Edição 429 | 15 Outubro 2013

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Redação

Entrevistas especiais feitas pela IHU On-Line no período de 07-10-2013 a 11-10-2013, disponíveis nas Entrevistas do Dia do sítio do IHU (www.ihu.unisinos.br).

Soja transgênica: “lavouras tomarão banhos dos três venenos”

Entrevista especial com Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural e doutor em Engenharia de Produção pela UFSC e membro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.

Confira nas notícias do dia 07-10-2013

A liberação da semente de soja transgênica da multinacional Dow Agrosciences, imune ao glifosato, ao glufosinato de amônia e ao 2,4-D, está em pauta na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CNTBio e, de acordo com o engenheiro agrônomo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Leonardo Melgarejo, deve ser votada ainda este ano. As sementes transgênicas já são tolerantes ao glifosato e ao glufosinato de amônia. A novidade é a resistência ao 2,4-D, um herbicida que só funciona para plantas de folhas largas.

Melgarejo explica que, “na prática, os conceitos não mudam, se trata de adoção da mesma lógica que deu base à soja RR: uma planta modificada para tomar um banho de um veneno que mata outras plantas eventualmente presentes na mesma área. A diferença é que, neste caso, teremos uma planta que receberá banhos de três herbicidas diferentes, sendo que um deles é da classe toxicológica 1, categoria reservada aos produtos extremamente perigosos”, explica Leonardo Melgarejo em entrevista, concedida por e-mail à IHU On-Line. 

 

Greve dos professores: “não é apenas por salário”

Entrevista especial com Silvio Pedrosa, professor da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro

Confira nas notícias do dia 08-10-2013

"O movimento grevista é um movimento que luta pela educação pública e, portanto, luta pelas centenas de milhares de crianças que frequentam a rede municipal", afirma o professor do Rio de Janeiro Silvio Pedrosa. Em entrevista por e-mail à IHU On-Line ele defende que a greve da educação municipal do Rio de Janeiro é paradigmática. Isto porque demonstra que “não se trata apenas de ‘mais dinheiro para a educação’ ou de ‘melhorias salariais’. Trata-se de promover uma educação pública e democrática, rejeitando a política meritocrática e seus mecanismos de avaliação pedagógicos, completamente atrelados aos fundos de recursos públicos respeitantes à educação”. Dentro desta lógica, conforme o entrevistado, a crítica é que se pensa antes nas estatísticas e em seu aproveitamento político do que nas reais condições de efetivação da educação pública. Na entrevista, Pedrosa explica a proposta do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração - PCCR e quais os principais pontos de divergência entre os professores e o Executivo. 

 

Lampedusa: o estado de exceção que se tornou a regra 

Entrevista especial com Flávia Costa, professora da Universidade de Buenos Aires - UBA. 

Confira nas notícias do dia 09-10-2013

 “A novidade da política moderna é que a exceção se tornou a regra”, afirma a professora Flávia Costa, da Universidade de Buenos Aires. “Aquilo que aparecia incluído mediante sua exclusão aparece agora indiferenciado com respeito ao seu oposto: o estado civil, o 'humano' no homem”. A reflexão da professora diz respeito ao recente acontecimento em Lampedusa, na Itália, onde morreram cerca de 300 pessoas escapando de suas terras, local onde um “estado de exceção se tornou a regra” — uma referência ao conceito do filósofo italiano Giorgio Agamben.

Na entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail, a pesquisadora explica que o estado de exceção “é, neste sentido, o dispositivo que mantém unidos violência e direito e, ao mesmo tempo, quando se realiza, o que rompe essa unidade. "O totalitarismo moderno se define como a instauração de uma guerra civil legal através do estado de exceção, e isso ocorre tanto para o regime nazi como para a situação em que se vive nos Estados Unidos desde que George W. Bush emitiu, em 13 de novembro de 2001, uma military order que autoriza a 'detenção indefinida' dos não cidadãos estadunidenses suspeitos de atividades terroristas”, complementa. 

 

Absurdo à vista. "Extraordinário será ter um empregado e ordinária será a terceirização".

Entrevista especial com Paulo Luiz Schmidt, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho – Anamatra e juiz do Trabalho no Rio Grande do Sul.

Confira nas notícias do dia 10-10-2013

“A terceirização pode ser tratada como algo muito excepcional, e não como rotina e como sendo natural. Do modo como se pretende, extraordinário será ter um empregado e ordinária será a terceirização, o que é um arrematado absurdo”, declara o presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho – Anamatra, Paulo Luiz Schmidt, à IHU On-Line. Para ele, a principal “motivação da terceirização”, a partir da tentativa de aprovar o Projeto de Lei nº 4330/04, é diminuir os custos das empresas, transformando o “‘custo fixo’ dos salários em ‘custo variável’, objetivamente para menos e com piores condições de trabalho”.

Na entrevista, o presidente da Anamatra enfatiza que “um exame do PL 4330/04, sem paixões e sem aprofundar interesses privados, indica que o projeto, de fato, não se compatibiliza com os interesses nacionais, com a Constituição, nem com as normas internacionais da Organização Internacional do Trabalho – OIT, das quais o Brasil é signatário. Basta ver, por exemplo, a potencialidade que tem de comprometer, como efeitos conexos, a arrecadação previdenciária e a capacidade de compra do trabalhador, enfraquecendo o mercado interno em tempos de crise”.

 

Hidrelétrica de Teles Pires. “A floresta é destruída sem cerimônia e deixa a terra nua, vulnerável e sangrando”

Entrevista especial com Telma Monteiro, especialista em análise de processos de licenciamento ambiental e coordenadora de Energia e Infraestrutura Amazônia da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé. 

Confira nas notícias do dia 11-10-2013

“Os impactos negativos e mal dimensionados nos estudos são recorrentes em todos os projetos hidrelétricos que estão sendo licenciados”, afirma a especialista em análise de processos de licenciamento ambiental Telma Monteiro. A determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região de paralisar as obras da usina hidrelétrica de Teles Pires está relacionada à falta do Estudo do Componente Indígena – ECI, apesar de a Licença Prévia para a construção da hidrelétrica ter sido concedida pelo Ibama em 2010. De acordo com Telma Monteiro, “o Ibama emitiu a Licença Prévia e a Licença de Instalação sem o ECI, que deveria ser parte integrante do EIA/RIMA”.

Na entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail, Telma esclarece quais são os principais equívocos em torno da construção da hidrelétrica e chama a atenção para o trecho do rio Teles Pires onde será construído o reservatório da usina. Na avaliação dela, o local é “mal estudado”, uma vez que a “área é constituída por ambientes naturais preservados, em especial nas encostas que desaguam no rio. O canteiro de obras, a barragem e as demais estruturas já começaram a induzir ao desmatamento e à ocupação irregular”.

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