Edição 460 | 16 Dezembro 2014

Mística, cinquentenário do Concílio Vaticano II e as metrópoles abrem o calendário de eventos do IHU em 2015

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João Vitor Santos

O Instituto Humanitas Unisinos – IHU segue a tradição e começa suas atividades em 2015 com evento relacionado à Páscoa, propondo reflexões sobre essa data tanto da perspectiva teológica como expressão sociocultural a partir do tema Ética, Mística e Transcendência. Já a partir de 2 abril de 2015, as discussões se voltam para as grandes cidades. É o ciclo de estudos Metrópoles, Políticas Públicas e Tecnologias de Governo – Territórios, governamento da vida e o comum. A proposta é olhar para a metrópole como um tecido vivo, não somente através de uma perspectiva política ou arquitetônica. O cinquentenário do XXI Concílio Ecumênico da Igreja Católica é o tema do colóquio internacional O Concílio Vaticano II: 50 anos depois. A Igreja no contexto das transformações tecnocientíficas e socioculturais da contemporaneidade. Iniciando a partir de 19 de maio, o evento busca repensar o papel da Igreja nessa ebulição de transformações do mundo moderno.

Páscoa enquanto narrativa mística

O próximo evento de Páscoa do IHU ocorre de 11 a 26 de março de 2015. O tema é Ética, Mística, Transcendência. Mas o que esse assunto tem a ver com a ressurreição de Cristo? Para o teólogo e professor Renato Ferreira Machado, um dos organizadores, a Páscoa é um momento místico, pois “a experiência na ressurreição é uma experiência mística. É o que chamamos de mistério pascal”, completa. Entretanto, o objetivo não é apenas olhar do ponto de vista teológico, mas sim trazer essa ideia de experiência mística para o humano, como algo que faz parte da existência. “É uma forma de viver a vida em seu sentido pleno”, completa.

A programação de todo o evento é pensada nessa lógica. Renato destaca algumas atividades que sustentam esse objetivo. O passo inicial é dado a partir das discussões em torno da vivência de Teresa de Ávila e Thomas Merton, expoentes da mística nupcial na igreja Católica. Debates sobre a temática ocorrem também a partir da linguagem cinematográfica. Por meio da exibição de filmes, será possível conhecer e discutir outras experiências místicas mais da ordem do humano. Por fim, a audição comentada da Missa Crioula vai trazer a ideia de que a mística da liturgia pode ser relida a partir da especificidade de cada cultura, como a latino-americana.

O encontro destina-se a pesquisadores, professores e alunos e também ao público geral. Os detalhes do evento e a programação completa estão disponíveis no sítio do IHU. Acesse http://bit.ly/PasIHU2015. 

A metrópole como um tecido vivo

É das grandes cidades que emanam as manifestações mais claras da relação entre sociedade, o ser humano e o seu meio. O ciclo de estudos Metrópoles, Políticas Públicas e Tecnologias de Governo – Territórios, governamento da vida e o comum quer olhar para essa relação e debater de modo transdisciplinar, à luz de diferentes abordagens teórico-metodológicas, os problemas e as possibilidades nas metrópoles contemporâneas. 

Antropólogo e um dos organizadores do ciclo, Caio Coelho explica que se quer provocar olhares para toda a amplitude das metrópoles. “Se formos usar o exemplo de um prédio, não é olhar para ele apenas do ponto de vista histórico e arquitetônico. É olhar para ele com a relação das pessoas que o frequentam ou que circulam em seu entorno”, completa. Parte-se de uma perspectiva da metrópole como ser vivo, um tecido pulsante muito mais voltado para as relações entre os habitantes deste ambiente.

Serão nove encontros, que iniciam no dia 2 de abril e seguem até 9 de junho de 2015. A programação completa com as datas de cada um dos ciclos está disponível no sítio do IHU, em http://bit.ly/IHUMetropoles. Inscrições e mais detalhes do evento podem ser solicitados através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

O Concílio Vaticano II na contemporaneidade

Em 1961, quando o Papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II, a Igreja se viu em um momento de reflexão. Para muitos, este foi o embrião de uma mudança na Igreja que busca se alinhar às discussões e às necessidades da sociedade. Porém, há quem sustente que os resultados ainda não foram totalmente compreendidos nos dias de hoje. Acrescente a isso as transformações tecnocientíficas e socioculturais que a contemporaneidade impõe a cada dia com mais rapidez. Esse é o contexto em que se desenvolverá o II Colóquio Internacional do IHU, que vai de 19 a 21 de maio, com o tema O Concílio Vaticano II: 50 anos depois. A Igreja no contexto das transformações tecnocientíficas e socioculturais da contemporaneidade. Quatro teólogos de renome internacional virão ao evento: John O’Malley – Georgetown University – EUA, Gilles Routhier – Université Laval – Canadá, Christoph Theobald – Centre Sèvres – Facultés Jésuites de Paris – França e Massimo Faggioli – University of St. Thomas – EUA. 

A teóloga Cleusa Andreatta, reconhece que “as grandes intuições do Concílio ainda não foram postas em prática”. No entanto, ressalta que o evento não quer tomar o resultado desse processo como uma cartilha — escrita na década de 60 — a ser aplicada hoje. “É muito mais conceitual. É colocar a Igreja de hoje de forma mais dialógica com a sociedade. É o espírito de intuição, os modos de proceder do Concílio que nos inspirarão a pensar daqui para frente”, conclui.

O evento é aberto a pesquisadores e interessados pelo tema. A programação completa está no sítio do IHU. Acesse http://bit.ly/50anosconcilio. 

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