Edição 477 | 16 Novembro 2015

A Reforma e o convite aos reparos

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Márcia Junges e João Vitor Santos

Para Marcio Gimenes de Paula, Lutero é símbolo de uma reforma que deu certo. Esse espírito reformador deve ser revisitado para que haja evolução luterana, católica, de outras religiões e da Filosofia

No último dia 31 de outubro, foram celebrados 498 anos da Reforma Luterana. Muito mais do que uma perspectiva religiosa e teológica, o pensamento de Lutero ilumina uma forma de pensar na modernidade, em especial na Filosofia. Essas duas perspectivas passam pela análise do filósofo e também teólogo Marcio Gimenes de Paula. Na entrevista, concedida por e-mail à IHU On-Line, ele mergulha no pensamento da Reforma Protestante e seus reflexos nos séculos XIX e XX sob os dois aspectos. Entretanto, deixa claro que a Reforma Luterana não foi algo que rompeu abruptamente com um modelo. “Lutero representa, no fundo, a reforma que deu ‘certo’”, pontua. “Penso que foram inúmeras as reformas que deram ‘errado’ e antecederam a Lutero. Ele recebeu um legado de séculos. Carrega consigo — com todos os méritos, é bom que se diga — séculos de pessoas que sempre quiseram reformar a sua Igreja. Essa é a grande atualidade da Reforma: sua presença na história e seu dinamismo”, completa.

Assim, hoje, na pós-modernidade, Marcio faz um convite para voltarmos o olhar não somente para Lutero e os rompimentos propostos pela Reforma, mas também para sua processualidade. É quando as perspectivas teólogicas e filosóficas são atualizadas, numa espécie de evolução do pensamento, como se olhassem para as outras através de si e vice-versa, num primado de inter-religiosidade e multiplicidade filosófica. “Acho que o protestantismo pode ensinar o catolicismo a se reformar e, quem sabe, o protestantismo, depois de tantos séculos, volte a se reformar novamente olhando o catolicismo”, destaca.  Para o professor, vivemos um momento especial para isso, em função da figura do Papa Francisco. Ele vê o pontífice como provocador, que põe as duas grandes vertentes cristãs num momento muito particular de diálogo. “Nosso colega de América do Sul faz, depois de alguns anos de inverno na cúpula da Igreja Católica, um belo discurso de recuperação dos valores evangélicos e dos valores do Concílio do Vaticano II”, conclui.

Marcio Gimenes de Paula possui graduação em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano Independente. É mestre e doutor em Filosofia pela Unicamp. Atua como professor do departamento de Filosofia da Universidade de Brasília. Também é membro colaborador e pesquisador do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa (integrado em projeto de investigação sobre Filosofia da Ação e Valores e em projeto de tradução das obras de Kierkegaard), e membro da Sociedade Brasileira de Estudos de Kierkegaard - Sobreski, da Associação Brasileira de Filosofia da Religião.

 

Confira a entrevista.

 

IHU On-Line - Pensando na Reforma Protestante  e considerando ainda o século XIX, o que é o cristianismo alemão e quais são suas raízes fundamentais?

Marcio Gimenes de Paula - O cristianismo é, na verdade, um conjunto complexo que, talvez, podemos dividir num período anterior e num período posterior ao evento da Reforma. Contudo, se o nosso horizonte conceitual é o século XIX, penso que uma abordagem significativa é aquela apresentada por Heine  na sua obra Contribuição à História da Religião e da Filosofia na Alemanha . Ali, com maestria, o autor apresenta, notadamente para um público francês que não conhece bem a religião e a filosofia dos alemães, a peculiaridade do cristianismo (e da filosofia) produzida naquele país. 

