamos’ o algoritmo a propagar tais conteúdos”, aponta.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Taís explica que “o fact-checking está mais ligado à checagem do discurso público em si, ou seja, à veracidade de declarações que influenciam a opinião pública, especialmente no debate político”. Por isso, crê que esse pode ser um caminho para que se crie uma cultura de verificação que vá além do jornalismo. “Mas isso é um processo bastante lento. A maioria das iniciativas de checagem mantêm projetos ligados ao que se poderia chamar de ‘alfabetização midiática’”, analisa.

Taís Seibt é jornalista, formada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos e mestra em Comunicação pela mesma instituição. Doutoranda em Comunicação e Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, atua como repórter independente. Seus estudos se centram na prática de fact-checking (checagem de fatos, em tradução livre) no Brasil. Atuou em assessorias de imprensa e em redações como as do jornal Zero Hora, Canal Rural, O Estado de S. Paulo e BBC Brasil.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – As chamadas fake news não são nenhuma novidade, afinal estiveram presentes nas sociedades, pelo menos, desde a Roma Antiga. Mas como poderíamos caracterizar o fenômeno contemporaneamente? O que há de novo?
Taís Seibt – Espalhar boatos para deslegitimar governantes ou oponentes políticos é uma estratégia histórica, e em momentos importantes da história da civilização ocidental os jornais foram instrumentos centrais nesse processo. Se pensarmos na Revolução Francesa , havia em Paris os canards , jornais de apelo bastante popular, recheados de ilustrações, mensagens chamativas e muitos boatos. Historiadores registram que esses jornais tiveram um papel importante para incitar o ódio à rainha Maria Antonieta , que acabou executada em 1793. Mas é preciso contextualizar bem esses dois momentos antes de compará-los.

No século XVIII, os jornais eram instrumentos de luta política. Não havia ainda a noção de notícia como um relato dos acontecimentos, não havia o compromisso jornalístico de buscar a verdade sobre os fatos. Isso vem com a Modernidade, entre o final do século XIX e início do século XX, com a consolidação das democracias e a garantia da liberdade de imprensa. No pós-guerra, quando se tornam evidentes os abusos da propaganda dos exércitos e a manipulação de informações sobre o que acontecia no front, os jornais assumem de vez o papel de fiscais do poder e de defesa do interesse público.

Há um contrato implícito com o leitor que pressupõe a credibilidade das informações publicadas no jornal, é um “contrato fiduciário”. Se está no jornal, é porque aconteceu, é verdade. É claro que houve distorções na história, e há no presente. Mas a verdade é um princípio jornalístico, e um erro de apuração não pode ser confundido com má-fé. Nas últimas três décadas, com o avanço das mídias digitais, houve uma forte fragmentação da vida pública, que afetou a credibilidade não só do jornalismo, mas de todas as instituições sociais. A globalização e o individualismo são polos de um mesmo fenômeno social caracterizado pela perda do sentido comum e também da noção sobre o que é verdade. É verdade o que me interessa, o que me convém.

Por isso, o que diferencia o fenômeno contemporâneo das fake news não é tanto o potencial de disseminação dessas informações, ou seja, a ampla e rápida circulação de conteúdos via redes digitais, mas sim a possibilidade de personalização dessas mensagens. A segmentação é uma característica da Internet, e os algoritmos das plataformas têm sido cada vez mais eficientes nisso. De início, soava positivo saber exatamente com que leitor estávamos conversando. Mas criou-se um mercado de desinformação em torno disso. Tornou-se lucrativo, tanto comercialmente quanto politicamente, criar, literalmente, realidades para públicos específicos com objetivos questionáveis. As informações não só são falsas, como são encomendadas para sustentar os sentidos desejados por um determinado público, de acordo com suas convicções, medos, expectativas. Isso alimenta teorias conspiratórias, faz crescer a desconfiança pública e pode ter efeitos sociais muito perversos.

IHU On-Line – Até que ponto categorias tipicamente modernas como “verdade”, “imparcialidade”, “objetividade” são capazes de dar conta da complexidade dos fenômenos comunicacionais contemporâneos? Que tipos de valores estão sendo construídos nas redes digitais e na circulação de conteúdos?
Taís Seibt – A resposta ao fenômeno contemporâneo passa pela recuperação desses valores, porém associados a outro valor: a transparência. O processo jornalístico moderno é tão opaco quanto a programação dos algoritmos das plataformas digitais: não há clareza sobre seus critérios e procedimentos. Se pensarmos na resposta jornalística às fake news, os processos de verificação e fact-checking vêm acompanhados de um método jornalístico mais transparente, que permite ao leitor escrutinar o processo de apuração, algo totalmente ausente da notícia em sua forma clássica. Com essa metodologia, recupera-se o sentido da verdade e da objetividade no jornalismo.

