Edição 467 | 15 Junho 2015

Sala de Leitura

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Redação

Leia as dicas de leitura dos professores da Unisinos.
Dória, Carlos Alberto. A Formação da culinária Brasileira: Escritos sobre a cozinha inzoneira. São Paulo: Três Estrelas, 2014.

Dória, Carlos Alberto. A Formação da culinária Brasileira: Escritos sobre a cozinha inzoneira. São Paulo: Três Estrelas, 2014.

A leitura da formação da culinária brasileira para quem se interessa pela reflexão sobre o que, por que e quando comemos é de grande importância por diversos aspectos. O autor, o sociólogo Carlos Alberto Dória, é um dos teóricos brasileiros mais importantes na atualidade quando o assunto é alimentação. O livro é um apanhado de sete diferentes textos. Discute desde o mito da formação da culinária brasileira baseado nas cozinhas das etnias até a apresentação de uma nova classificação da cozinha brasileira ao levar em consideração uma matriz original. A obra ainda faz uma crítica à explicação das cozinhas brasileiras divididas por regiões geopolíticas e a prisão do marketing turístico, além de muitas outras questões interessantes.

Ágata Morena De Britto é coordenadora do Curso Superior de Tecnologia em Gastronomia da Unisinos.

 

Padura, Leonardo. O Homem que amava os cachorros. São Paulo: Boitempo, 2013.

O livro impressiona pela intensidade de uma narrativa que coloca em cena personagens históricos de uma União Soviética. Entre os personagens que povoam a história, dois se destacam por representar as contradições do socialismo: Joseph Stalin e Liev Davidovitch, ressignificado em Leon Trotski. O assassinato de Trotski, ocorrido no México em 1940, é reconstruído pelo autor, que traz à tona o enigmático e silencioso Ramón Mercader. No processo de dar identidade, infância, sentimentos e voz ao assassino de Trotski, o texto convoca o leitor a imergir numa forte trama policial, tensionada pelos preparativos de um crime político que impactaria o mundo do século XX, mas não revelaria as entranhas de sua articulação.

Apreciar o livro é como olhar para a tessitura de uma imensa teia de aranha e observar como a delicadeza dos fios ganha resistência à medida que encontram os pontos de contato e preparam a rede mortífera. Nessa teia, os cenários deslocam-se com seus personagens. Ler esse romance requer fôlego e vontade de rever fatos que, para muitos leitores, constituem-se como um arquipélago. Para saber quem é o homem que amava os cachorros, o texto exige do leitor um mergulho e um acordo de cavalheiros com o seu narrador para, enfim, acompanhar, no intrínseco jogo narrativo, percursos de um passado recente que se enlaçam em novas reflexões.

Adila Beatriz Naud de Moura é coordenadora do Curso de Letras da Unisinos.

Últimas edições

  • Edição 546

    Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

    Ver edição
  • Edição 545

    Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

    Ver edição
  • Edição 544

    Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

    Ver edição