No entender dele, o cristianismo alemão, inclusive aquele que antecede Lutero , é fortemente marcado por uma herança espiritual, subjetiva, espelha as angústias do homem diante de Deus, a crise em estar nesse mundo cumprindo sua missão e sempre questionando se está fazendo isso de modo adequado ou não. Sempre há um problema ético, um grande dilema moral. No fundo, a grande herança do cristianismo alemão será sempre esta crise de consciência, que é, na verdade, de fundo agostiniano. Por isso, não fortuitamente, se fizermos uma pesquisa, veremos que Santo Agostinho  é talvez um autor muito citado tanto por Lutero como por Calvino . Ainda mais forte do que isso: Feuerbach , crítico do cristianismo do século XIX, sempre cita Agostinho e suas interpretações. A mesma coisa é feita por Kierkegaard  que, mesmo não sendo alemão (e sim dinamarquês) opera dentro desse mesmo horizonte conceitual e, por isso, sua filosofia não deixa de espelhar certa tentativa de recuperar os valores agostinianos no século XIX.  

 

IHU On-Line - O caracteriza o pensamento pós-hegeliano, sobretudo aquele de Feuerbach, Kierkegaard e Nietzsche ?

Marcio Gimenes de Paula - Saiu no Brasil, no final de 2014, uma excelente tradução de uma obra clássica para entendermos o problema dos pós-hegelianos e, em especial, desses três grandes autores. Refiro-me aqui a De Hegel a Nietzsche , de Karl Löwith . Ali, com imensa propriedade, esse filósofo, que merece ser mais bem estudado no Brasil, avalia que o que caracteriza o pensamento pós-hegeliano são três características: a) são autores que partem do tema religioso ou do universo teológico, muitos deles, protestantes; b) são autores que transitam pela literatura; c) são autores que chegam até a política, isto é, tomam a política como um “céu” possível de ser alcançado pela ação dos homens.

Evidentemente, nem todos os autores tratados por Löwith completariam os três passos do mesmo modo ou, talvez, alguns, inclusive, deixaram o caminho um pouco incompleto. Enfim, penso que vale a pena pensar nos pós-hegelianos com o desafio proposto por Löwith.

 

IHU On-Line - Quais são as críticas fundamentais que esses filósofos endereçam ao cristianismo?

Marcio Gimenes de Paula - O pensamento de Feuerbach é marcado por uma forte ambiguidade. Ao mesmo tempo em que é uma recusa do cristianismo e uma denúncia da sua fraqueza, ele é, de igual modo, uma busca pelos seus valores mais autênticos. Isto é, ele é uma denúncia de que o cristianismo do século XIX, no fundo, deturpou muito dos valores originários da fé cristã.

Por isso, não fortuitamente, muitos teólogos, incluindo aqui Kierkegaard, serão leitores atentos de Feuerbach. Karl Barth , o célebre teólogo protestante, já no século XX escreverá um belo trabalho sobre Feuerbach e percebe no seu pensamento um importante aspecto de crítica ao cristianismo que ajudaria, no seu entender, os próprios cristãos a realizarem uma reforma no seu cristianismo deturpado.

Penso que vale muito a pena refletir sobre isso, isto é, ver Feuerbach não apenas como “inimigo” do cristianismo, mas pensá-lo no horizonte de uma crítica do cristianismo. Tal crítica será fundamental para inúmeras correntes teológicas do século XX, incluindo até mesmo a Teologia da Libertação  feita na América Latina.

Kierkegaard

Já o pensamento de Kierkegaard, esse autor por vezes tão enigmático que flerta com a literatura, com a psicologia, “meio filósofo” e “meio teólogo”, certamente merece um estudo aprofundado. Penso que uma pista significativa talvez possa ser encontrada num lindo texto escrito por Hannah Arendt  sobre Kierkegaard. Ali a filósofa diz que “ser radicalmente religioso em tal mundo significa estar sozinho não só no sentido em que a pessoa se posta diante de Deus, mas também no sentido de que ninguém mais se posta diante de Deus” . No entender dela, Kierkegaard vive o desafio de ser religioso num mundo totalmente secularizado oriundo do Iluminismo.

