Edição 426 | 02 Setembro 2013

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Redação

Entrevistas especiais feitas pela IHU On-Line no período de 26-08-2013 a 30-08-2013, disponíveis nas Entrevistas do Dia do sítio do IHU (www.ihu.unisinos.br).

“João Goulart foi, antes de tudo, um herói”

Entrevista especial com Juremir Machado, escritor, jornalista e historiador, doutor em Sociologia pela Universidade de Paris V: René Descartes, professor do curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social – Famecos e coordenador do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUC-RS.

Confira nas notícias do dia 26-08-2013

Na avaliação de Juremir Machado, Jango queria “adotar uma política de reformas, uma política inspirada nas próprias encíclicas papais do século XIX, no desenvolvimento social da social democracia Inglesa, que no mundo em desenvolvimento eram absolutamente normais”.

Para o jornalista, autor do livro Jango. A vida e a morte no exílio (L&PM, 2013), lançado em junho, João Goulart deveria ser considerado um “herói”, já que em duas ocasiões “livrou o Brasil de uma guerra civil”. Em 25-08-2013, completaram-se 52 anos da renúncia do então presidente Jânio Quadros, razão pela qual João Goulart assumiu a presidência da República após negociações com os militares, mas num sistema parlamentarista. Conforme Juremir, Jango “era um sujeito de ponderar, de pesar, de equilibrar” e por isso aceitou a conciliação proposta. “Se Jango quisesse realmente exacerbar as coisas, ele poderia ter levado o país a um conflito que resultaria em milhares de mortes”. O jornalista afirma que a figura de presidente hesitante, covarde, incompetente e corrupto, que alguns tentaram impor a João Goulart ao longo da história, em nada confere com a realidade. “Era um homem de convicções, de personalidade; ele não era um radical, ele era um moderado que pesava, que ponderava, que tinha suas ideias, que tomava decisões, não tinha nada de covarde”, enfatiza Juremir Machado.

 

D. Luciano Mendes de Almeida. 7 anos depois da sua morte. Um testemunho

Entrevista especial com Lúcio Álvaro Marques, presbítero da Arquidiocese de Mariana, mestre em Teologia Patrística pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia - Faje e doutorando em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP.

Confira nas notícias do dia 27-08-2013

D. Luciano Mendes de Almeida “não falava só na dignidade com um discurso pró-forma, não só uma dignidade defendida, pura e simplesmente. Mas em uma dignidade pensada em toda a sua amplitude”, afirma o teólogo Lúcio Álvaro Marques. “D. Luciano, para a nossa arquidiocese e para aqueles que o conheceram, deixou dois legados maravilhosos: enquanto religioso, ser um pastor; e como cidadão, foi alguém que sempre lutou pelos direitos da pessoa e da sociedade”, completa ele na entrevista que lembra os sete anos de falecimento de D. Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana-MG. Segundo Marques, D. Luciano Mendes de Almeida “estava preocupado em ajudar as pessoas a se reinventarem no mundo, preocupado em dar a elas as oportunidades para que vivessem dignamente”. Lúcio Álvaro Marques, juntamente com José Carlos dos Santos, é organizador do livro Dizer o testemunho. V. I. Dom Luciano Mendes de Almeida (Paulinas, 2013), no qual reúne artigos publicados entre 1984 e 2006 no jornal Folha de S. Paulo. De acordo com ele, os textos demonstram que “D. Luciano nunca abriu mão da compreensão e do diálogo, seja na política, no encontro com as pessoas, e em todos os aspectos fundamentais. Nunca optava por uma definição prévia e categórica; preferia ouvir primeiro o outro, para só então tomar uma decisão”.

 

PL 4330: “Queremos uma regulamentação que proíba a terceirização da atividade fim”

Entrevista especial com Marilane Teixeira, formada em Economia pela Unisinos, mestre em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, doutoranda em Economia Social na Universidade de Campinas – Unicamp e assessora técnica da Confederação Nacional do Ramo Químico – CNQ.

