Edição 517 | 18 Dezembro 2017

Carolina Maria de Jesus

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Carolina Maria de Jesus, filha de pais negros e analfabetos, nasceu em Minas Gerais, em 1914, tendo se mudado para São Paulo na segunda metade dos anos 1940. Estabeleceu-se na Favela do Canindé, em 1947, quando surgiam os primeiros conglomerados marginalizados na ainda tímida metrópole. Ainda no interior mineiro, entre os sete e oito anos frequentou a escola, onde aprendeu a ler e escrever e onde desenvolveu o gosto pela literatura. Durante o período em que trabalhou como empregada doméstica na casa de um médico paulista, utilizava as horas de folga para ler obras da biblioteca de seu patrão.

Foto: Wikipédia

O gosto pelas letras rendeu a escritura de seus diários em mais de 20 cadernos encontrados nos lixos em que recolhia material reciclado para vender e ter uma renda. Essa foi a atividade principal de Carolina Maria de Jesus a partir de 1948, quando, grávida de seu primeiro filho, passou a trabalhar como catadora. Sua obra mais conhecida, Quarto de Despejo (São Paulo: Editora Veneta, 2016), foi publicada em 1960, dois anos depois de Carolina ser descoberta pelo jornalista Audálio Dantas. O livro, que retoma os manuscritos de uma das maiores escritoras negras do Brasil, atingiu a cifra de 100 mil exemplares e foi traduzido para 13 idiomas, sendo vendido em mais de 40 países. A escritora ainda publicou outras três obras em vida: Casa de Alvenaria (1961), Pedaços de Fome (1963) e Provérbios (1963). Os livros Diário de Bitita (1982), Meu Estranho Diário (1996), Antologia Pessoal (1996) e Onde Estaes Felicidade (2014) foram publicados após sua morte.

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