Edição 503 | 24 Abril 2017

Populorum progressio, a Encíclica da Ressurreição

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Patrícia Facin

Carlos Josaphat considera que o documento apostólico assinado por Paulo VI coroou “o progresso crescente da consciência social da Igreja”

Populorum progressio foi publicada há 50 anos, durante o pontificado do Papa Paulo VI. Reconhecida por ter chamado a atenção para o desenvolvimento dos povos, a Populorum progressio proclamou a “necessidade” de que o desenvolvimento fosse “um desenvolvimento integral de todo o ser humano, e um desenvolvimento universal, para todos os seres humanos, para todas as pessoas, as famílias, as profissões, as classes e instâncias sociais. O destaque é dado aos pobres, aos marginalizados entre os indivíduos e categorias sociais”, explica Frei Carlos Josaphat. Além disso, esclarece, a “encíclica proclamava a urgente necessidade da teologia, da pastoral, da ação plena e universalmente libertadoras”.

Na avaliação de Frei Josaphat, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, a Populorum progressio é ainda “mais atual hoje, dado que o colonialismo escravocrata se universalizou sobre no plano internacional”. O que ela denunciou no sistema geral do desenvolvimento, avalia, “se agravou com o acúmulo das injustiças e opressões institucionalizadas: na comunicação, na educação, inserindo a mentalidade da vantagem do maior enriquecimento dos poderosos e a aceitação das migas que caem das mesas deles para o conjunto da população pacificada pela ideologia da necessária concentração da riqueza e do poder”. Nos dias de hoje, sugere, a Populorum progressio pode ser vista como a “encíclica da ressurreição”, justamente porque ela “calha bem mesmo nesta nossa revolução na Páscoa de 2017”.

Frei Carlos Josaphat, mineiro, é teólogo dominicano, professor emérito da Universidade de Friburgo, Suíça, e Dr. Honoris Causa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. Estudioso da obra de Tomás de Aquino, comentou as questões sobre a Justiça da Suma Teológica e, ao longo dos seus 95 anos, publicou diversas obras, entre elas Vaticano II, a Igreja aposta no amor universal (com a colaboração de Lilian Contreira. Ed. Paulinas. São Paulo. 2013), Evangelho e Revolução Social (São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1962); Tomás de Aquino e Paulo Freire. Pioneiros da inteligência, mestres geniais da educação nas viradas da história (São Paulo: Paulus, 2016).

A entrevista foi publicada nas Notícias do Dia de 17-4-2017, no sítio do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Em que contexto histórico e da trajetória da Igreja foi elaborada e publicada a Populorum progressio, pelo papa Paulo VI, e qual foi a novidade dessa encíclica para a sua época? Por que ele decidiu escrever essa encíclica e dar-lhe o direcionamento que foi dado?

Frei Carlos Josaphat - O pontificado de Paulo VI (1963-1978) é marcado, sobretudo, pelo Concílio Vaticano II, que o Papa orientou de maneira discreta, jeitosa, mas muito inteligente e eficaz. Três grandes documentos sociais nos vieram de Paulo VI. Dois pessoais: o primeiro é a encíclica Populorum progressio, "Sobre o desenvolvimento dos povos” (1967), na qual colaborou o padre Lebret , e que é o documento, vindo de Roma, mais voltado para os problemas do terceiro mundo. O segundo documento é a Carta Apostólica Octogesima adveniens, que comemora o 80º aniversário da Rerum novarum (1971) . É o texto do Magistério que insiste sobre o caráter operacional da doutrina social. Dá à iniciativa e ao discernimento das comunidades e dos fiéis o seu verdadeiro lugar, isto é: o primeiro. O terceiro documento, no mesmo ano de 1971, emanava do Sínodo dos Bispos, sobre a "Justiça no mundo." Era publicado imediatamente sem retoques por parte da Cúria Romana. É uma mensagem calorosa, visando conduzir à prática, em contraste estimulante com os textos redigidos sem olhar para o povo.

Promulgada um ano e três meses após o fim do Concílio, a encíclica coroa o progresso crescente de consciência social da Igreja, que o Vaticano II recebeu de João XXIII e da ação de Paulo VI. Nos últimos meses da elaboração da Constituição Pastoral Gaudium et Spes , a maioria dos padres conciliares mostravam-se desejosos de produzir textos mais práticos visando os continentes menos desenvolvidos e em parte ainda (mal) colonizados. Paulo VI acolheu os desejos e mesmo as queixas dos bispos mais abertos ao social, sobretudo dos bispos da América Latina. Prometeu vir e veio à Conferência episcopal da América Latina (de Medellín) . E antes disso, promulga a encíclica, encarando, esclarecendo e orientando o “progresso dos Povos”.