Assim, penso que o grande desafio ao qual ele responde é que o cristianismo não é mais uma questão de “geografia”, onde todos nascemos (e morremos) cristãos por pertencermos a um país que é oficialmente cristão, mas antes aponta para o verdadeiro desafio de ser cristão num mundo onde não parece mais fazer sentido ser cristão. É, na verdade, uma posição de existência. Talvez, nesse sentido, se possa dizer que Kierkegaard é “existencialista”. Penso que isso vale mais do que um rótulo de um manual qualquer de filosofia.

Nietzsche 

Por fim, a crítica nietzschiana, talvez a mais comentada do século XX, mas não sei se a mais bem conhecida, é outra crítica que não pode ser entendida, segundo penso, sem uma análise consistente da teologia. Afinal, Nietzsche flerta com temas teológicos. Com isso não quero dizer que ele era cristão ou coisa parecida, mas gostaria de chamar atenção para o fato de que toda sua crítica não é compreendida sem o cristianismo. Os nomes dos livros, o uso de referências bíblicas nas passagens, a afirmação de uma moral diferente daquela defendida pelo cristianismo. Para tudo isso ser feito, é preciso de muito cristianismo. Um bom exercício para perceber isso é, talvez, ler obras como o Anticristo  a partir de tais indagações.

 

IHU On-Line - Qual é a peculiaridade da crítica destinada ao Protestantismo, em específico?

Marcio Gimenes de Paula - Curiosamente Feuerbach, mesmo com todas as críticas ao protestantismo que faz, enxerga a si mesmo como uma espécie de Lutero segundo, isto é, alguém que estava realizando na filosofia uma Reforma tal como Lutero havia feito na teologia. Para o pensador alemão, o protestantismo mostraria, com mais clareza que o catolicismo, um mundo onde as coisas já podem ser explicadas ao modo de uma teologia racional e, por isso, o próprio Deus poderia se tornar dispensável. Notemos que tal pista, guardadas as devidas distâncias, não deixa de dialogar com as teses de Max Weber . 

Kierkegaard, vivendo num ambiente protestante dinamarquês, vê em Lutero um desafio, mas, ao mesmo tempo, vê na Igreja Luterana, ou ao menos numa fração dela, uma traição aos ideais mais nobres do cristianismo. Penso que, além da imensa obra kierkegaardiana que deve ser examinada para perceber a afinidade e a crítica a Lutero, há um exemplo cinematográfico para quem quer entender a crítica kierkegaardiana: o filme Luz de Inverno , do sueco Bergman . Ali, na trama de um pastor desiludido com o seu tempo e cumprindo apenas os rituais da burocracia, nota-se muito da crítica kierkegaardiana. Vale a pena conferir. 

Por fim, alguns estudiosos de Nietzsche nos dias de hoje chegam a dizer que muito da crítica de Nietzsche endereçada a São Paulo é, no fundo, uma crítica a Lutero. Assim, o pensador teria atribuído ao reformador tanto peso que, em virtude disso, teria tecido muitas de suas críticas à teologia paulina. Talvez a crítica mais vigorosa que podemos notar é aquela em que Nietzsche parece ir apontando aos poucos um caráter doentio no cristianismo paulino e luterano. Assim, ao mesmo tempo que afirma tal crítica, tenta exaltar, por exemplo, um cristianismo como aquele oriundo da Renascença católica, onde há mais vida, mais festa, mais apego aos valores daquilo que era humano, demasiadamente humano.

 

IHU On-Line - Em que sentido se pode falar na filosofia alemã como herdeira da reforma de Lutero?

Marcio Gimenes de Paula - Nietzsche diz, reafirmando uma posição de Heine , que Lutero teria sido o primeiro pensador dos alemães. Tal tese não é desprovida de sentido. O modo alemão de pensar a modernidade filosófica passa, sem sombra de dúvida, por Lutero. A ênfase na subjetividade, tomada por sua vez de uma ênfase luterana em Agostinho, será fundamental para muitos dos temas da filosofia alemã. Assim, se pensamos em autores como Kant , Hegel , Fichte , Schelling , por exemplo, não deixamos de ver a presença de Lutero e da sua teologia. Há quem diga, inclusive, que a ética e a moral de Kant, por exemplo, não podem ser compreendidas sem Lutero. Lembremos que uma das razões da rejeição de Schopenhauer  à moral kantiana residia exatamente no fato de tomá-la como muito religiosa. Mais do que isso: ela soava como protestante.  

