Edição 467 | 15 Junho 2015

O jogo discursivo enquanto arma nas lutas de classes

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Leslie Chaves

Para Anna Christina Bentes, o estudo do popular na linguagem e suas relações com o contexto dominante é uma tarefa urgente para o campo dos estudos das relações entre linguagem e sociedade

 Identidade e linguagem são instâncias que se afetam mutuamente nos processos de constituição dos sujeitos. Cotidianamente os indivíduos transitam por diversos ambientes e, conforme aponta Bentes, “quanto mais um sujeito participa de diferentes redes de experiência social, no sentido da possibilidade de circulação por diferentes grupos e por diferentes espaços sociais, mais ele amplia o seu repertório linguístico, mais ele amplia suas competências comunicativa e discursiva”. Nesses movimentos, as identidades desses indivíduos também sofrem transformações. Conforme frisa a pesquisadora, em entrevista por e-mail à IHU On-Line, “a constituição da identidade pela linguagem é um processo em constante mutação, cumulação e aperfeiçoamento”.

As investigações de Anna Christina Bentes centram-se na compreensão da importância do papel da linguagem na configuração de identidades sociais, a partir do estudo de grupos populares. Segundo a pesquisadora, sua escolha tem o objetivo de privilegiar grupos sociais diferentes dos que vêm sendo estudados desde a década de 1980. “Eu queria estudar sujeitos que tivessem uma renda familiar mais baixa e, supostamente, com pouca escolaridade, que são vistos por outros grupos como menos legitimados socialmente justamente em função de seu menor poder aquisitivo, de sua menor escolaridade e de seu menor trânsito em campos sociais mais legitimados”, explica. 

Para Bentes, após a eleição do Presidente Lula, em 2002, as classes consideradas populares e os sujeitos que se identificam como pertencentes a minorias sociais foram evidenciados no espaço público, porém esse destaque não se manteve. “Assistimos a um empoderamento das camadas populares no Brasil, especialmente durante o segundo mandato do Presidente Lula. A presença das vozes sociais historicamente excluídas em espaços de produção e de circulação da chamada língua legítima foi um sucesso momentâneo e isto aconteceu em função do contexto sociopolítico de reforço a políticas públicas afirmativas.”

Nesse contexto, a pesquisadora explica que pesquisas nesse âmbito “podem revelar como os sujeitos se apropriam de recursos semióticos de forma a fazerem parte da luta por legitimação social, dos embates contemporâneos sobre temas importantes para a sociedade brasileira. Se você diz ‘popular’, você está necessariamente falando, como nos diz Bourdieu, da ação de ‘ignorar as convenções e as conveniências do linguajar dominante’”, ressalta. Na entrevista, Bentes aborda ainda as relações de poder e a questão do preconceito linguístico como o embate entre diferentes horizontes de valores e crenças que constroem as variedades linguísticas e as práticas comunicativas.

Anna Christina Bentes é graduada em Letras, com mestrado em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e pós-doutorado em Linguística pelo Departamento de Antropologia da Universidade da Califórnia, Berkeley. Atualmente é professora do Departamento de Linguística da Unicamp e uma das coordenadoras do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – Pibid, no curso de Letras da mesma universidade.

Confira a entrevista.

 

IHU On-Line – De que modo a linguagem constitui a identidade dos sujeitos?

Anna Christina Bentes - A linguagem constitui a identidade dos sujeitos de muitos modos. E as múltiplas identidades sociais que nos constituem reconfiguram nossas competências comunicativas e discursivas e também os nossos repertórios linguísticos. Assim, as relações entre linguagem e identidade são de reversibilidade. Há um consenso entre os sociolinguistas em relação ao seguinte fato: quanto mais um sujeito participa de diferentes redes de experiência social, no sentido da possibilidade de circulação por diferentes grupos e por diferentes espaços sociais, mais ele amplia o seu repertório linguístico, mais ele amplia suas competências comunicativa e discursiva. No entanto, sabemos que os espaços sociais são razoavelmente organizados e que, portanto, há restrições que não permitem que um sujeito possa se engajar de maneira imediata ou espontânea em determinadas práticas comunicativas, tais como aquelas que exigem conhecimentos técnico-científicos ou ainda como aquelas que exigem longo tempo de treinamento, típicas dos mercados linguísticos dominantes. Por isso, podemos dizer que a constituição da identidade pela linguagem é um processo em constante mutação, cumulação e aperfeiçoamento. Trabalhamos nossas identidades linguísticas ao longo da vida e isso pode ser um tipo de ação mais ou menos reflexiva, mais ou menos eficaz, mais ou menos objetiva, dependendo de nossas trajetórias no mundo social. 

