Edição 503 | 24 Abril 2017

Editorial - A ‘uberização’ e as encruzilhadas do mundo do trabalho

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A Revolução 4.0, a internet das coisas, a inteligência artificial e a impressão 3D já impactam e cada vez mais abalarão os fundamentos da organização do mundo do trabalho na contemporaneidade. Esta grande mutação significará um avanço civilizatório ou radicalizará a barbárie?

A revista IHU On-Line, por ocasião do 1º de Maio, Dia dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, debate o tema no contexto das discussões que o Instituto Humanitas Unisinos – IHU tem promovido constantemente na sua página eletrônica, nas suas publicações, nos seus eventos, no curso EAD que iniciará proximamente e no ObservaSinos. O debate assume maior urgência e densidade no momento em que o Brasil vive um momento de regressão civilizatória claramente delineada na proposta governamental da reforma previdenciária e da reforma trabalhista, tendo como palavras de ordem flexibilização, precarização e terceirização, que objetivam devastar o campo dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Contribuem com o debate Andrea Fumagalli, economista, professor e pesquisador da Universidade de Pavia, na Itália, que explica como a vida, em sua totalidade, transformou-se em uma usina de produção ininterrupta de mais-valia. Jamie Woodcock, doutor em Sociologia pela Universidade de Londres, aborda as possibilidades de se pensar um tipo de flexibilização que beneficie os trabalhadores. Ludmila Costhek Abílio, doutora em Ciências Sociais pela Unicamp e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho – Cesit, analisa as relações entre trabalho, tecnologia e precarização. O professor Ricardo Antunes, doutor em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo – USP, analisa como o trabalho se subordinou ao capital financeiro, criando uma morfologia totalmente nova e marcada pelo retrocesso. José Dari Krein, doutor em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp, onde atualmente é professor no Cesit, analisa uma das principais questões em jogo no Brasil atual: as terceirizações.

Josué Pereira da Silva, doutor em Sociologia pela New School for Social Research, de Nova York, e professor na Unicamp, discute como as transformações do mundo do trabalho tornaram a renda básica universal uma política necessária. “A renda básica universal, enquanto política social, pode beneficiar principalmente a população em condições de pobreza, mas pode beneficiar também os trabalhadores que aparentemente não precisam de uma renda desse tipo”, pondera.
Um exemplo dramático da barbárie brasileira é a situação de marginalização, exclusão e morte a que são submetidos os povos indígenas. Não por nada, Martírio é o título do importante e imprescindível documentário de Vincent Carelli que precisa ser visto e ampla e exaustivamente debatido. Fernando Del Corona, crítico de cinema, comenta o filme nesta edição.

Por ocasião dos 50 anos da encíclica Populorum Progressio, de Paulo VI, de amplo impacto, especialmente na América Latina, republicamos a entrevista com Carlos Josaphat, frade dominicano, sob o sugestivo título Encíclica da Ressurreição.

Também podem ser conferidas as entrevistas com Moysés Pinto Neto, mestre em Direito e doutor em Filosofia, propondo transformar "os muros do condomínio esquerdista em pontes de diálogo pragmático com a maioria inconformada com o mundo como está", com Kathrin Rosenfield, professora e pesquisadora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, que descreve a importância e o legado da literatura de Guimarães Rosa, com Guido Liguori, autor do recém publicado Dicionário Gramsciano, e o artigo A guerra e o uso do poder militar no subcomplexo de segurança do Levante no Pós-11 de setembro, de Carla A. R. Holand Mello.

A todas e a todos, uma boa leitura e uma excelente semana.

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