Edição 487 | 13 Junho 2016

Smart Drugs e o desbravamento das fronteiras do humano

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Redação

De medicamentos capazes de corrigir determinados níveis de deficiências motoras ou cognitivas à busca pela superação da própria condição humana. O termo “Smart Drugs” refere-se ao uso de medicamentos destinados a algumas patologias que são utilizados na tentativa de ampliar certas capacidades humanas e produtivas. Na fronteira das discussões sobre o humano e o pós-humano, a edição da revista IHU On-Line desta semana debate o que são as “Smart Drugs” e de que forma elas são, também, um fenômeno de nossas sociedades contemporâneas.
Foto: Jonathan Silverberg-creative_commons

Contribuem para as discussões Ruairidh McLennan Battleday, que integra o programa Neuroscience PhD em Berkeley, onde pesquisa neurociência e as interfaces cérebro-máquina, e Anna-Katharine Brem, neuropsicóloga, professora da Escola de Medicina de Harvard. Na entrevista, concedida em dupla, destacam a busca pelo incremento neural como esperança para mergulhar nos mundos natural e humano, através do desenvolvimento da pesquisa científica.

Maria Clara Marques Dias, professora no programa de pós-graduação em Filosofia e no programa interinstitucional e interdisciplinar de pós-graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, argumenta que o ser humano é fluido e capaz de incorporar mudanças de tempos, sem a necessidade de drogas inteligentes.

Ahmed Dahir Mohamed, membro do pós-doutorado e professor adjunto de Psicologia (Neurociência do Desenvolvimento Cognitivo e Afetivo) na Escola de Psicologia no campus da Malásia da Universidade de Nottingham, é ainda mais contundente: para ele, não existem smart drugs. O que há são medicamentos capazes de “minimizar” deficiências. Acreditar que essas drogas podem potencializar aptidões em humanos “normais” ainda é ilusão.

Marcelo de Araujo, professor de Ética da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ e professor adjunto de Filosofia do Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, opta por mergulhar na necessidade de se discutir o lugar das drogas inteligentes, refletindo sobre as implicações que há em usar técnicas ou medicamentos para aprimorar e tornar ainda mais potentes aptidões humanas.

Por fim, João Lourenço de Araujo Fabiano, filósofo e doutorando em Filosofia na Universidade de Oxford, reconhece riscos nas intervenções bioquímicas e criação de superinteligências. Entretanto, alerta para que esse risco não se torne uma trava para estudos na área das smart drugs.

As tensões políticas no mundo de hoje são abordadas por meio de duas entrevistas inspiradas pela obra O circuito dos afetos. Corpos Políticos, desamparo e o Fim do Indivíduo (São Paulo: Cosac Naify, 2015), de Vladimir Safatle. A primeira delas é com o próprio autor, que também é professor do departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo – USP e que estará nesta semana, dia 15 de junho, na Unisinos a convite do Instituto Humanitas Unisinos - IHU. Safatle analisa como as sociedades contemporâneas se constituem, para além das leis e consumo de mercadorias.

Por sua vez, Nythamar de Oliveira, professor do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, debate a obra de Safatle sob a perspectiva de Spinoza. Ele entende que não existe política sem encarnação, sem vida social e conjunto de relações, mas compreende que não se trata de opor razão a afetos.

O quarto centenário da morte de Francisco Suárez, em 2017, propicia a publicação do dossiê ‘Escola Ibérica da Paz’, ou seja, a Escolástica Latino-Americana ou Segunda Escolástica.

Assim, completam esta edição as entrevistas com Alfredo Santiago Culleton, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Unisinos e vice-presidente da Société Internationale Pour L’Étude de La Philosophie Médiévale – SIEPM; João Vila-Chã, professor na Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma; Pedro Calafate, doutor em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; Fernanda Bragato, professora do Programa de Pós-graduação em Direito e coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos da Unisinos; Sílvia Silveira Loureiro, professora da Universidade do Estado do Amazonas – UEA e Luiz Fernando Medeiros Rodrigues, professor do Programa de Pós-Graduação em História da Unisinos.

No próximo dia 21 de junho, será lançado o IV Colóquio Internacional IHU Francisco Suárez. Metafisica e Filosofia Prática, a ser realizado em setembro de 2017, na Unisinos. O lançamento será na Sala Ignacio Ellacuría e companheiros, às 17h, com a presença do Prof. Dr. Marcelo Fernandes de Aquino, reitor da Unisinos, Prof. Dr. Alfredo Santiago Culleton, Prof. Dr. João Vila-Chã e Prof. Dr. Pedro Calafate.

A todas e a todos uma boa leitura e uma excelente semana!

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