 

IHU On-Line - Um de seus temas de pesquisa é a questão do popular na linguagem. O que a levou a essa escolha? O que investigações com essa temática podem abordar e revelar?

Anna Christina Bentes - Eu queria estudar outros grupos sociais que não aqueles contemplados pelos grandes projetos já desenvolvidos por pesquisadores brasileiros desde a década de 1980 até hoje. Eu queria estudar sujeitos que tivessem uma renda familiar mais baixa e, supostamente, com pouca escolaridade. Eu queria observar mais de perto os “porta-vozes” de grupos para chegar até os membros dos grupos das chamadas “classes perigosas”, que são vistos por outros grupos como menos legitimados socialmente justamente em função de seu menor poder aquisitivo, de sua menor escolaridade e de seu menor trânsito em campos sociais mais legitimados. Comecei a pensar isso logo depois da estrondosa vitória do Presidente Lula, em 2002, depois de minha entrada na Unicamp. Para mim, o interessante era começar a observar o que Bourdieu ([1983] 1996)  chama de “a afirmação de uma contralegitimidade linguística”, e ao mesmo tempo, como ele diz, “a produção de discursos fundada na ignorância mais ou menos deliberada das convenções e das conveniências características dos mercados dominantes”. Por isso, comecei a estudar raps e a produção discursiva de rappers. Sobre isso, escrevi alguns textos, mas estou apenas começando. Estou convencida de que estudar o problema do popular na linguagem não é necessariamente instaurar falsas dicotomias ou trabalhar no interior de dicotomias predefinidas, mas tentar compreender, da melhor maneira possível, como nos diz Bourdieu, “as censuras constitutivas dos mercados linguísticos dominantes” e os “benefícios das liberdades necessárias oferecidas por alguns mercados linguísticos livres”. 

 

IHU On-Line – Como se define o que é uma variedade popular da língua? Como se constrói esse tipo de linguagem?

Anna Christina Bentes - Um modo de ver uma variedade popular da língua é vinculá-la às práticas linguísticas de determinado grupo, tal como o faz Bourdieu ([1983] 1996): “Certamente, é com os homens e, entre eles, com os mais jovens e os menos integrados, atualmente e, sobretudo, de forma potencial, na ordem econômica e social, como os adolescentes oriundos de famílias imigradas, que se encontra a recusa mais marcante à submissão e à docilidade implicadas na adoção de maneiras de falar legítimas. (...) A moral que constitui a transgressão como dever impõe uma resistência ostensiva às normas oficiais, linguísticas ou outras, que só pode ser mantida permanentemente ao preço de uma tensão extraordinária e, sobretudo para os adolescentes, com o reforço constante do grupo”.

 

IHU On-Line – Como se dão as relações entre determinados traços linguísticos e a posição enunciativa do sujeito? Essas características da linguagem podem marcar posicionamentos sociais? De que maneira? 

Anna Christina Bentes - Acredito que a relação entre traços linguísticos e uma determinada posição enunciativa pode ser vista de maneira mais ampla, dado que os sujeitos se vinculam, segundo perspectivas sociolinguísticas mais recentes, a diferentes comunidades e práticas sociais. Em função disso, o meu interesse se foca mais nos processos por meio dos quais os sujeitos manipulam os recursos linguísticos disponíveis de maneira a construir significados sociais locais do que nos processos de reforço a significados sociais já preestabelecidos. 

 

IHU On-line – De que modo a senhora avalia a questão do preconceito linguístico? 

