Edição 437 | 17 Março 2014

1964. Um golpe civil-militar. Impactos, (des)caminhos, processos

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Redação

Quisera este editorial jamais ter sido escrito. Quisera o horror da tortura, da perseguição, da morte ser um pesadelo escuro que se dissolve com o abrir dos olhos ao amanhecer. Uma sofisticada e complexa articulação civil-militar, com a participação de federações, entidades patronais, partidos políticos, embaixadores, presidentes, militares e mesmo a imprensa, levou o Brasil à escuridão de uma noite com mais de 20 anos.

O Instituto Humanitas Unisinos - IHU, por meio de duas edições da IHU On-Line (esta e um segundo número, a ser lançado em 31-03-2014), assim como do Ciclo de Estudos 50 anos do Golpe de 64: Impactos, (des)caminhos, processos, faz mais do que resgatar a história e seus impactos em nossas sociedades. Busca realizar um manifesto à memória, à vida e ao direito de ser e viver em um país livre. Em sinal de respeito a todas as vítimas — os sobreviventes e os que tiveram menos sorte —, apresentamos esta edição.

Jorge Ferreira, professor da Universidade Federal Fluminense, resgata a história do país e traça um panorama das disputas pelo poder no Brasil republicano. 

Carlos Fico, professor titular de História do Brasil na UFRJ, analisa as articulações políticas e militares entre Brasil e Estados Unidos que culminaram com o Golpe Civil-Militar de 1964. 

Pedro Cezar Fonseca, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, defende que a apropriação das reformas de Jango pelos militares mostra a relevância de sua implementação — que só não ocorreu anteriormente por motivos estritamente políticos. 

O professor Rodrigo Patto Sá Motta, da Universidade Federal de Minas Gerais, explora os impactos do regime na educação universitária do país, que seguia paralelamente modelos autoritários e modernizadores.

Cecília Coimbra, psicóloga e diretora da ONG Tortura Nunca Mais, destaca a vigência da violência naturalizada durante a Ditadura Militar, mas que sempre fez parte da historiografia do país. 

João Vicente Goulart, diretor do Instituto Presidente João Goulart, por sua vez, aborda a importância do comício de Jango na Central do Brasil e defende que o golpe não foi contra a presidência, mas contra o povo brasileiro.  

Historiador e autor de livros sobre Dom Hélder Câmara, Nelson Piletti descreve o papel do arcebispo de Olinda e Recife na resistência à ditadura militar. 

Egydio Schwade, um dos fundadores do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, destaca o histórico da entidade e sua luta contra a violência da política indigenista brasileira, que segue moldes militares.  

Complementam esta edição entrevistas com Helio Amorim, ex-vice-presidente Mundial do Movimento Familiar Cristão, a respeito do Sínodo Extraordinário sobre a Família; com a professora de Direito Internacional da Universidade de São Paulo Deisy Ventura, que critica as leis antiterrorismo; e um artigo de Castor Ruiz, professor e pesquisador do PPG em Filosofia da Unisinos, descrevendo a genealogia do governo e da economia política a partir de Foucault. 

A todas e a todos uma boa leitura e uma excelente semana!   

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