Edição 486 | 30 Mai 2016

Integração ativa: uma releitura da “substituição de importações” para os tempos de hoje

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João Vitor Santos

À luz da obra de Maria da Conceição Tavares, Eduardo Bastian reflete sobre como inserir a indústria brasileira nos elos mais nobres da economia global

Dentro da proposta do ciclo Economia brasileira: onde estamos e para onde vamos? Um debate com os intérpretes do Brasil, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, a noite de quarta-feira (18-05) foi dedicada a revisar o pensamento de Maria da Conceição Tavares acerca da realidade nacional. A obra da economista portuguesa naturalizada brasileira foi apresentada pelo professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Eduardo Figueiredo Bastian. Mesmo sem ter sido aluno de Conceição Tavares, o jovem economista não esconde a influência da professora. “Sua obra é fundamental. Ela também tem um papel muito importante junto à Economia da UFRJ”, recorda. O ponto de partida de Bastian é a ideia de substituição de importações formulada pela economista.

O professor ressalta que para mergulhar nas perspectivas de Conceição Tavares é preciso ter em vista a perspectiva histórica. Afinal, fala de um Brasil da década de 30, em plena Era Vargas e com vistas a fortalecer a indústria nacional. “Inicialmente, a substituição de importações não é um conceito formal. Trata-se de um conceito histórico/estrutural. É algo no processo histórico da industrialização do Brasil e da América Latina”, pontua, ao ressaltar a posição estruturalista de Conceição Tavares. Para Bastian, ter em mente a historicidade do processo faz entender melhor a ideia de substituição de importações. “É um modelo que substitui o precedente, quando nossa economia ainda era primário-exportadora, voltada para fora”.

Ou seja, o Brasil, antes dos anos 30, tinha sua economia centrada em poucos setores de exportações. “Isso nos fazia ter uma economia reflexa, dada pela conjuntura mundial. Era o centro exportador que dava a dinâmica para nossa economia. Se ia mal, tudo ia mal internamente”, explica Bastian. E ao mesmo tempo em que essas exportações geravam rentabilidade, os produtos eram pouco dados ao consumo interno. O mercado interno ainda era todo alimentado por uma indústria nacional muito básica, geradora de produtos essenciais e de baixa qualidade. “E, ainda, grande parte das demandas internas só eram supridas pelas importações. Mas, para fazer importações, também é preciso exportar. Quando as exportações entram em baixa, a restrição é muito grande”, completa.

 

Leia a reportagem completa.

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