Já imparcialidade é um conceito mais delicado. Foi em nome de uma pretensa imparcialidade que o jornalismo, especialmente na cobertura política, ficou cada vez mais “declaratório”. Abre-se aspas e publica-se o que um disse e outro disse, mas quem está dizendo a verdade? Se há uma fonte falseando a opinião pública por meio da imprensa, qual o papel do jornalismo, afinal? Tenho me questionado sobre esses valores diante do fenômeno contemporâneo, e vejo na prática de verificação uma resposta possível. Mas precisa ser uma verificação com método, e um método transparente.

IHU On-Line – Muito do debate em torno das fake news, sobretudo para combatê-las, é pautado por uma perspectiva industrial de jornalismo. De que forma isso revela uma abordagem antropocêntrica sobre o fenômeno e como pensar isso nas sociedades tecnocientíficas permeadas por Inteligência Artificial, Internet das Coisas, learning machine etc?
Taís Seibt – Quando me consultam sobre como funciona o fact-checking, vejo que há uma expectativa de que eu revele alguma ferramenta tecnológica mágica que possibilite identificar se uma informação é verdadeira ou falsa. É claro que existem recursos maquínicos que auxiliam nesse processo, inclusive, iniciativas como Aos Fatos e Lupa estão desenvolvendo em parceria com Twitter e Facebook robôs de checagem para atuar contra fake news já nas próximas eleições. Mas o método de verificação é essencialmente humano, assim como o mecanismo que aciona a disseminação de informações falsas: somos nós que compartilhamos e, assim, “ensinamos” o algoritmo a propagar tais conteúdos.

Um recente estudo sobre fake news do Instituto de Tecnologia de Massachusetts - MIT, divulgado na revista Science, versa sobre isso. Alguns pesquisadores têm criticado a forma como eles divulgaram suas conclusões, pois, na verdade, o que eles identificaram é que notícias falsas mais “apelativas” (ou sensacionalistas) circulam muito mais e se espalham mais rápido do que notícias verdadeiras em geral. Se comparássemos o número de acessos de notícias sensacionalistas (verdadeiras) sobre celebridades, por exemplo, com notícias em geral teríamos um resultado parecido, provavelmente. Na minha experiência em redação, era notável que notícias desse tipo ficassem no topo das “mais lidas” e “mais compartilhadas”. Então, o que faz com que uma notícia falsa tenha um grande poder de viralização é justamente esse apelo exagerado à sensação – o sensacionalismo.

Entretanto, talvez a conclusão mais importante do estudo seja que os grandes responsáveis pela propagação de fake news são os seres humanos, não os robôs. Então a solução para freá-las também deve ser humana. Em uma entrevista para a revista Época , no ano passado, a matemática estadunidense Catherine O’Neil deixou claro que “não temos uma tecnologia de inteligência artificial que identifique verdades e mentiras” e que a melhor forma de combater fake news nas redes seria “criar processos e políticas editoriais transparentes para que profissionais humanos façam a seleção do conteúdo da melhor forma possível”. É claro que há um enorme ponto de interrogação aí, porque a capacidade humana de verificação é infinitamente menor do que a programação algorítmica (matemática) de disseminar informação. De toda forma, uma visão mais antropocêntrica do fenômeno tende a ter efeitos sociais mais benéficos. A tecnologia não resolve tudo.

IHU On-Line – Como o escândalo do Facebook e da Cambridge Analytica jogam luz sobre o papel dos algoritmos digitais como mediadores sociais de informação? Estamos diante de desafios de que ordem?
Taís Seibt – O ex-funcionário da empresa que vazou as informações para a imprensa disse, em uma entrevista para o El País , que o Brexit não teria acontecido sem a atuação da Cambridge Analytica. Isso é muito preocupante. Tenho a impressão de que ainda não temos a real dimensão do impacto que essas plataformas podem ter no debate público e, para além do debate, na definição dos rumos da sociedade propriamente ditos.

Nessa entrevista, há uma leitura que este ex-funcionário faz sobre o fenômeno que me parece bem contundente. Ele fala sobre a criação de uma realidade sob medida para as convicções de cada um. Como cada timeline é uma bolha, porque o algoritmo não entende o sentido da pluralidade, mostra apenas aquilo que nos agrada, as pessoas ficam condicionadas a um tipo de discurso. Quando veem o noticiário na televisão ou em um site jornalístico convencional e não encontram eco àquele discurso, isso alimenta ideias conspiratórias. A perda de credibilidade do jornalismo tradicional nas últimas décadas passa muito por isso. Mas quem, afinal, está criando (ou falseando) realidades? E com que objetivos?

