Edição 470 | 17 Agosto 2015

Destaques da Semana

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Redação

Entrevistas publicadas entre os dias 10-08-2015 e 14-08-2015 no sítio do IHU.

Política brasileira é varejo do dia a dia

Entrevista com João Sicsú, doutor em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, onde leciona no Instituto de Economia. 

Publicada em 14-08-2015

A crise política que o Brasil vive hoje é derivada de uma crise econômica, porque “as crises políticas que são tentadas e estimuladas só encontram terreno fértil se a economia está em crise”, afirma João Sicsú à IHU On-Line. Na entrevista concedida por telefone, ele é categórico ao afirmar que não devemos buscar as explicações para a crise no mercado internacional, seja na expansão da Eurásia, seja na desvalorização da moeda chinesa. Ao contrário, “a crise econômica que vivemos hoje é uma crise cuja responsabilidade é da política econômica do governo. O peso de movimentos internacionais é pequeno, ele é capaz de reduzir nossa taxa de crescimento, mas não é capaz de levar nossa economia à crise, desde que saibamos reagir”, explica. Segundo ele, “há duas saídas no campo da política: esse governo se alia com a direita e assume a Agenda Brasil ou olha para os movimentos sociais que estão emergindo, como a Marcha das Margaridas e se alia com esse lado e rompe com o outro. Só tem esses dois caminhos, não tem outro caminho. Ou vai se aliar aos conservadores ou vai abrir mão dos conservadores e ir para os braços dos movimentos sociais"

 

Governo gaúcho e a extinção da Fundação Zoobotânica. Um 'grande apagão' no conhecimento da biodiversidade

Entrevista com Paulo Brack, mestre em Botânica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutor em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos. Integrante da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio e representante do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais – InGá, no Conselho Estadual do Meio Ambiente do RS – Consema/RS.

Publicada em 13-08-2015

“Nós não acreditávamos que essa proposta tivesse realmente a profundidade que teve”, disse Paulo Brack à IHU On-Line, por telefone, ao comentar a proposta do governo gaúcho de privatizar ou extinguir a Fundação Zoobotânica do Estado. Embora a proposta ainda não tivesse sido oficializada, já estava sendo sondada desde o início do ano. Se a medida for aprovada, serão extintos ou privatizados o Zoológico, localizado na cidade de Sapucaia do Sul, o Jardim Botânico e o Museu de Ciências Naturais, localizados em Porto Alegre. “Será um grande ‘apagão’ no conhecimento da biodiversidade e também nas políticas públicas ligadas à conservação da natureza no estado do Rio Grande do Sul. Será um retrocesso de pelo menos 30 anos em relação ao que foi construído em termos de políticas públicas e conhecimento da biodiversidade”, adverte o biólogo.

 

Redução da maioridade penal: “O crime só inclui quando o Estado exclui” 

Entrevista com Ariel de Castro Alves, coordenador Estadual do Movimento Nacional de Direitos Humanos, membro do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de SP – Condeca, e fundador da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB.

Publicada em 12-08-2015

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição – PEC 171, que trata da redução da maioridade penal, “vai gerar mais insegurança pública”, adverte Ariel de Castro Alves. A afirmação do advogado é amparada nos dados do Ministério da Justiça, que demonstram que a reincidência no Sistema Prisional Brasileiro chega a 70%, enquanto “no sistema de internação de adolescentes, por mais que existam problemas, porque muitos estados ainda não cumprem a Lei, estima-se reincidência em torno de 30%”. Ao tratar do tema na entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail, Alves é categórico ao afirmar que as propostas de redução da maioridade penal “são inconstitucionais e só poderiam prosperar através de uma nova Assembleia Nacional Constituinte”.

 

Setor elétrico: o achatamento da segurança e a submissão a uma sequência de erros desastrosos

Entrevista com Diogo Mac Cord de Faria, graduado em Engenharia de produção mecânica pela Pontifícia Universidade Católica - PUC-PR, mestre em Desenvolvimento de Tecnologia com ênfase em sistemas energéticos pela Universidade Federal do Paraná - UFPR e doutor em Sistemas de Potência pela Universidade de São Paulo - USP. Atualmente é coordenador adjunto do MBA do Setor Elétrico da Fundação Getulio Vargas nas cidades de São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte e Criciúma.

Publicada em 11-08-2015

 “Se não fosse a crise [econômica], que no 1º semestre de 2015 fez com que o consumo de energia elétrica retraísse 1,1% (sendo que a indústria reduziu seu consumo em 4,2%), já estaríamos sem energia”, afirma Diogo Mac Cord de Faria à IHU On-Line. Na entrevista concedida por e-mail, o engenheiro menciona que o “descompasso entre oferta e demanda” é um dos principais dilemas do setor elétrico brasileiro há duas décadas. Ele lembra que entre 1995 e 2001 o PIB cresceu 16,91% e o consumo de energia elétrica subiu 43,85%. De lá para cá, o descompasso ainda não foi solucionado. “Entre 2011 e 2014 o PIB cresceu 6,42% e o consumo de energia aumentou apenas 13,96%. Veja que temos situações bastante diferentes, e mesmo assim não conseguimos equalizar oferta e demanda”.

 

Linchamentos: “É possível uma tranquilidade fundada na violência?”

Entrevista com Ariadne Natal, graduada em Ciências Sociais e mestre em Sociologia e doutoranda na mesma área pela Universidade de São Paulo - USP. 

Publicada em 10-08-2015

A lógica que sustenta os casos de linchamento no Brasil está relacionada com “a existência de uma cultura de uso da violência para resolver conflitos”, diz Ariadne Natal à IHU On-Line na entrevista concedida por telefone. Autora da dissertação de mestrado “30 anos de linchamentos na região metropolitana de São Paulo – 1980-2009” (2013), a socióloga frisa que a democracia brasileira “não foi capaz de garantir que as instituições tomassem as rédeas em casos de conflitos, e tampouco garantir que os direitos fossem respeitados nos diversos aspectos, inclusive os direitos daquelas pessoas que são acusadas de algum crime”. Essa violência, explica, também é motivada por um desejo de “manter a ordem” e de eliminar as pessoas que cometeram crimes, para “manter a paz”.  

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