Edição 454 | 15 Setembro 2014

A economia e o paradoxo da felicidade

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Redação

A colonização do econômico, e neste do setor financeiro, sobre todas as dimensões da vida humana é que faz emergir a pergunta pela felicidade. O Paradoxo da Felicidade evidencia que não há uma relação direta entre o enriquecimento de um País e a felicidade de seu povo. Ou seja, erigir o Produto Interno Bruto – PIB - como categoria e critério de uma política econômica é um engano. Uma economia que está a serviço da sociedade e da pessoa humana, e não o contrário, exige outras categorias e critérios que levem em conta a felicidade dos seres humanos.

Na discussão do tema central da IHU On-Line desta semana, participam professores e pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento.

Castor Bartolomé Ruiz, professor nos cursos de graduação e pós-graduação em Filosofia da Unisinos, reflete sobre a lógica sacrifical em Agamben e, especialmente, em Benjamin para propor a dívida e a culpa como dispositivos biopolíticos de governo da vida pelo Capital.

Hervé Kempf, jornalista e ensaísta francês, alega que mais do que em uma democracia ou mesmo uma ditadura, vivemos atualmente em uma oligarquia bancária, cuja defesa das potências financeiras tende a nos encaminhar à própria destruição.

John Ralston Saul, ensaísta e filósofo canadense, afirma que precisamos dar atenção a uma distribuição mais interessante dos bens e a uma passagem gradativa da produção em massa para a produção com qualidade, capaz de gerar mais empregos e com melhor qualificação.

Cláudio Oliveira da Silva, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal Fluminense – UFF, propõe, a partir de Agamben, que a ideia de estado mínimo e da mão invisível do mercado estariam relacionadas com a decadência da dimensão política — que se torna subjugada à economia. Isso leva a uma animalização do humano, implicando no que o filósofo chama de zoopolítica.

Richard Easterlin, criador do Paradoxo da Felicidade, argumenta que o Produto Interno Bruto de um País mensura somente bens ou mercadorias, sem levar em conta critérios “não materiais” como família, vida e saúde.

Por fim, o artigo de Stefano Zamagni, professor da Universidade de Bolonha, Itália, e vice-diretor da sede italiana da Johns Hopkins University, defende as bases para uma Economia Civil fundamentada não mais na “dicotomia público-privado” (Estado e mercado), mas na “tricotomia público, privado e civil” — organizações e corpos sociais intermediários.

Três entrevistas completam a edição.

Ivan Izquierdo, professor de Medicina e coordenador do Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica – PUCRS, descreve a importância da memória para a vida humana e os modos como esta é impactada pela tecnologia.

Nísia Martins do Rosário, professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, reflete sobre as representações do corpo nas audiovisualidades.  Para ela, o imaginário do corpo na contemporaneidade é dirigido pelo capitalismo tardio, que aplica a regra da liberação do fluxo do desejo para atingir o consumo.

José Roque Junges, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, comenta o livro "A Política da própria Vida: Biomedicina, Poder e Subjetividade no Século XXI" de Nikolas Rose. O livro será apresentado e comentado pelo professor da Unisinos no dia 23 de setembro. Nikolas Rose é um dos conferencistas que participará do XIV Simpósio Internacional IHU: Revoluções tecnocientíficas, culturas, indivíduos e sociedades. A modelagem da vida, do conhecimento e dos processos produtivos na tecnociência contemporânea, nos dias 21 a 23 de outubro.

A todas e a todos uma boa leitura e uma excelente semana!

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