Edição 484 | 02 Maio 2016

A reconstrução de outro caminho diante do fim de uma forma de fazer política

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João Vitor Santos| Edição Patricia Fachin | Tradução Juan Luis Hermida

Para Salvador Schavelzon, há um fim de ciclo progressista na América Latina que “deve ser situado fora da conjuntura eleitoral, porque o que se derruba é o próprio progressismo como espaço político”

A discussão “de fundo” quando se trata de analisar a situação dos governos progressistas na América Latina consiste em considerar que “junto com o fim” desses governos, “ou de suas narrativas, assistimos também ao fim de uma forma de fazer política”, pontua Salvador Schavelzon em entrevista à IHU On-Line, concedida por e-mail. Neste cenário, contudo, “a discussão central” não deve estar limitada a debater se é preciso manter ou não o apoio a um “progressismo em retirada”, mas discutir “como reconstruir ou resistir por outro caminho, entendendo melhor a complexidade do neoliberalismo e os limites de uma visão simplificada de bons e maus, ou de líderes salvadores e de máquinas políticas em que se sustentaram”.

Entre as alternativas políticas para avançar frente à agenda progressista da América Latina, Schavelzon menciona “junho de 2013 no Brasil, a recepção dos manifestantes do TIPNIS na Bolívia, na mobilização pelo Yasuni-ITT no Equador e na mobilização contra a mineração em vários países” como “o que hoje temos para avançar em lutas pelo bem comum, no campo e na cidade”. No Brasil, que se arrasta diante da crise política, a “dinâmica” de junho, por enquanto, “está ausente”, constata. Mas, caso o impeachment da presidente Dilma se concretize, seria bom que “pudesse ser aberto um momento de pensamento coletivo e criação política conectada com essa verdadeira ruptura do tempo político e abertura de possíveis”, sugere.

Salvador Schavelzon é argentino e atualmente leciona na Universidade Federal de São Paulo. É doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, mestre em Sociologia e Antropologia pela UFRJ e graduado em Ciências Antropológicas pela Universidad de Buenos Aires. Sua tese de doutorado, intitulada A Assembleia Constituinte da Bolívia: Etnografia de um Estado Plurinacional, foi publicada como livro na Bolívia em 2012, com nova versão editada em 2013, pela Clacso Coediciones. Este livro e outro, sobre Bem Viver e Plurinacionalidade na Bolívia e Equador, estão disponíveis em http://bit.ly/1TyjJBU.

 

A íntegra da entrevista foi publicada nas Notícias do Dia de 27-04-2016, no sítio do Instituto Humanitas Unisinos - IHU.

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