Confira nas notícias do dia 28-08-2013

Para Marilane Teixeira, as reformulações do Projeto de Lei – PL 4330 ainda mantêm “problemas fundamentais e essenciais do projeto original, elaborado em 2004 pelo deputado Sandro Mabel (PMDB-GO)”, pois “as mudanças feitas até então foram performáticas, não alteram a essência do projeto. Quer dizer, a terceirização, na forma como está sendo proposta, se estende para a atividade fim da empresa e admite a terceirização pelo conjunto das atividades da contratante”. A economista critica justamente essa possibilidade de terceirização em atividades permanentes e necessárias da empresa, ao passo que a lei atual prevê a terceirização apenas em serviços como os de limpeza, conservação e vigilância. “As centrais sindicais têm um projeto para a terceirização, elaborado em 2009, o qual foi entregue ao Executivo e está parado na Casa Civil”, lembra Marilane. Ela destaca que os argumentos favoráveis à terceirização mudam de acordo com a ocasião. Na década de 1990, “quando começou o debate da terceirização, o argumento do empresariado era de que o excesso de rigidez no mercado de trabalho não gerava postos de trabalho e de que a crise do desemprego tinha suas causas na rigidez”. Hoje, conforme a economista, estes empresários defendem o princípio da especialização, caracterizado como a necessidade de se buscar no mercado empresas especializadas em determinada área.

 

Matriz energética brasileira em transição. Uma aposta nuclear?

Entrevista especial com Otávio Mielnik, coordenador de estudos na área de energia da Fundação Getúlio Vargas - FGV Projetos, autor do estudo da FGV intitulado o Futuro Energético e a Geração Nuclear.

Confira nas notícias do dia 29-08-2013

“A diversificação das fontes energéticas é um imperativo para que haja uma evolução equilibrada da matriz elétrica”, opina Otávio Mielnik, para quem a energia nuclear pode alcançar um percentual significativo na matriz energética brasileira nas próximas duas décadas, “tanto por seu desempenho operacional e confiabilidade (gerando energia 90% do ano), quanto por apresentar um custo de geração competitivo (fortalecendo a segurança econômica do sistema de geração elétrica) e por contribuir para a segurança ambiental (porque não emite gases de efeito estufa)”. Por outro lado, para ele, “há limites evidentes em prosseguir a expansão do sistema elétrico do país com base na hidroeletricidade”, porque, na sua avaliação, “a maior parte dos recursos hídricos a ser equipada com usinas hidrelétricas encontra-se na Amazônia e no Cerrado, áreas com grande sensibilidade ambiental, próximas de terras indígenas e situadas a grande distância (cerca de 2 mil quilômetros) dos centros de consumo”. Conforme Mielnik, estimativas apontam para um crescimento da demanda de energia elétrica entre 3% e 4% ao ano no período de 2013 a 2040. “Isso significa que há necessidade de se organizar desde já um processo de transição que permita atender o crescimento da demanda em bases sustentáveis. Sustentabilidade que seja física, mas também tecnológica, econômica e financeira”.

 

"Bingos e rifas viraram sinônimos de exames médicos"

Entrevista especial com o padre Djacy Brasileiro, graduado em Filosofia e Teologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Cajazeiras – FAFIC.

Confira nas notícias do dia 30-08-2013

Djacy Brasileiro é pároco na cidade de Pedra Branca, localizada no sertão da Paraíba. A região, assim como várias outras no interior do país, sofre com a falta de médicos. “Na minha caminhada de padre por este sertão paraibano, tenho presenciado cenas dramáticas de pessoas gritando por socorro médico, e nada de atendimento. Só quem vive com o povo pobre sabe de sua dor, de seu sofrimento, de seu desespero na hora da doença”, afirma o padre, que, exatamente por vivenciar os problemas enfrentados pelas famílias em situação de vulnerabilidade social, é favorável ao Programa Mais Médicos, do governo federal. “Com a vinda dos médicos estrangeiros, tenho a absoluta convicção de que as pessoas humildes terão assistência médica em qualquer hora do dia ou da noite”, avalia. Na entrevista, o padre Djacy relata a situação da saúde pública na Paraíba, marcada pela falta de hospitais e de profissionais especializados. “Os governantes nunca investiram pesadamente em política de saúde pública. Parece que saúde para o povo pobre nunca foi prioridade para os detentores do poder”, pondera ele, antes de acrescentar: “É lamentável que famílias e amigos de alguns pacientes façam bingos, rifas, visando adquirir dinheiro para pagar um exame ou uma cirurgia. Isso acontece muito no sertão paraibano. Bingos e rifas viraram sinônimos de exames médicos ou cirurgias”.

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