IHU On-Line – Existem dados quantitativos sobre a circulação de notícias em aplicativos como WhatsApp? Dado que se trata de um ambiente relativamente novo de circulação de conteúdos, como o fact-checking pode contribuir para reduzir a problemática em torno das fake news?
Taís Seibt – Uma pesquisa recente do Instituto Reuters mostra um crescimento de 15% no consumo de notícias via WhatsApp e queda de 12% para consumo de notícias via Facebook. Uma das razões para isso, segundo os pesquisadores, é que no WhatsApp, por ser uma rede privada, o usuário se relaciona apenas com amigos e familiares. Isso reduziria constrangimentos por compartilhar certos conteúdos e aumentaria a confiança do usuário nas mensagens que recebe, porque ele acredita nos amigos e familiares – mais do que na mídia.

Se pensarmos na mudança de algoritmo que o Facebook anunciou no começo do ano (e levou a Folha a sair da rede), a explicação do Reuters tem lógica. O Facebook resolveu priorizar informações de amigos e desidratar páginas, com a justificativa de frear a disseminação de fake news. Não parece que está tudo ao contrário? Todo mundo tem um grupo da família ou da academia no WhatsApp que é um repositório imenso de fake news. Não faz o menor sentido dar mais crédito à informação de um parente do que a uma notícia apurada por um jornalista. É mais uma das distorções do fenômeno contemporâneo que corrói a confiança social.

O fact-checking tenta responder a isso, reposicionando o próprio jornalismo, por meio da verificação. Correntes de WhatsApp são checadas frequentemente, porém há uma outra nomenclatura usada para caracterizar essa prática de desbancar boatos: debunking. O método e o objetivo do debunking é um pouco diferente do fact-checking. No Brasil, temos o Boatos.org e o E-farsas , que são especialistas nisso. O fact-checking está mais ligado à checagem do discurso público em si, ou seja, a veracidade de declarações que influenciam a opinião pública, especialmente no debate político. Para isso, há um método de apuração que segue um código de princípios compartilhado internacionalmente. As iniciativas mais consolidadas no Brasil são o Truco , o Aos Fatos e a Lupa, mas há outras espalhadas em veículos de referência ou mídias locais, como o Filtro , recém criado para fazer checagens com foco no Rio Grande do Sul.

IHU On-Line – Como as iniciativas de fact-checking podem contribuir no atual contexto brasileiro, especialmente em um ano eleitoral? E para o jornalismo, qual sua contribuição?
Taís Seibt – O fact-checking surgiu nos Estados Unidos como uma espécie de resposta ao jornalismo “declaratório”. Havia uma insatisfação dos jornalistas com a cobertura política baseada no “ele disse”, “ela disse”. O fact-checking estabelece uma crítica a esse modelo de cobertura. Nesse sentido, diz mais sobre como se faz jornalismo do que sobre como se faz política, porque a mentira, a distorção faz parte da estratégia política historicamente, como já mencionamos. Mas o jornalismo tem compromisso com a verdade. Já nos anos 1990, a imprensa estadunidense começou a prestar atenção nas imprecisões do presidente Ronald Reagan em seus pronunciamentos. O The Washington Post passou a publicar barras laterais na edição, chamadas de “truth boxes” (caixas da verdade), questionando dados do presidente. Na campanha eleitoral de 1992, a CNN colocou no ar um quadro em que Brooks Jackson confrontava declarações dos candidatos.

Isso está documentado no trabalho de Lucas Graves , que escreveu sua tese de doutorado, defendida em 2013 na Universidade Columbia, sobre fact-checking. Com o crescimento da web, essa prática encontrou espaço para “amadurecer” e hoje já conta com uma rede internacional, a International Fact-checking Network - IFCN , que tem um código de princípios compartilhado, realiza encontros anuais e promove tanto a prática quanto a reflexão sobre ela. Graves considera o fact-checking um movimento de reforma do jornalismo, e uma reforma que parte de um princípio fundamental da ideologia profissional: a objetividade. O método de verificação é um método para a objetividade do discurso jornalístico – não do jornalista, são coisas diferentes. Isso já estava presente enquanto conceito em outros estudos, como o trabalho de Bill Kovach e Tom Rosenstiel , Os Elementos do Jornalismo, que, no início dos anos 2000, já destacava a verificação como um elemento central e diferencial do jornalismo em relação a outros discursos, como a arte e a própria política.