 

IHU On-Line - Nesse sentido, que ressonâncias do protestantismo se apresentam na ética e na política do século XIX?

Marcio Gimenes de Paula - A ética e a política do século XIX, especialmente em contexto alemão, são impensáveis sem os ideais da Reforma Protestante. Há quem diga que o professor de ética que conhecemos atualmente é um sacerdote sem igreja e sem fé, mas com muitos preceitos morais. Isso parece apontar uma coisa muito importante: a ética e a política dos séculos XIX e XX são de matriz teológica. Acaba ultrapassando o teológico e tenta construir, com as próprias mãos, um céu possível e realizável pelos homens. Nesse sentido, a política seria a transfiguração de um sonho teológico. Tal tese é explorada com maestria por Karl Löwith na sua bela obra O Sentido da História . Ali percebemos, na história secularizada, todos os temas da tradição teológica.

 

IHU On-Line - Em outra entrevista concedida à IHU On-Line , você afirma que além de um monge ressentido, como Nietzsche classificava Lutero em O Anticristo, o reformador era “um tipo psicológico interessante”. Quais são os impactos dessa caracterização na divisão da história da cristandade ocidental e, também, na formação da filosofia alemã?

Marcio Gimenes de Paula - Nietzsche gostava de trabalhar com a ideia de tipos psicológicos. Para ele, tais figuras espelhavam, como poucas, uma época e seus ideais. Nesse sentido, Lutero seria um tipo psicológico, isto é, representava, com singular energia, um tipo particular de religião desenvolvida na Alemanha, representava um tipo de compromisso com Deus que, por sua vez, se desenvolveria em boa parte do Ocidente cristão dali em diante. Assim, o modo de fazer teologia passa a ser, especialmente em contexto alemão, o modo também de se fazer filosofia. Por isso, caberia talvez lembrar uma outra célebre sentença de Nietzsche no Anticristo. No seu entender, o sangue dos filósofos alemães está indissociavelmente unido ao sangue dos teólogos. Penso que essa é uma pista que merece maior cuidado e investigação.

 

IHU On-Line - Como é possível compreendermos o projeto de Nietzsche de atacar a modernidade em seu cerne e, portanto, atingir Lutero?

Márcio Gimenes de Paula - Essa me parece uma questão muito complexa. É certo que Nietzsche ataca a modernidade. Contudo, ele mesmo não deixa de fazer parte do seu projeto, isto é, ele é um filho da modernidade filosófica alemã, dessa modernidade típica que começa na Reforma e chega até os pós-hegelianos do século XIX. O que talvez seja importante pensar é qual cristianismo Nietzsche atinge com sua crítica a Lutero. Para isso, penso que nos ajuda uma reflexão feita por Cassirer  na sua obra Filosofia do Iluminismo . Ali o pensador aponta uma diferença crucial entre a Renascença e a Reforma. Para Cassirer, a Reforma enfatiza, e tem como seu ponto de partida, o conceito de pecado e, portanto, molda toda a sua moral a partir disso. Já a Renascença, ainda que não abandone em momento algum o conceito de pecado, parece diminuir a sua força e, com alguma ênfase, parece produzir uma religião mais humanizada, ligada ao artístico, ao estético, ao mundo presente.

Tal tese é muito longa e certamente mereceria um maior cuidado. Assim, de muito simplório, podemos dizer aqui que Nietzsche abraça a Renascença, ficando mais próximo de um ideal renascentista, que, por sua vez, parecia mais grego. Assim, mais distante do pecado, parece atingir o coração da modernidade, visto que tudo o que vem depois do cristianismo é ainda baseado nesse ideal: democracia, política etc. Não é um assunto simples, mas é, sem dúvida, fascinante.