Anna Christina Bentes - Acredito que devemos tomar as práticas comunicativas como práticas sociais e que, como tais, pressupõem relações de poder. Uma das dimensões da prática comunicativa, segundo Hanks (1996) , seria a dimensão ideológica. Considerar essa dimensão significa compreender que os objetos do mundo social (inclusive a linguagem) são socialmente tipificados, isto é, são vistos de acordo com o horizonte de valores e de crenças dos sujeitos envolvidos nas interações sociais. De acordo com essa perspectiva, os sujeitos vão sempre exibir disposições diferenciadas para compreender os objetos ou para se engajarem em determinadas práticas verbais. Essas diferentes compreensões vão depender do lugar social do sujeito no interior de um determinado campo social. 

A meu ver, o chamado preconceito linguístico deriva do embate entre diferentes horizontes de valores e crenças que configuram as variedades linguísticas e as práticas comunicativas. E esse embate precisa ser compreendido a partir de uma perspectiva relacional, ou seja, considerando-se as posições dos agentes em um determinado campo social. Por exemplo, em relação ao chamado campo educacional, o processo de legitimação das variedades cultas da língua e o de desvalorização das variedades populares está intimamente relacionado não apenas à aquisição de um capital cultural (reconhecimento por parte de um determinado grupo social) disputado pelos sujeitos, mas também à imposição de uma visão legítima do mundo social, no interior da qual a ciência está inevitavelmente envolvida. 

Sendo assim, o preconceito linguístico deriva, como disse anteriormente, desses embates, e vê-lo de outra forma é reificar uma prática que, na verdade, deve ser contextualmente (re)significada pelos sujeitos que nela se engajam, pelos sujeitos que a percebem de modo distanciado e também pelos sujeitos que são objeto de tipificação social. Não podemos deixar de reconhecer, no entanto, que a incorporação de um modo legítimo de percepção do mundo social e, consequentemente, da língua legítima, é um grande prêmio a ser conquistado no jogo das lutas sociais. Por fim, gostaria de dizer que o preconceito linguístico pode e deve ser compreendido como um fenômeno multidimensional, ou seja, é uma ação social também marcada por injunções étnicas, de classe e de gênero. Nesse sentido, o preconceito linguístico não é um fenômeno que acontece em função de um único eixo (língua legítima & língua não legítima), mas na simultaneidade de um conjunto de variáveis sociais. 

 

IHU On-Line – Em um de seus trabalhos, a senhora menciona os estudos sociolinguísticos de “terceira onda”. Poderia falar um pouco em que eles consistem e seus principais diferenciais?

Anna Christina Bentes - Foi Penelope Eckert, sociolinguista americana, quem postulou as três ondas da sociolinguística. Para ela, o desenvolvimento do campo da sociolinguística se deu em função de um conjunto de práticas metodológicas e analíticas criadas a partir das descobertas de uma “onda” anterior. 

Primeira Onda

Segundo a autora, a primeira onda seria caracterizada pelo fato de terem sido desenvolvidos estudos de base quantitativa sobre o fenômeno da variação linguística focalizando especialmente dialetos regionais e étnicos, assim como a mudança linguística. Exemplos de estudos brasileiros que podem ser considerados como representantes desta primeira onda podem ser encontrados na Revista ALFA, n. 56, de 2012 , organizada pelo professor Sebastião Carlos Leite Gonçalves, da UNESP de S. J. de Rio Preto e por mim. Esse volume apresenta alguns dos importantes resultados de pesquisa desenvolvida, ao longo das últimas quatro décadas, por grupos de pesquisadores que assumem pressupostos centrais da Sociolinguística Variacionista e que desenvolvem análises do fenômeno da variação linguística com base em bancos de fala: os pesquisadores do Programa de Estudos sobre o Uso da Língua (PEUL), do Projeto Variação Linguística Urbana do Sul (VARSUL), do Projeto Português Falado na Cidade de Vitória (PORTVIX), do Projeto Variação Linguística no Centro-Oeste (VALCO), do Projeto ALIP (Amostra Linguística do Interior Paulista), do Projeto Variação Linguística do Estado da Paraíba (VALPB), do Grupo de Estudos em Pesquisa Sociolinguística da USP (GESOL-USP), do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), Grupo de Pesquisa de Descrição Sócio-Histórica das Vogais (do Brasil) (PROBRAVO). 

