Edição 488 | 04 Julho 2016

Que democracia temos e qual queremos? Uma genealogia das técnicas de governo contemporâneas

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Leslie Chaves

“Não podemos entender a política, a economia, o mercado e até mesmo os movimentos sociais, sem voltarmos às raízes do Cristianismo", destaca Castor
professor Castor Bartolomé Ruiz

Nesse cenário de intensa instabilidade política no Brasil e em diversos outros países, torna-se ainda mais importante o esforço para compreender os caminhos que estão tomando as gestões das nações pelo mundo, onde eles irão desembocar e, principalmente, que atitudes temos que tomar para o enfrentamento das adversidades, as quais são de ordens diversas, mas sempre acabam atingindo os mesmos, os mais carentes. Para o professor Castor Bartolomé Ruiz, é fundamental voltar à genealogia do poder que hoje governa o Estado moderno. É necessário pensar e problematizar as bases sobre as quais se fundamentaram as técnicas de governo e como elas têm se transformado ao longo do tempo.  

“Não podemos entender a política, a economia, o mercado e até mesmo os movimentos sociais, sem voltarmos às raízes do Cristianismo. Os conceitos e práticas não nascem do nada, existe uma genealogia, um referencial que foi sendo desenvolvido ao longo da história e que nos explica muito de nosso presente”, aponta o professor nos cursos de graduação e pós-graduação em Filosofia da Unisinos, Castor Bartolomé Ruiz, durante o debate “Foucault e Agamben. Implicações Ético-Políticas do Cristianismo”, no final da tarde da última quinta-feira, 30-06-2016, na sala Ignacio Ellacuría e Companheiros – IHU. 

O Cristianismo enquanto pensamento religioso e narrativa do mundo se expandiu com mais força no ocidente, onde recebeu influência da filosofia grega, que se constituiu como uma chave de interpretação da teologia cristã. Ruiz destaca três aspectos da relação entre essas duas referências. “A filosofia foi utilizada como ferramenta de interpretação das questões teológicas cristãs. Em um primeiro momento, há uma perspectiva assimiladora, que busca fazer do Cristianismo uma filosofia, como podemos ver, por exemplo, no neoplatonismo agostiniano e na escolástica. Outra perspectiva é a apologética, na qual a filosofia foi utilizada como apoio para a defesa do Cristianismo. Por outro lado, também temos a perspectiva aniquiladora, que se baseia na filosofia para desconstruir o Cristianismo e afirmar a vivência plena da humanidade. A partir da abordagem filosófica da teologia cristã, Foucault e Agamben se interessam pelo Cristianismo como genealogia da política contemporânea”, explica. 

A matéria com a cobertura do evento pode ser conferida na íntegra no site do IHU. A conferência do professor Castor Bartolomé Ruiz também está disponível em vídeo no canal IHU Comunica, no Youtube.■ 

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