 

IHU On-Line - Ao completar 500 anos da Reforma Luterana, qual é a atualidade do debate crítico acerca do legado de Lutero?

Marcio Gimenes de Paula - Lutero representa, no fundo, a reforma que deu “certo”. O que isso quer dizer? Penso que foram inúmeras as reformas que deram “errado” e antecederam a Lutero. O que quer dizer reforma certa e reforma errada? Por exemplo, antes de Lutero não podemos nos esquecer de personagens como, por exemplo, João Huss , que ao tentar defender suas ideias reformadoras num Concílio é levado à morte. Assim, Lutero é mais do que apenas um homem. Ele recebeu um legado de séculos. Carrega consigo — com todos os méritos, é bom que se diga — séculos de pessoas que sempre quiseram reformar a sua Igreja. Essa é a grande atualidade da Reforma: sua presença na história e seu dinamismo. Assim, mais do que olhar para Lutero, vale olhar para seus antecedentes e para o que se afirma depois dele. É o primeiro cisma do Ocidente que consegue avançar. Isso não é pouca coisa. Heine dizia que a responsabilidade de Lutero é imensa e que Deus deve saber em que ombro havia confiado tão grande missão. Isso é um gracejo. Que vale para sorrir e para pensar.

 

IHU On-Line - Quais são os sinais de diálogo ecumênico que se apresentam, passados cinco séculos da Reforma?

Marcio Gimenes de Paula - Eu, do ponto de vista pessoal, vejo com muita alegria um Papa como o atual. Nosso colega de América do Sul faz, depois de alguns anos de inverno na cúpula da Igreja Católica, um belo discurso de recuperação dos valores evangélicos e dos valores do Concílio do Vaticano II . O que isso quer dizer? Isso aponta claramente, segundo minha avaliação, para um paradigma ecumênico, amplo, aberto. Acho que vivemos, num mundo corroído de fundamentalismos, um tempo tão bonito quanto foi o pontificado de João XXIII . Acho que o protestantismo pode ensinar o catolicismo a se reformar e, quem sabe, o protestantismo, depois de tantos séculos, volte a se reformar novamente olhando o catolicismo, pelo menos esse do Papa Francisco. A igreja é reformada exatamente por poder se reformar sempre.

 

IHU On-Line - Gostaria de acrescentar algum aspecto não questionado?

Marcio Gimenes de Paula - Queria lembrar aqui um caso curioso do século XX que foi magistralmente exposto por Hannah Arendt. Refiro-me aqui ao caso da banalidade do mal exposto na obra, que no fundo é uma reportagem, Eichmann em Jerusalém . Ali, Eichmann, um criminoso nazista de Guerra, é capturado e levado a julgamento. Ao se apresentar no tribunal, o ex-oficial da polícia de Hitler , ao contrário de ser o monstro que todos esperavam ver, afirma três coisas: a) sou cumpridor do meu dever, ou seja, apenas fazia aquilo que me ordenavam os meus superiores; b) sou cristão e luterano; c) sou, do ponto de vista moral, um kantiano.

O que isso parece apontar? Aponta para uma ética produzida por um dado tipo de protestantismo, isto é, a ética do cumprimento do seu dever e, nesse sentido, Kant e os Evangelhos podem estar muito mais próximos do que se pode imaginar. Essa é uma possível interpretação. Contudo, no mesmo século XX, servindo o mesmo protestantismo, temos o exemplo tão notável de uma figura como a de Albert Schweitzer , médico, teólogo, músico. Um missionário apaixonado que, nas primeiras décadas do século XX, foi capaz de entender o quanto a colonização europeia foi atroz com a África e, despojando-se do seu próprio ambiente cultural, serve nas selvas africanas construindo hospitais e igrejas. Enfim, valeria pensar que o ser protestante pode ser muito diverso e, no século XX, ele assume inúmeras facetas. Ainda bem. ■

 

Leia mais...

O indivíduo como ponto inicial na filosofia kierkegaardiana. Entrevista com Marcio Gimenes de Paula, publicada na revista IHU On-Line número 314, de 09-11-2009.

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