Edição 492 | 05 Setembro 2016

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Redação

Confira as entrevistas publicadas entre os dias 26-08-2016 e 02-09-2016 no sítio do IHU

“Nascerão, das políticas que a direita faz, as razões mais profundas para ser de esquerda”

Entrevista especial com Flavio Koutzii, graduado em Sociologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, da Universidade Sorbonne. Ao longo de sua militância política, foi filiado ao PCB, fez oposição à ditadura militar brasileira em 1964 e integrou a Dissidência Leninista do Rio Grande do Sul. Na Argentina, no início da década de 1970, atuou no Partido Revolucionário de los Trabajadores – Exercito Revolucionário del Pueblo (PRT-ERP). Quando regressou ao Brasil, nos anos 1980, se filiou ao PT, partido pelo qual foi eleito vereador e deputado estadual.

Publicada em 02-09-2016.

Os recentes acontecimentos da cena política brasileira, em especial o impeachment, levarão a uma reorganização da esquerda. Para Flavio Koutzii, “demandará mais tempo, mais aprendizado e uma reflexão autocrítica para que esse bloco — que será multifacetado e não responderá a um modelo mais clássico — se consolide”. Na sua avaliação, é preciso “entender bem o que aconteceu, por que aconteceu e, tendo acontecido, como está o terreno e o tecido da sociedade brasileira para encontrar os caminhos a seguir e a reconstruir”. Koutzii reflete sobre a situação da esquerda no cenário internacional e não corrobora com as críticas de que ela enfrenta uma crise. 

 

“Os pacotes do Temer alimentarão a esquerda brasileira e ela voltará ao poder”

Entrevista especial com Rudá Ricci, graduado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, mestre em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e doutor em Ciências Sociais pela mesma instituição. É diretor geral do Instituto Cultiva, professor do curso de mestrado em Direito e Desenvolvimento Sustentável da Escola Superior Dom Helder Câmara e colunista Político da Band News. É autor de Terra de Ninguém (Ed. Unicamp), Dicionário da Gestão Democrática (Ed. Autêntica), Lulismo (Fundação Astrojildo Pereira/Contraponto) e coautor de A Participação em São Paulo (Ed. Unesp), entre outros.

Publicada em 01-09-2016.

Após o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff da Presidência da República, com o encerramento do processo de impeachment no Senado, Rudá Ricci propõe que a questão a ser respondida é: “O que deixará marcas na história do Brasil?”. Para ele, três são as marcas que ficarão na história política do país: a transformação do PT em um partido tão conservador quanto qualquer outro, a perda de legitimidade junto ao seu eleitorado e a não concordância da sociedade com esse estratagema de troca de poder, em que sai a presidente eleita e entram os derrotados da eleição de 2014. Ricci comenta o esvaziamento das ruas na última semana e atribui o fato ao próprio PT.

 

Secas e enchentes: dois sintomas da perda de 70% das áreas úmidas na Bacia do Rio dos Sinos

Entrevista especial com Rafael Gomes de Moura, graduado em Biologia pela Unisinos, onde também cursou o doutorado na mesma área, com a tese intitulada Análise espacial da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos.

Publicada em 31-08-2016.

Nos últimos 30 anos, a Bacia hidrográfica do Rio dos Sinos perdeu 70% dos seus banhados, e os impactos dessa redução de áreas úmidas são visíveis nos municípios da região, especialmente nos períodos de seca e enchentes, diz Rafael Gomes de Moura. Ele recorda que no verão passado, por exemplo, Novo Hamburgo e São Leopoldo enfrentaram muitas dificuldades no tratamento da água por conta do baixo nível do rio e da falta de áreas úmidas na Bacia. O contrário ocorreu nos períodos de cheias, neste ano e no ano passado, quando as cidades foram inundadas. O fenômeno também afeta a flora e a fauna no entorno da Bacia, especialmente a reprodução dos peixes.

 

Agricultura familiar e o cultivo de fumo: mais de três séculos de dependência econômica

Entrevista especial com Amadeu Bonato, coordenador do Departamento de Estudos Socioeconômicos Rurais - Deser, onde é responsável pelas áreas das políticas sociais e desenvolve pesquisas, estudos e assessoria às organizações, movimentos, entidades e instituições vinculadas à agricultura familiar.

Publicada em 30-08-2016.

Apesar de 20 mil famílias no Nordeste e 170 mil na região Sul estarem envolvidas com o plantio de fumo no Brasil, garantindo a exportação de 85% da produção brasileira, essa cultura é “altamente controlada por um reduzido número de indústrias fumageiras, algumas poucas produtoras de cigarros”, diz Amadeu Bonato. O que explica a adesão desses agricultores familiares ao plantio de fumo é o contrato de integração com as empresas fumageiras. Entretanto, a maioria dos agricultores que cultiva fumo no país “consegue sobreviver”, mas, “para um grupo de mais de 30% das famílias a renda líquida do fumo é inferior a dois salários mínimos mensais”. Bonato defende a diversificação de culturas para a agricultura familiar e argumenta que, independentemente da relevância econômica, o cultivo do fumo é um grande mito, porque, além de o fumo não ser um alimento, é altamente tóxico e gera graves consequências para as pessoas envolvidas no processo produtivo.

 

Um novo ciclo: qual será o realinhamento do Mercosul?

Entrevista especial com Lauro Mattei, graduado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Atualmente leciona na UFSC.

Publicada em 26-08-2016.

A nova política externa brasileira, iniciada pelo então governo interino após o afastamento da presidente Dilma, é “composta por princípios políticos e dez diretrizes programáticas, que encetam uma visão claramente oposta à política externa que estava em curso há mais de uma década”, diz Lauro Mattei. Segundo o professor, a política atual retoma o bilateralismo dos anos 1990 e define como prioridade ampliar o intercâmbio comercial com EUA, Japão, China e Europa, enquanto na América Latina deverão merecer prioridade as relações com a Argentina e com o México. Nesta nova configuração política, menciona, “ficou visível o baixo grau de prioridade das relações Sul-Sul, o que certamente afetará o andamento da política externa em relação ao bloco regional”.

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