Edição 466 | 01 Junho 2015

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Redação

A IHU On-Line apresenta seis notícias publicadas no sítio do Instituto Humanitas Unisinos – IHU publicadas entre os dias 25-05-2015 e 29-05-2015, relacionadas a assuntos que tiveram repercussão ao longo da semana.

E sopra um vento de ar puro... Os dois anos de Papa Francisco em debate

Depois de um longo inverno eclesial, um vento de ar puro e fresco sopra na Igreja. O jesuíta argentino que chegou ao Vaticano com ares de novidade tem conquistado fiéis do mundo todo, caiu nas graças da imprensa, mas também tem mexido com a Igreja, suscitando resistências e contrariedades. Assim tem sido Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco. Entender o pontificado desse bispo que veio lá “do fim do mundo”, depois de dois anos de pontificado, é o tema em debate da revista IHU On-Line. 

A edição foi publicada na semana em que ocorreu o II Colóquio Internacional Concílio Vaticano II. 50 anos, na Unisinos, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU. No evento, mais precisamente na manhã da próxima quinta-feira, serão debatidos, especificamente, “Os dois anos do pontificado do Papa Francisco à luz do Concílio Vaticano II” com a participação de especialistas brasileiros e internacionais. 

 

Valorização da sociobiodiversidade continua em segundo plano

Na última quarta-feira, 20-05-2015, a presidente Dilma Rousseff sancionou, com apenas cinco vetos, a Lei que dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado e sobre a repartição de benefícios para conservação e uso sustentável da biodiversidade. Infelizmente, com essa aprovação seguiu-se a velha fórmula da política brasileira, onde o que importa são os interesses privados e não os interesses e preocupações da sociedade.

A reportagem foi publicada pelo portal Greenpeace Brasil, 26-05-2015.

Embora importantes, os vetos presidenciais não deram conta de balancear a lei, que ainda é insuficiente para equilibrar a discrepância entre os avanços em pesquisa e desenvolvimento e o respeito à floresta e seus habitantes, especialmente do ponto de vista da repartição de benefícios e do consentimento prévio. O governo perdeu a chance de ouvir as comunidades e movimentos durante a elaboração e tramitação do texto.

Uma das questões polêmicas diz respeito à grande insegurança jurídica em relação ao consentimento prévio ao acesso do conhecimento tradicional, direito assegurado pela Convenção da Diversidade Biológica e pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho OIT. “Embora existam artigos na lei sobre o direito à consulta livre e informada, há gargalos e brechas que podem impossibilitar que isso ocorra de fato”, analisa Mariana Mota, de Políticas Públicas do Greenpeace.

 

Câmara volta atrás e autoriza doação de empresas para campanhas políticas

Após mais um dia de manobras em meio à aprovação da reforma política, a Câmara dos deputados aprovou na noite desta quarta-feira, 27-05-2015, a inclusão do financiamento empresarial de campanhas na Constituição Federal. Com a nova regra, porém, as doações só poderão ser feitas para os partidos políticos. Os candidatos, por sua vez, só poderão receber doações de pessoas físicas. Na madrugada anterior, os parlamentares haviam rejeitado a doação de empresas. O tema não estava previsto para voltar à votação, mas foi incluído pelo presidente Eduardo Cunha, fruto de uma proposta do deputado Celso Russomanno (PRB-SP), o que causou revolta em parte do parlamento.

A reportagem é de Marina Rossi e Talita Bedinelli, publicada por BBC Brasil, 28-05-2015.

Ainda na noite desta quarta, os deputados também aprovaram o fim da reeleição para os cargos Executivos. A grande maioria dos parlamentares, 452 dos 513, aprovaram a medida, que vale já para os próximos eleitos em 2016, caso passe e uma segunda votação na Casa e no Senado. Atualmente, a Constituição Federal não especifica o tipo de doação permitida. Por isso, os partidos políticos podem receber doações tanto de empresas quanto de pessoas físicas. 

 

Negros estrangeiros residentes no Brasil detonam nossa fama de “país sem racismo”

Há uma piada entre os brasileiros de que o passaporte daqui é o mais cobiçado no mercado negro porque, não importa qual a sua ascendência – asiático, africano ou europeu – você cabe nele. Mas a realidade é muito diferente.

