Edição 472 | 14 Setembro 2015

Cuidado de si e biopolítica. Saberes e práticas na constituição dos sujeitos contemporâneos

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Redação

Pensar os processos biopolíticos a partir de um paradigma contemporâneo exige abordar a realidade em nível molecular. Quando os biopoderes operam de forma fragmentária, particularizada, o cuidado de si, com todos seus discursos, práticas e procedimentos tecnocráticos, torna-se um tipo de governo descentralizado da vida humana, permeando todos os âmbitos de nossa experiência em sociedade.
Foto de Capa: Sasa Asentic/Flickr Creative Commons

A revista IHU On-Line desta semana aborda o tema central do XVII Simpósio Internacional IHU a ser realizado nos dias 21 e 24 de setembro na Unisinos, em São Leopoldo. Muitos dos que estarão participando do evento contribuem no debate desta edição.

O professor e pesquisador Sandro Chignola, da Universidade de Pádua – Itália, coloca em causa o que se compreende majoritariamente por liberdade e propõe uma reinvenção do conceito.

Michael Peters, professor na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, analisa a maneira pela qual o conceito de biopolítica foi apropriado na antiguidade, modernidade e contemporaneidade, justificando que nossa acepção atual do termo está calcada na financeirização.

Para Dora Lília Marín-Díaz, professora na Universidade Pedagógica Nacional, Colômbia, uma das razões para a crise no projeto educacional hegemônico é uma certa modelagem dos sujeitos para se tornarem úteis ao modelo de sociabilidade proposto pelo Estado.

Edgardo Castro, professor convidado no Instituto Italiano di Scienze Umane de Nápoles, na Universidade Federal de Santa Catarina e na Universidad de Chile, faz uma análise do pensamento do Giorgio Agamben e Roberto Esposito com a biopolítica e argumenta que ao exercitarmos nossa liberdade também produzimos verdade.

Segundo o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ Benilton Bezerra Junior, os desdobramentos científicos de nosso tempo possibilitaram uma relação profunda, e cada vez mais radical, entre os conhecimentos biológicos e a biopolítica.

Mozart Linhares da Silva, professor da Universidade de Santa Cruz do Sul – Unisc, analisa como a historiografia germânica no interior do Rio Grande do Sul impactou na naturalização da discriminação contra os negros.

Julio Roberto Groppa Aquino, professor na Universidade de São Paulo – USP, analisa a maneira pela qual os processos de pedagogia estão intrincados com o capitalismo cognitivo.

Na opinião de Carlos Ernesto Noguera-Ramírez, professor na Universidad Pedagógica Nacional – UPN, em Bogotá, na Colômbia, as dinâmicas biopolíticas educacionais convertem os sujeitos em meros indivíduos.

Silvia Grinberg, professora na Universidade Nacional San Martin – UNSAN, na Argentina, a escola, enquanto objeto biopolítico, tornou-se, principalmente, um dispositivo para disciplinar os pobres.

O médico e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, Luis David Castiel retoma a discussão da biopolítica a partir da discursividade biomédica sobre o cuidado de si e suas estratégias para se ter uma vida saudável.

Alexandre Filordi de Carvalho, professor na Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, defende que a educação deveria funcionar como um dispositivo de ruptura, e não de institucionalização do status quo.

Os pesquisadores Marco Antonio Jiménez García e Ana María Valle Vázquez, professores da Universidade Autônoma do México – UNAM, argumentam que o exercício da liberdade converte-se em um tipo contemporâneo do cuidado de si.

Heliana de Barros Conde Rodrigues, professora na UERJ, analisa de que forma os estudos de Michel Foucault desestabilizaram algumas “certezas” propagadas no âmbito da saúde no cenário brasileiro.

Nesta semana, nos dias 15 e 16 de setembro, realiza-se na Unisinos, o III Colóquio Internacional IHU A justiça, a verdade e a memória na perspectiva das vítimas. A narrativa das testemunhas, estatuto epistêmico, ético e político. O evento é promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU em parceria com a Cátedra Unesco – Unisinos de Direitos Humanos e violência, governo e governança.

Quatro participantes do evento concederam entrevistas para esta edição.

Sueli Bellato, vice-presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, analisa o perdão a partir dos processos judiciais de reconciliação.

Jair Krischke, ativista dos direitos humanos, argumenta que o Brasil ainda não fez seu acerto de contas com o passado.

José Carlos Moreira da Silva Filho, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, sustenta que é fundamental mantermos a memória da repressão viva para não incorrermos nos erros do passado.

Carlos Frederico Guazzelli, defensor público do Tribunal de Justiça do RS, avalia o trabalho da Comissão da Verdade no Rio Grande do Sul.

Também participarão do evento Francisco De Roux, da Colômbia, Xabier Etxeberría, Espanha, Martín Almada, do Paraguai e Tshepo Madlingozi, da África do Sul.

Publicamos a entrevista com Marcelo de Araujo, professor na UERJ, que analisa a moralidade dos “aprimoramentos humanos” e o artigo “Após décadas de atraso, a guerra fria finalmente caminha para seu final no continente americano", de Gabriel Pessim Adam, professor na Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos nos cursos de Relações Internacionais e Direito, analisa a reaproximação entre os EUA e Cuba.

A todas e a todos uma boa leitura e uma ótima semana!

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