Edição 421 | 04 Junho 2013

Transparência e responsabilidade na governança corporativa

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Ricardo Machado

Para conselheiro do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC, a sociedade contemporânea exige posicionamentos responsáveis das empresas

Mais do que pensar o papel das empresas em nossas sociedades, os gestores contemporâneos precisam ter em conta fatores externos ao negócio, como a interferência das atividades das empresas nas comunidades. Nesse sentido, um dos conselheiros do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC, Carlos Eduardo Lessa Brandão, destaca que as empresas precisam ser transparentes e ter responsabilidade sob a sociedade civil. “A sociedade vem, cada vez mais, demandando maior responsabilidade por parte das organizações, especialmente as empresas. Nesse sentido, o autêntico desejo de informar as diversas partes interessadas da organização sobre fatos positivos e negativos, financeiros e não financeiros, evidencia uma postura de maior transparência, necessária para aumentar o grau de confiança nos relacionamentos”, avalia Carlos Eduardo, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.

Carlos Eduardo Lessa Brandão é membro do Conselho de Administração do IBGC, do Conselho de Stakeholders da Global Reporting Initiative, do Conselho Deliberativo do ISE – BM&F Bovespa e do Comitê Técnico da Global Initiative for Sustainability Ratings. Por 18 anos atuou como executivo em desenvolvimento de negócios e investimentos em grandes empresas. Formado em Engenharia Civil, é mestre em planejamento energético e doutor em História e Filosofia da Ciência pela UFRJ, com MBA Executivo em Finanças pelo IBMEC e ADP pela London Business School. Além disso, atua como professor convidado da FGV e da FIA e é consultor em governança e sustentabilidade.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que é exatamente governança corporativa?

Carlos Eduardo Lessa Brandão – Governança Corporativa é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre os proprietários do capital, Conselho de Administração, Diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de Governança Corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para sua longevidade. A boa governança corporativa leva a um ambiente de negócios mais confiável, contribuindo para uma sociedade mais justa.

IHU On-Line – Por que a transparência do comportamento social das organizações se tornou um fator importante na gestão contemporânea e qual a relação disso com as novas tecnologias?

Carlos Eduardo Lessa Brandão – A sociedade vem, cada vez mais, demandando maior responsabilidade por parte das organizações, especialmente as empresas. Nesse sentido, o autêntico desejo de informar as diversas partes interessadas da organização sobre fatos positivos e negativos, financeiros e não financeiros, evidencia uma postura de maior transparência, necessária para aumentar o grau de confiança nos relacionamentos. As novas tecnologias ligadas à informação aumentam ainda mais a necessidade de uma postura proativamente transparente.

IHU On-Line – Qual o lugar da sustentabilidade na governança corporativa?

Carlos Eduardo Lessa Brandão – As questões sociais e ambientais e seus impactos de curto, médio e longo prazo estão impactando as estratégias das organizações – por outro lado, as organizações também geram impactos sociais e ambientais. Entender a relação desta dinâmica com a estratégia da organização é função dos Conselhos de Administração, órgão fundamental da governança corporativa.

IHU On-Line – Por que é importante estabelecer um diálogo entre Estado, sociedade civil e setor privado tendo em conta o bem-estar social? Que estratégias indicam um caminho possível? Em uma sociedade de comunicação global e considerando as organizações brasileiras, como podemos pensar todos esses aspectos em uma perspectiva mundial?

Carlos Eduardo Lessa Brandão – Os desafios locais, regionais e globais estão ganhando maior importância, tornando cada vez mais necessária a colaboração entre os três setores da sociedade visando soluções efetivas. As organizações com essa preocupação aumentarão suas chances de entender melhor o contexto em que atuam e de definir os tipos de parcerias que alinhem seus interesses com os da sociedade.

IHU On-Line – Até onde há espaço para o protagonismo das pessoas na gestão? E qual o papel das empresas na promoção desta postura de diálogo e autonomia?

Carlos Eduardo Lessa Brandão – Empresas são formadas por pessoas, e liderança é fundamental. Isso tanto no topo como em outros níveis hierárquicos. O Conselho de Administração das empresas, como guardião do objeto social e do sistema de governança, tem o papel de orientar e supervisionar a relação da gestão da organização com as demais partes interessadas, incluindo os colaboradores. As regras, responsabilidades e políticas devem ser claras, transparentes e acessíveis e cada colaborador deve estar ciente do seu papel para poder fazer sua contribuição.

IHU On-Line – Como podemos pensar a racionalidade da administração diante de todo esse contexto, sobretudo levando em conta as novas tecnologias?

Carlos Eduardo Lessa Brandão – É fundamental que as organizações repensem constantemente seu sistema de governança, de modo a aumentarem as chances de tomar decisões de melhor qualidade.

IHU On-Line – Na sociedade atual, qual deve ser o papel da formação dos novos gestores? Eles devem estar preparados para qual cenário? Que competências são esperadas?

Carlos Eduardo Lessa Brandão – A complexidade crescente do ambiente dos negócios demandará que os gestores busquem atualizar constantemente seus conhecimentos de modo a entender o papel e as limitações de cada tipo de organização na sociedade: Estado, sociedade civil e setor privado. No caso das empresas, é fundamental que os gestores incorporem considerações de ordem social e ambiental na definição dos negócios e nas operações.

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