A reportagem é de Lourdes Garcia-Navarro, publicada no sítio da NPR e republicada no blog Socialista Morena, 25-05-2015. A tradução é de Cynara Menezes. 

Estou sentada em um café com duas mulheres que não querem ser identificadas devido à delicadeza do assunto. Uma é caribenha; seu marido é um executivo norte-americano. “Eu achava que seria uma brasileira típica; mas o Brasil que você vê na mídia não é o que conheci quando cheguei”, ela me diz.

Como muitos caribenhos, ela se identifica como multirracial. A ilha de onde vem é uma mistura de raças e etnias, então ela estava eufórica de se mudar para o Brasil, que tem a fama de ser um dos lugares mais harmoniosos racialmente no mundo. “Quando cheguei, fiquei chocada ao me dar conta da enorme diferença entre raças e cores, e o que esperam de você – qual é o seu papel, basicamente – a partir da cor de sua pele”, ela diz.

Mudar-se para um novo país pode ser difícil; quando você adiciona questões raciais a isso, as coisas podem ficar ainda mais complicadas.

A outra mulher veio de Londres, e também se mudou para o Brasil por causa do trabalho do marido. Ela se autodeclara negra. “Minha pele é muito escura, então quando saio com meus filhos, às vezes as pessoas perguntam: ‘Você é a babá das crianças?’ E eu tenho de explicar a eles que não, que são meus filhos, que estou cuidando deles”, ela diz.

 

O desafio de Dublin em festa e o arcebispo admite “Agora devemos mudar”

A primeira proposta de matrimônio chega em transmissão direta no domingo de manhã pela rádio nacional: “Queres casar comigo?” pergunta Linda Cullen a Feargha Ni Bhroin, e a resposta é um “yes!” logo abafado pelos aplausos da redação. O casal de lésbicas irlandesas não perdeu tempo após a esmagadora vitória do “sim” às núpcias gay, aprovadas com 62% no referendum de sexta-feira: “Convivemos há vinte anos, temos duas filhas e o matrimônio é importante para sentir-se realmente uma família igual a todas as outras”.

A reportagem é de Enrico Franceschini, publicada no jornal La Repubblica, 25-05-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Para que a cerimônia seja efetivamente celebrada por um oficial de estado civil deverão esperar alguns meses: o parlamento deve modificar a constituição e a fórmula dará a opção de tornar-se “esposos recíprocos” como também “marido e mulher”, e o primeiro rito está previsto para o Natal. Mas, no dia após o voto sim já se advertem as consequências de um terremoto epocal, a partir da primeira reação da Igreja católica. É o arcebispo de Dublin, Diarmuid Martin, um dos mais altos prelados da Irlanda, quem reconhece que a ilha mudou e que também a Igreja deve consequentemente mudar.

 

Eleições em Barcelona e Madri marcam a virada política na Espanha. As duas prováveis prefeitas eleitas são herdeiras de movimentos sociais

Manuela Carmena, uma juíza aposentada com prestígio que usa o metrô e que escapou de uma matança fascista em 1977, e Ada Colau, uma ativista especializada em paralisar despejos hipotecários de pessoas que ficariam sem casa, serão, previsivelmente, as novas prefeitas de Madri e Barcelona. São os principais símbolos da tempestade política que atingiu a Espanha nas eleições municipais e regionais deste domingo.

A reportagem é publicada pelo jornal El País, 25-05-2015.

No caso de Madri, Carmena necessitará do apoio do Partido Socialista (PSOE) para governar. Tudo aponta que será assim. Os resultados oficiais, com 99% dos votos apurados, refletem uma situação de quase empate na capital Madri entre o conservador Partido Popular (PP), o partido do presidente Mariano Rajoy (34,4% e 21 vereadores de 57) e Ahora Madrid, uma coalizão de movimentos cidadãos comandados por Carmena (31,9% e 20 vereadores), assim como uma importante queda do PSOE de Antonio Miguel Carmona (15,34% e 9 vereadores) e um resultado mais pobre do que o esperado para Ciudadanos (11% e 7 vereadores), um novo partido de centro-direita. Carmena fez um discurso no domingo à noite e afirmou que “grandes mudanças ocorreriam na capital”.

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