Edição 517 | 18 Dezembro 2017

Dos Meios à Midiatização. Um Conceito em Evolução

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Em seu último livro, Dos Meios à Midiatização. Um Conceito em Evolução (São Leopoldo: Unisinos, 2017), publicado em português e inglês, o Prof. Dr. Pedro Gilberto Gomes evidencia a trajetória percorrida pela pesquisa em comunicação, do funcionalismo norte-americano, passando pela visão de uma sociedade dos meios, até a concepção de uma sociedade em midiatização. Apresenta a manifestação de processo que resulta em uma ambiência capaz de constituir um novo modo de ser no mundo.

Knut Lundby, professor Departamento de Mídia e Comunicação, Universidade de Oslo, na Noruega, elogia a obra, a começar pelo título que “que brinca com Dos meios às mediações, de Martin-Barbero ”. Para ele, Gomes, “leva o pensamento latino-americano um passo além, à 'midiatização'”. “Explica muito bem os 'processos midiáticos' na sociedade midiática, definindo-os como não mais do que um passo rumo a uma ‘sociedade da midiatização’ em toda sua complexidade. Gosto deste último termo, que é incomum na pesquisa sobre midiatização, que geralmente fala de 'midiatização da sociedade'. Ele convida o leitor a contemplar a abrangência dos processos de midiatização nas sociedades modernas, de forma semelhante ao termo 'midiatização profunda', de Couldry & Hepp. Gosto do fato de trazer as consequências da presença da mediatização 'no mundo'”, acrescenta o professor.

Entretanto, Lundby também apresenta uma visão crítica à obra de Gomes. “Não entendo a referência a Teilhard de Chardin . Embora seja tentador ver o recente desenvolvimento em mídia digital e social a partir de sua perspectiva, penso que fica muito especulativo. Este tipo de grande pensamento evolutivo torna-se muito harmonioso e ignora as divisões e as lutas de poder sobre os recursos e os interesses no mundo. Isto, para mim, reverbera em seu conceito de midiatização como algo abrangente demais. Acho que um argumento mais específico dentro da ideia de ‘sociedade na midiatização' seria mais positivo”, pontua.

Göran Bolin, professor do Departamento de Mídia & Estudos de Comunicação da Södertörn University, na Suécia, vê na obra de Gomes uma possibilidade de aprender formas novas e alternativas de se relacionar com os processos de comunicação e de mídias atuais. “Compartilho totalmente da sua abordagem da análise da paisagem midiática (como geralmente me refiro à totalidade da mídia e da infraestrutura da comunicação e a conteúdos que nos rodeiam) e também acho que se trata de uma parte central do processo de midiatização ou, talvez, dos processos ‘midiáticos’ a que se refere. Ainda tenho dificuldades para entender as fronteiras entre ‘midiatização’, ‘mediação’ e ‘o midiático’, mas estou trabalhando para encontrar uma forma proveitosa de compreender”, analisa.

Sobre ás diferentes metáforas para designar a totalidade da mídia, revela sua preferência pelo conceito de “paisagem midiática”. “Pois paisagem indica algo socialmente construído – um tipo de estrutura estruturada (em diálogo com Pierre Bourdieu ) que define quadros estruturais para a ação social (como a interpretação de paisagens e textos que circulam dentro deles), mas que também são, até certo ponto, flexíveis e podem ser modificados na ação social, por atores individuais e institucionais. Fazendo uma analogia com um jardim ou um parque, um arquiteto paisagista planeja um jardim com cercas, caminhos, lagos etc., e todas estas formas privilegiam certas maneiras de circular pela paisagem (caminhando, pedalando, correndo), mas não determinam o movimento. Às vezes as pessoas pegam atalhos por cima da grama e fazem uma trilha que, depois de um tempo, pode ser a rota estabelecida naquela paisagem”, explica.

Bolin ainda elogia a inclusão das perspectivas de Egar Morin e sua teoria da complexidade nessa análise à cerca das mídias. “E eu também estava abordando questões semelhantes num livro para o qual eu e Andreas ajudamos a escrever um capítulo”, acrescenta. E finaliza: “Também gosto muito da forma como discute ‘relacionalmente’ e das conexões e nós da comunicação. Também é possível discutir várias dimensões da temporalidade em relação a isso (como as relações entre tempo linear, tempo cíclico e tempo pontual que são discutidas, por exemplo, na teoria antropológica). Benjamin também trabalha com diferentes temporalidades, e acho que pode ser proveitoso para discutir o processo de midiatização em relação às suas ideias na história e como a história ressurge (em vez de haver um desenvolvimento linear)”.■

 

Ficha Técnica
Título: Dos Meios à Midiatização - Um conceito em evolução
Autor: Pedro Gilberto Gomes
Referência: São Leopoldo, RS: Unisinos, 2017.

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