Edição 477 | 16 Novembro 2015

Zumbi presente

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Leslie Chaves

Dia 20 de Novembro marca o Dia da Consciência Negra, para os movimentos sociais negros desde meados da década de 1970, mas para o calendário oficial brasileiro a partir de 10 de novembro de 2011, quando foi promulgada a Lei 12.519/2011 . Além de ser um importante elemento de construção da identidade dos afro-brasileiros, a data é um momento para rememorar as conquistas, reconhecer os avanços e refletir sobre os desafios e obstáculos ainda a superar na busca da construção de uma sociedade mais equânime.

Da ideia de cidadania concedida à cidadania conquistada. 

Esse é o deslocamento que se propôs na transferência desse momento de mobilização de 13 de Maio para 20 de Novembro. O dia 13 de Maio de 1888 é a data em que foi abolida a escravidão no Brasil, momento que automaticamente evoca a figura da Princesa Isabel assinando a Lei Aurea, documento que oficializou (mas não promoveu) a libertação dos escravizados.

O dia 20 de Novembro de 1695 é a data da morte em combate de Zumbi dos Palmares. Herói negro genuinamente brasileiro que teve sua trajetória negligenciada durante muito tempo pela historiografia oficial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade formada na Serra da Barriga em Alagoas, que representa um dos mais significativos movimentos de resistência e luta contra a opressão e pela liberdade.

Zumbi nasce com o corpo e o espírito livres da escravidão em um dos diversos quilombos que se espalhavam em Alagoas e pelo país. Com poucos dias de vida ele é levado por tropas militares após um ataque à sua comunidade. Então recém-nascido, Zumbi é entregue a um padre que o batiza com o nome de Francisco, o educa, alfabetiza e ensina-lhe Latim. Considerado muito inteligente pelo padre, o menino torna-se coroinha aos dez anos.

Aos 15 anos de idade Francisco foge para o Quilombo dos Palmares, assume o nome africano Zumbi e passa a lutar por liberdade à frente de um exército formado por negros fugidos, índios e brancos pobres. Em sua trajetória de lutas está Dandara dos Palmares, sua companheira de vida e de combate na defesa do quilombo. Dandara se tornou ícone da força feminina na resistência contra a escravidão, representando a importância do papel das mulheres na história.

Após décadas de combates e vitórias, o Quilombo dos Palmares foi aniquilado pelo forte armamento de fogo e grande contingente militar no último confronto, e em 20 de novembro de 1695 Zumbi foi morto lutando.

Foram atribuídos diversos significados ao nome do líder de Palmares, mas um desses sentidos em especial pode traduzir o significado da militância dos movimentos sociais negros ao longo da construção do país:

 

Zumbi: aquele que nunca morre

O espírito de Zumbi permanece vivo no anseio e nas lutas por um Brasil mais equânime e que reconheça a própria origem e história.

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