Edição 419 | 20 Mai 2013

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Redação

Acompanhe a dica de leitura deste colega.

BUCK, Pearl S. A boa terra. Trad. de Adalgisa Campos da Silva. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007

A escritora Pearl S. Buck, Prêmio Nobel de Literatura (1938), conta em seu livro A boa terra a cativante e emocionante história de Wang Lung e sua família na China pré-comunista. Nessa China, Wang Lung vive a personagem de um camponês que desde jovem trabalha duramente no cultivo da terra de seus pais, sempre exposta aos bons e maus tempos e ventos. Quando o tempo é propício, as plantações florescem e as colheitas são fartas, mas o quando o tempo é ruim, as plantações morrem e não há colheitas; e o povo, sem ter o que comer nem o que fazer, se vê reduzido à miséria, lançando-se, assim, a movimentos migratórios e de revolta. Wang Lung dedica-se sempre a sua boa terra, convencido de que, como no poema de Hesíodo, apenas com “trabalho sobre trabalho” pode conquistar seu quinhão na vida. A terra é tudo, mãe e destino da vida e morte dos homens. Paralelamente a esta história de luta e amor de Wang Lung com a terra, Pearl S. Buck, conta também a história das relações de homens e mulheres naquela China patriarcal. Quando nascem, as filhas de camponeses são tidas como “escravinhas” e são, de fato, muitas vezes ou transformadas em escravas do lar ou vendidas ainda crianças para senhores e poderosos, para que possam ganhar dinheiro ou simplesmente permitirem que elas possam sobreviver. Wang Lung é retratado como homem tradicional, entretanto, também um homem diferente, pois, em todas as situações, mantém uma relação com as mulheres atípica e afetiva, talvez pouco convencional. Quanto às amantes, as trata com respeito e devoção. A pequena filha – que depois se descobre ser “retardada” – nunca é abandonada por ele, a quem se dedica até o fim de sua vida. Ao mesmo tempo, reconhece, com ternura, o enorme valor de sua mulher e quanto devia a ela seu poderio. É, pois, em torno da relação com a terra e a mulher que Pearl S. Buck traça a audaciosa trajetória de Wang Lung na longínqua China agrária e patriarcal do início do século XX.

Celso Candido de Azambuja, professor de Filosofia na Unisinos 

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