IHU On-Line - E qual foi a recepção dessa encíclica na Igreja em geral e especialmente na Igreja brasileira? O senhor ainda estava no Brasil à época ou já estava no exterior? Que memórias têm acerca da repercussão da encíclica tanto na Igreja brasileira quanto nas Igrejas no exterior?

Frei Carlos Josaphat - Quase se diria que foi acolhida como o melhor do Sumo Pontífice, prolongando o melhor do Concílio. Foi bem aceita no Brasil e na América Latina, inspirando os encontros e documentos dos Pastores. Estimulou as atividades das associações renovadoras tais como as Campanhas da Fraternidade, que já datavam de 1964.

Desde finais de 1963, os preparadores do golpe de 64 me “convidaram” a deixar o Brasil, pois eu trabalhava para impedir o envolvimento da Igreja nesse carnaval militar. Passei a ter uma orientação direta do padre Chenu e acompanhei com imensa felicidade e bem de perto a marcha desse maior carisma eclesial, Vaticano II. Em janeiro de 1966 (aliás, sem poder voltar à “Pátria amada”), passei a ensinar na Universidade de Friburgo, aí permanecendo por 27 anos. Na Europa, especialmente na Suíça, este documento e o conjunto do Vaticano II poderiam ter tido recepção melhor e mais pronta. Lá estavam os adversários do Concílio tentando embargar a ação conciliar renovadora. É uma lição negativa, mas preciosa.

IHU On-Line - Diz-se que um dos principais inspiradores indiretos da encíclica foi Louis Joseph Lebret. Quais pensamentos ou que visão de mundo tida por Lebret influenciaram a elaboração da encíclica e a definição de seu conteúdo?

Frei Carlos Josaphat - Sim. O querido padre Lebret participou na redação da encíclica como tinha participado na elaboração da II Parte da Constituição conciliar Gaudium et Spes. Fundador do Movimento Economia e Humanismo, era o maior conhecedor da ética social, econômica e política. Ele foi inspirado por uma visão tomista realista e por uma capacidade de consultar os mestres da tecnologia. Passei com ele os momentos dolorosos de sua última enfermidade, em julho de 1966. Acabrunhado de dores, orava e agradecia ao Pai pela felicidade de ter participado do Concílio e da marcha da Igreja. Era um cientista e um místico. E em momento de delírio, na terrível doença que o levou, eu o escutei agradecer a Deus: “Obrigado, meu Deus. A encíclica está pronta”. Quando saiu do delírio, que tinha algo de um êxtase, perguntei-lhe por essa encíclica que já estaria pronta. Ele me repreendeu e ordenou que mão falasse nisso. Uns meses depois, eu reconheci que a encíclica era a Populorum progressio. Fato muito raro, no início da encíclica (Populorum Progressio, n. 14) o Papa se refere a Lebret como “eminente especialista”, e tem em Lebret o inspirador do essencial da encíclica

IHU On-Line - As ideias de Marie-Dominique Chenu também influenciaram particularmente Paulo VI na elaboração da encíclica?

Frei Carlos Josaphat - Não há, na encíclica, uma utilização direta de textos ou de doutrinas peculiares a Chenu. Este Mestre faz parte da equipe de teólogos que prepararam e depois ajudaram a elaborar a mensagem pré-conciliar, conciliar e pós-conciliar. Como se dirá na resposta à questão seguinte.

IHU On-Line - De modo geral, qual foi a participação, a importância e a influência dos dominicanos no processo de elaboração da encíclica?

Frei Carlos Josaphat - Convém situar a questão e a resposta no contexto pentecostal que animou toda a Igreja nesse carisma comunitário, o Concílio, dele fazendo uma Jerusalém universal, resultando de uma colegialidade de crismas. Jesuítas, franciscanos, beneditinos, dominicanos, tantas instituições universitárias, acadêmicas, muitíssimas comunidades de base, movimentos renovadores, litúrgicos, ecumênicos, pastorais, de empenho e lutas sociais, surgiam e marchavam, sem saber, mas conduzidos pelo Espírito para o aggiornamento que Ele inspirava a João XXIII. Os dominicanos entraram nessa caminhada de sabedoria, com eminentes teólogos, Congar , Chenu, Schillebeeckx e todos os outros competentes e mesmo especialistas em vários ramos, como acontecia às diferentes famílias religiosas.

