Edição 447 | 30 Junho 2014

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Redação

Entrevistas especiais feitas pela IHU On-Line no período de 23-06-2014 a 27-06-2014, disponíveis nas Entrevistas do Dia do sítio do IHU.

“Não estamos caminhando para uma sociedade homogênea, medianizada, mas para uma sociedade mais polarizada”
Entrevista com Márcio Pochmann, doutor em Economia, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp
Publicada no dia 27-06-2014

O cenário econômico e social brasileiro “repete o que ocorreu no pós-guerra nos países desenvolvidos”, assinala Márcio Pochmann ao analisar as políticas públicas que favoreceram a ascensão econômica de uma parcela da população. “O que está acontecendo no país é a pauta que o novo sindicalismo foi construindo desde as greves dos anos 1970, ou seja, crescimento dos salários de acordo com a produtividade mais a inflação, melhora nas políticas de renda, etc. Tudo isso permitiu uma ampliação do acesso ao consumo, melhorou a renda, o emprego”, aponta o economista. Na avaliação dele, o crescimento do setor de serviços com base em baixos salários e a queda da participação do setor industrial no Produto Interno Bruto (PIB) são fatores que impedem a transição de uma classe trabalhadora para uma classe média assalariada no país. “O que se tem visto no Brasil desde a primeira década deste século é uma difusão de empregos não vinculados à indústria, mas aos serviços — pessoais, sociais, de distribuição —, cujo emprego é de menor qualidade do que aquele vislumbrado na indústria. Tanto é que, dos 22 milhões de empregos que o Brasil gerou, 95% são relacionados à faixa de até dois salários mínimos mensais”, destaca.

A ecologia econômica como alternativa às desigualdades
Entrevista com Gaël Giraud, padre jesuíta francês, economista, professor associado na ESCP-Europe, membro do Centro de Economia da Sorbonne e da Escola de Economia de Paris
Publicada no dia 25-06-2014

“A ecologia econômica parece estar atualmente numa via mais promissora. Ela não é nem marxista, nem neoliberal. O seu objeto é a realidade de um planeta que nós estamos em vias de destruir. E não temos outro. A maior parte dos economistas dos dias de hoje já compreendeu que a transição ecológica é inseparável de uma transição social”, sustenta o professor Gaël Giraud. Para ele, os mais ricos, independentemente dos países, são os que mais poluem o planeta, causando, portanto, a destruição do clima e da biodiversidade, o que resulta em um processo de desumanização. “A miséria afunda os mais pobres num inferno e a ultrarriqueza isola os mais ricos num gueto separado do resto da humanidade, em pânico de perderem o seu conforto, incapazes de participar de um projeto histórico e político que ultrapasse as dimensões que são próximas da sua vida de luxo. Praticar a justiça é uma libertação não somente das vítimas como também dos carrascos”, aponta.

Reciclagem de resíduos sólidos: a propaganda é bonita, mas o processo explora os catadores
Entrevista com Alex Cardoso, membro do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis e integrante da Coordenação do Fórum de Catadores de Porto Alegre – FCPOA
Publicada no dia 24-06-2014

Quatro anos depois da publicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, “menos de 40 municípios contrataram catadores para realizar a coleta seletiva” e apenas 34% deles fizeram um Plano Municipal de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos, informa Alex Cardoso. Na avaliação dele, a implantação da PNRS está caminhando a passos lentos, “porque os gestores municipais e estaduais não estão enxergando os benefícios ambientais e sociais que a política traz”. Além disso, pontua, “as prefeituras subestimam as pessoas, pensando que a pobreza está interligada à questão da inteligência. Elas pensam que, porque as pessoas estão em uma situação de exclusão e de extrema pobreza, são burras”. Ele mesmo completa: “a prefeitura de Porto Alegre entrega a coleta seletiva para uma empresa privada pela bagatela de meio milhão de reais por mês, enquanto outros municípios, a exemplo de Caxias do Sul, pagam 400 mil reais por mês para uma empresa fazer a coleta seletiva, sem enxergar o trabalho que os catadores podem desenvolver com muito mais qualidade e eficiência”.

Demanda energética brasileira e a necessidade de um sistema hidrotérmico
Entrevista com Claudio Sales, engenheiro industrial, presidente do Instituto Acende Brasil, Observatório do Setor Elétrico Brasileiro
Publicada no dia 23-06-2014

Uma análise da situação financeira do setor elétrico brasileiro possibilita chegar à conclusão de que ela “não é sustentável, porque a receita que o setor obtém não está sendo suficiente para arcar com todos os seus custos”. Esta é a avaliação de Claudio Sales, que aponta entre os fatores causadores desta situação “a questão do armazenamento de energia, que está impondo que o Operador Nacional do Sistema Elétrico decida por acionar praticamente a totalidade do parque termelétrico de forma contínua. Isso traz um sobrecusto muito grande para o setor, que, no limite, se reflete nesse desbalanço que atualmente já atinge a casa de muitos bilhões de reais”. Conforme ele, tendo em vista que a demanda de energia vem aumentando nos últimos anos e que a quantidade de hidrelétricas não pode aumentar no mesmo ritmo, é preciso investir “mais e melhor” na construção de termelétricas. “É possível pensar em usinas de maior porte, com gás natural, ciclo combinado, até mesmo carvão”, para abastecer de maneira mais econômica, social e ambiental a energia de que o país precisa, afirma o engenheiro.

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