O que o fact-checking faz é alçar procedimentos de apuração ao patamar de produto final, criando um tipo específico de discurso jornalístico, que é complementar à cobertura tradicional, ainda que seu método possa ser replicado em quaisquer outros formatos. Para o jornalismo, isso é uma oportunidade de recuperar sua identidade e seu valor nas sociedades democráticas. Para a sociedade, especialmente em ano eleitoral, isso significa mais informação qualificada no debate público, elemento fundamental para a tomada de decisão. Quando escolhemos em quem votar, estamos escolhendo em quem confiar. É preciso confiar, primeiro, no que dizem nossos representantes. Nesse sentido, vejo o fact-checking como um benefício não só para a mídia, mas para o processo democrático de forma mais ampla.

IHU On-Line – Como toda essa dinâmica das fake news produz uma nova economia política da comunicação? De que forma isso impacta nos processos democráticos?
Taís Seibt – Eu não diria que as fake news produzem uma nova economia política da comunicação, mas sim que elas se beneficiam de uma nova economia política da comunicação: a economia das plataformas digitais. Quando a circulação do conteúdo passa para o domínio dessas plataformas, toda a dinâmica do mercado de mídia se altera. A começar pela destinação dos recursos publicitários, principal fonte de financiamento da indústria jornalística durante o século XX. Quando essa receita passa a ser administrada pelas plataformas e elas se transformam na principal fonte de informação dos leitores, o modelo de negócio da mídia tradicional entra em colapso.

A resposta inicial do mercado foi apostar nas chamadas matérias “caça-clique”, o que de alguma maneira acabou contribuindo para essa cultura apelativa de consumo de informação nas redes, que hoje repercute na disseminação de fake news. O problema é que essa cultura não se restringe ao entretenimento e avança cada vez mais profundamente na política. Isso pode ter um impacto perverso nos processos democráticos. Em tese, informação de qualidade ajuda os cidadãos a tomar melhores decisões, porque permite um conhecimento mais amplo da realidade. Quando temos uma visão de mundo restrita, pela contaminação do discurso público com conteúdos encomendados e que falseiam propositalmente a realidade, é bem provável que nossas decisões não serão as melhores.

IHU On-Line – Como combater a produção das fake news sem escorregar na censura?
Taís Seibt – A melhor alternativa, e a que vem sendo há muito tempo defendida por pesquisadores nos Estados Unidos, que estão mais próximos do Vale do Silício, seria as plataformas assumirem compromissos editoriais. Só que elas têm se esquivado disso, alegando que são apenas um canal de distribuição e, por isso, não têm responsabilidade sobre os conteúdos. Está cada vez mais claro que não é bem assim, mas não há uma regulamentação sobre as reais responsabilidades das plataformas. E isso é benéfico para o modelo de negócio dessas empresas, que afinal lucram com o compartilhamento de conteúdos, sejam eles falsos ou verdadeiros. Então não há interesse nessa discussão.

Mas medidas legais também são delicadas. Se a regulação do que é verdadeiro ou falso ficar a cargo de um órgão governamental, por exemplo, quais as possíveis consequências disso? Especialmente se pensarmos no debate político, isso é um problema. Mesmo havendo previsão de sanções legais para o compartilhamento de informações falsas, como um juiz poderá deliberar sobre isso? Com base em que elementos? No caso envolvendo a vereadora Marielle Franco, que, depois de ser assassinada violentamente no Rio de Janeiro, foi vítima de ataques à sua imagem nas redes sociais, páginas que disseminaram fake news sobre ela foram responsabilizadas e até retiradas do ar. Mas veja só, o conteúdo foi desbancado por iniciativas de fact-checking antes de chegar à Justiça (os sites Aos Fatos e Boatos.org fizeram a verificação).

Diante do desinteresse das plataformas em assumir compromissos editoriais e dos riscos de uma regulação governamental que possa descambar para a censura, o caminho que resta ainda é criar uma cultura de verificação, mas isso é um processo bastante lento. A maioria das iniciativas de checagem mantêm projetos ligados ao que se poderia chamar de “alfabetização midiática”. O Truco e o Aos Fatos têm trabalhado na tradução de guias sobre verificação e combate a fake news produzidos pela IFCN, estão todos disponíveis on-line. A Lupa mantém diversas ações através do Lupa Educação. No Filtro, todas as recompensas da nossa campanha de financiamento coletivo incluem um tipo de contrapartida social, com foco na disseminação de informação contra fake news. A visibilidade que o debate sobre esse tema está ganhando é uma oportunidade para se preencher esses espaços e, quem sabe, impulsionar uma tomada de consciência. ■

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