Aos adversários da renovação e reforma da Igreja, eles apareciam como perigosos inventores da “Nova Teologia”. O grande teólogo conservador Garrigou Lagrange lançava o grito de alarme: “La Théologie Nouvelle où va-t-elle” (Para onde vai a Nova Teologia?). Em 1967, quando a Universidade de Friburgo (Suíça) conferia o título de doutor honoris causa ao padre Congar, em momento de efusão, lançou-se o diálogo irônico:

Congar despertava o entusiasmo das centenas de jovens estudantes. Mas os velhos conservadores tentavam boicotar a festa, com alarme de bomba no recinto da conferência do Mestre, que simbolizava a renovação teológica, pastoral, social de seus irmãos dominicanos e de toda a fraternidade em busca da verdadeira “nova teologia”, da nova Igreja e de um mundo novo.

IHU On-Line - Quais são os temas mais fundamentais da Populorum progressio e de que modo eles ainda ecoam hoje?

Frei Carlos Josaphat - Sintetizando ao máximo, se poderia responder que a encíclica destacava a realidade do desenvolvimento, em marcha na história e no mundo, proclamando a necessidade de que ele seja um desenvolvimento integral de todo o ser humano, e um desenvolvimento universal, para todos os seres humanos, para todas as pessoas, as famílias, as profissões, as classes e instâncias sociais. O destaque é dado aos pobres, aos marginalizados entre os indivíduos e categorias sociais. A intenção do Papa e dos Bispos que solicitavam sua intervenção era fazer com que o concílio fosse como uma onda de Misericórdia divina e reparasse a desgraça do colonialismo, que desde a aurora do mundo moderno, com os descobrimentos e assalto da cristandade sobre o hemisfério sul, espalhou a injustiça constitucionalizada entre as nações. A Encíclica proclamava a urgente necessidade da teologia, da pastoral, da ação plena e universalmente libertadoras. Ela é mais atual hoje, dado que o colonialismo escravocrata se universalizou sobre o plano internacional.

IHU On-Line - Cinquenta anos depois da publicação da Populorum progressio, em que aspectos ela ainda é atual para nossos dias?

Frei Carlos Josaphat - A encíclica é mais atual hoje por esta razão universal. O que ela denunciou na marcha, no sistema geral do desenvolvimento, se agravou com o acúmulo das injustiças e opressões institucionalizadas: na comunicação, na educação, inserindo a mentalidade da vantagem do maior enriquecimento dos poderosos e a aceitação das migalhas que caem das mesas deles para o conjunto da população pacificada pela ideologia da necessária concentração da riqueza e do poder.

IHU On-Line - Essa encíclica tem sido atualizada pelo pontificado de Francisco?

Frei Carlos Josaphat - Papa Francisco é a grande surpresa que renovou e atualizou a surpresa com que o Espírito Santo enriqueceu e alegrou a Igreja, dando-lhe o Pastor do sorriso e da coragem, São João XXIII, e parece bem, insistir, com a maior das simplicidades. O papa Francisco assume e intensifica a docilidade ao Espírito de Amor Universal, que leva a querer todo e o melhor bem para todos, mesmo àqueles que o rigorismo inquisitorial aponta como os maus, os adversários da Igreja hierárquica, da Igreja da ortodoxia, ainda que esta seja imposta à força da forca ou da fogueira. Francisco propõe o melhor da melhor maneira, buscando viver e difundir a pobreza e a misericórdia do Evangelho. Nossa Esperança há de ser total porque a Igreja se vê felizmente desafiada a ser e difundir o que ela é, o dom da comunhão na graça e no amor da Comunhão Trinitária do Amor Infinito e Universal.

IHU On-Line - Como o senhor tem percebido o nosso mundo e o Brasil em particular nos últimos anos? As orientações da Populorum progressio geraram efeitos positivos ao longo desses 50 anos?

Frei Carlos Josaphat - Com toda simplicidade, a Igreja vive o momento supremo da Verdade do seu ser, que é a comunhão de amor anunciando ao mundo a Felicidade do Amor, num clima de Esperança apocalíptica. Pois os monstros frios, os sistemas sem alma e sem condescendência com mãos fortes, com ciência e arte, com a mais eficaz tecnologia, não estão conduzindo aquele desenvolvimento que a encíclica e, mais ainda, a mensagem e atitude de Francisco proclamam que deve ser plena e universalmente humano.

“Populorum progressio, encíclica da ressurreição”. As aspas indicam o título de um estudo do economista francês, François Perroux, colaborador constante nos projetos do padre Lebret e seu assessor principal na elaboração da II Parte da Constituição conciliar Gaudium et Spes. Este seu artigo destaca a inspiração evangélica e teológica da encíclica e testemunha o empenho de difundir logo todo conteúdo e a nova visão conciliar. Tal foi a atitude inteligente e corajosa das Editoras Vozes, franciscana, e Éditions du Cerf, dominicana, de Paris. “Encíclica da Ressurreição”, a visão de fé do economista cristão, que calejou as mãos na tarefa conciliar. Ela calha bem mesmo nesta nossa revolução na Páscoa de 2017.■

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