Segunda Onda

Para Eckert (2005) , na segunda onda, o fenômeno da variação passa a ser visto como recurso para a construção dos significados sociais na e por meio da linguagem. De forma a contemplar esses objetivos, os pesquisadores passam a focar o fenômeno de variação linguística em comunidades menores, observadas por períodos de tempo razoavelmente longos, com o objetivo de encontrar as variáveis locais significativas. Essa forma de conceber o estudo da variação leva a uma nova interpretação do fenômeno da mudança linguística, agora analisada no interior do sistema de significação social do qual faz parte. Para a autora, o primeiro trabalho desenvolvido nessa perspectiva é o estudo de Labov (1963) na ilha Martha Vineyard, além de seus próprios trabalhos (Eckert, 1989; 2000) , dentre outros. Essa segunda onda de estudos sobre variação estabelece conexão entre as “grandes fotografias” produzidas pelos estudos labovianos e as dinâmicas locais.

Terceira Onda

Por fim, para apresentar como Eckert pensa a terceira onda, cito aqui o trabalho de Nogueira (2010, p. 21-22) : “Na base do que Eckert chama de “terceira onda” estaria a compreensão da linguagem enquanto prática, instituição produzida e reproduzida no curso dos encontros sociais. Para a linguista, a relação entre competência linguística individual e língua só pode ser compreendida quando se tem em mente as variadas comunidades nas quais os indivíduos se engajam. Desde comunidades menores com que ele trava contato mais íntimo, até mesmo comunidades globais, como, por exemplo, “a comunidade de falantes de língua portuguesa”. Dessa observação, Eckert (2005) conclui que, como já observara Hebdige (1984) , “o estilo é uma prática de bricolagem por meio da qual os indivíduos combinam uma ampla gama de recursos disponíveis, de modo a construir novos significados, ou ainda distorcem significações antigas de modo a criar novas. Essa prática envolve a habilidade de construir significados mais locais pela manipulação de recursos de ampla disponibilidade nos mercados linguísticos (ECKERT, 2005, p. 24). Portanto, ao entender essa atividade como prática contínua de construção e reconstrução dos significados das variáveis, Eckert (2005) propõe que nos voltemos a compreender não as convenções, mas sim o processo de convencionalização. Em outras palavras, a autora propõe que tentemos compreender não os significados indiciados pelas variáveis, mas o processo por meio do qual as variáveis podem indiciar esses significados” (ECKERT, 2005, p. 24). 

 

IHU On-Line – De acordo com um de seus artigos, a atual agenda dos estudos sociolinguísticos trabalha a partir das mudanças de perspectivas da identidade e do papel da linguagem. A senhora poderia falar um pouco sobre essas transformações? Como elas se refletem nas pesquisas?

Anna Christina Bentes - Em minhas pesquisas procuro compreender como a linguagem tem um papel muito importante na configuração de identidades sociais, tipificando-as mesmo que local e emergentemente. Um exemplo disso são as análises que desenvolvi, junto com queridas orientandas, sobre a fala do rapper paulista Mano Brown em diferentes contextos. Os nossos estudos mostram como o rapper se movimenta entre os diversos conflitos com os quais se depara cotidianamente. Um exemplo é a análise que fizemos (Bentes, Ferreira-Silva e Mariano, 2014)  de determinados recursos textuais e discursivos mobilizados por Mano Brown, em entrevista concedida ao programa televisivo Roda Viva. Nossa conclusão é a de que a manipulação desses recursos corresponde, simultaneamente, a um trabalho interacional/relacional e a um trabalho discursivo de reforço identitário e estilístico. Os usos estratégicos de recursos textual-discursivos em diferentes momentos da interação ora promovem a atenuação do estilo discursivo do entrevistado, marcado pela contraposição a valores sociais preestabelecidos, ora reforçam sua identidade de protagonista de movimento social, funcionando como estratégias de impolidez destinadas a legitimar o lugar enunciativo do rapper como sujeito que não se submete a centros de valor opostos ao seu.

