Edição 498 | 28 Novembro 2016

Raízes do Brasil

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De autoria do historiador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda, o livro Raízes do Brasil foi publicado originalmente pela Editora José Olympio em 1936. O próprio autor vai submetendo o livro a revisões que dão origem a novas edições. A primeira revisão, de 1948, é a que traz mais modificações ao texto original. A última mudança, aprovada por Holanda, foi em 1969. O livro também foi traduzido e editado em italiano (1954), espanhol (1955) e japonês (1971, 1976), bem como em alemão e em francês.

Raízes do Brasil aborda aspectos centrais da história da cultura brasileira. O texto consiste em uma macrointerpretação do processo de formação da sociedade brasileira. A tese central é a de que o legado personalista da experiência colonial constituía um obstáculo, a ser vencido, para o estabelecimento da democracia política no Brasil. Destaca, nesse sentido, a importância do legado cultural da colonização portuguesa no Brasil e a dinâmica dos arranjos e adaptações que marcaram as transferências culturais de Portugal para a sua colônia americana.

O autor, com sua capacidade de se referir com grandeza de detalhes às relações que os habitantes de épocas diversas do Brasil tinham entre si e com o meio, tenta mostrar as transformações (ou continuações) das subjetividades desde o período colonial até a época da publicação do livro.

Como parte das celebrações dos 80 anos da primeira publicação, agora em 2016, a editora Companhia das Letras preparou uma nova edição comentada da obra. Além de recuperar a célebre apresentação de Antonio Candido, que toma o livro como "um clássico de nascença", a edição busca reconstituir os passos de Holanda no processo de revisão a que se submete seu texto.

Quem foi Sérgio Buarque de Holanda

Historiador brasileiro, também crítico literário, jornalista e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores – PT, nasceu em São Paulo em 11 de julho de 1902. Faleceu em abril de 1982. Viveu e estudou em São Paulo até 1921, quando se muda com a família para o Rio de Janeiro. Lá, participou do movimento Modernista de 1922 em meio a figuras como Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atuou como jornalista no Jornal do Brasil, seguindo para Berlim, como correspondente, nos anos 1929-1931.

De volta ao Brasil no começo dos anos 30, continuou a trabalhar como jornalista. Em 1936, obteve o cargo de professor assistente na Universidade do Distrito Federal. Neste mesmo ano, casou-se com Maria Amélia de Carvalho Cesário Alvim, com quem teve sete filhos: Sérgio, Álvaro, Maria do Carmo, além dos músicos Ana de Hollanda, Cristina Buarque, Heloísa Maria, a Miúcha, e Chico Buarque.

Em 1946, voltou a residir em São Paulo, para assumir a direção do Museu Paulista, cargo que ocuparia até 1956. Em 1948, passou a lecionar na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na cátedra de História Econômica do Brasil. Ainda viveu na Itália entre 1953 e 1955, onde esteve a cargo da cátedra de estudos brasileiros da Universidade de Roma. Em 1958, assumiu a cadeira de "História da Civilização Brasileira", agora na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - USP. A partir de 1960, passou a coordenar o projeto da "História Geral da Civilização Brasileira". Em 1962, assumiu a presidência do recém-fundado Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Entre 1963 e 1967, foi professor convidado em universidades no Chile e nos Estados Unidos e participou de missões culturais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em Costa Rica e Peru. Em 1969, num protesto contra a aposentadoria compulsória de colegas da USP pelo então vigente regime militar, decidiu encerrar a sua carreira docente.

Bibliografia

Confira mais algumas publicações importantes de Sérgio Buarque de Holanda

- Cobra de Vidro. São Paulo, 1944.

- Monções. Rio de Janeiro, 1945.

- Expansão Paulista em Fins do Século XVI e Princípio do Século XVII. São Paulo, 1948.

- Caminhos e Fronteiras. Rio de Janeiro, 1957.

- Visão do Paraíso. Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil. São Paulo, 1959.

- Do Império à República. São Paulo, 1972. (História Geral da Civilização Brasileira, Tomo II, vol. 5).

- Tentativas de Mitologia. São Paulo, 1979.

- O Extremo Oeste (obra póstuma). São Paulo, 1986.

- Livro dos Prefácios. São Paulo, 1996. (coletânia de prefácios escritos pelo autor)

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