 

IHU On-Line – Fez parte de um de seus projetos de pesquisa a análise da linguagem popular dentro de produtos midiáticos, como o programa de auditório. De que forma avalia a inserção dessa variante linguística no espaço midiático?

Anna Christina Bentes - Desde 2008, tenho me dedicado a analisar a produção de linguagem a partir de um banco de dados que construímos no interior do Projeto “É nóis na fita: a formação de registros e a elaboração de estilos no campo da cultura urbana popular paulista” , financiado pela FAPESP no período de 2010 a 2013. Assistimos a um empoderamento das camadas populares no Brasil, especialmente durante o segundo mandato do Presidente Lula. A presença das vozes sociais historicamente excluídas em espaços de produção e de circulação da chamada língua legítima foi um sucesso momentâneo e isto aconteceu em função do contexto sociopolítico de reforço a políticas públicas afirmativas. A meu ver, as mudanças pelas quais passaram os programas televisivos Manos e Minas, da TV Cultura de São Paulo, e o Conexões Urbanas, exibido pelo Canal Multishow, é bastante visível de 2010 até hoje. A presença das vozes dos socialmente excluídos, seja em reportagens, seja no auditório (no caso do Manos e Minas), foi ficando cada vez mais rara até ser reduzida ao silêncio de antes. Trabalhos interessantes que fizeram fotografias sobre o que aconteceu no período são o de Granato (2011)  e o de Mariano (2011) .

 

IHU On-Line – O que as pesquisas sobre a linguagem popular na mídia podem revelar?  

Anna Christina Bentes - Acredito que quando falamos em linguagem popular na mídia estamos falando de vários objetos sociais. Estamos falando tanto de práticas linguísticas e comunicativas de agentes sociais que não têm trajetórias nos campos sociais mais legitimados, como também de práticas linguísticas e comunicativas de agentes sociais que passam a ser muito valorizados nas diferentes mídias (especialmente nas redes sociais) em função de suas performances e de sua produção textual multissemiótica. As pesquisas podem revelar como os sujeitos se apropriam de recursos semióticos de forma a fazerem parte da luta por legitimação social, dos embates contemporâneos sobre temas importantes para a sociedade brasileira. Se você diz “popular”, você está necessariamente falando, como nos diz Bourdieu, da ação de “ignorar as convenções e as conveniências do linguajar dominante” (ver, por exemplo, o vídeo intitulado “Não tira o batom vermelho”, de autoria de Jout Jout Prazer ), de forma a fazer com que sua “mensagem” possa atingir um número muito maior de pessoas. Quando você diz “popular”, você também está falando do fato de que “as produções linguísticas e culturais dos dominados variam profundamente segundo sua inclinação e atitude para beneficiar-se das liberdades reguladas oferecidas pelos mercados livres, ou para aceitar as obrigações impostas pelos mercados dominantes” (Bourdieu, [1983] 1996, p.26). Os estudos que venho desenvolvendo revelam que os sujeitos das camadas populares e os sujeitos que se identificam como pertencendo a minorias sociais procuram se equilibrar entre uma atitude e outra, criando, por meio de suas produções discursivas, condições para o enfrentamento da censura imposta pelos mercados dominantes. Acompanhar e compreender essa movimentação é uma tarefa urgente para todos aqueles que estudam as relações entre linguagem e sociedade.■

Leia mais...

- “A verdade é uma formulação de linguagem”. Entrevista com Alfredo Culleton, publicada na IHU On-Line 363, de 30-05-2011;

- Quando a língua se transforma em objeto de manipulação ideológica e controle social. Entrevista com Alfredo Culleton, publicada na IHU On-Line 363, de 30-05-2011.

Últimas edições

  • Edição 546

    Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

    Ver edição
  • Edição 545

    Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

    Ver edição
  • Edição 544

    Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

    Ver edição