Edição 414 | 15 Abril 2013

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Márcia Junges | Tradução de Vanise Dresch

Nascido em Beaurang, na Bélgica, em 1953, o teólogo e exegeta André Wenin iniciou sua paixão pela Bíblia quando tinha apenas 4 anos. Ao ouvir a história de Caim e Abel, percebeu que ela dizia muito a respeito de sua relação com o irmão. O episódio o marcou sobremaneira, e a única forma que encontrou para dedicar sua vida ao estudo das Escrituras foi se tornar sacerdote. Na entrevista concedida à IHU On-Line por ocasião de sua vinda à Unisinos de 18 a 20-03-2013, quando ministrou o curso Aprender a ser humano. Um estudo do Gênesis 1–4, ele recorda esse e outros episódios de sua trajetória. Confira a entrevista.

 

Formação – Depois do ensino secundário, fiz dois anos de Letras Clássicas no seminário, junto aos jesuítas, na Universidade de Namur. Fiz um ano de Filosofia e quatro de Teologia na diocese de Namur, à qual pertenço atualmente. Realizei um ano de estágio em paróquias e depois de ordenado padre fui para Roma estudar a Bíblia por 5 anos, no Pontifício Instituto Bíblico.

Atividade acadêmica – Ensino a exegese do Antigo Testamento e as línguas bíblicas (grego e hebraico bíblicos) na Faculdade de Teologia, da Universidade Católica de Louvain, da qual fui decano de 2008 a 2012. Também sou professor convidado de teologia bíblica do Pentateuco na Universidade Gregoriana de Roma e secretário da Rede de Pesquisa em Análise Narrativa dos Textos Bíblicos – RRENAB. Sou Diplomado em Filologia Clássica, pelas Faculdades Universitárias Notre-Dame de la Paix, em Namur – FUNDP. Em 1973 obtive o título de bacharel em Teologia, pela Universidade Católica de Louvain, e de doutor em ciências bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, em 1988. Minha tese de doutorado intitulou-se Samuel e a instauração da monarquia (1S 1-12). Coordenei o seminário “Tradições bíblicas” (Paul Beauchamps) no Centro Sèvres (Paris 1983-1986). 

Opção pelo sacerdócio – Durante certo tempo, acreditei que estava atendendo a um chamado de Deus. Hoje não penso mais isso. Minha família desempenhou um papel importante na minha escolha religiosa, pois meus pais eram muito católicos. Meu pai tinha um irmão padre, e minha mãe um primo padre. Parecia, então, algo óbvio de que em toda geração houvesse um padre na família. Meu irmão mais velho deveria ser padre, a princípio. Ele tinha o mesmo nome do irmão do meu pai, que era padre. Ele, portanto, era o designado. Contudo, ele decidiu que não queria seguir o sacerdócio. Foi aí que eu resolvi que entraria para a vida religiosa. Prossegui nesse projeto porque percebi, com ou sem razão, que se tornar padre seria o único modo de poder dedicar a minha vida ao estudo da Bíblia. Foi o que eu fiz.

A Bíblia e nossa existência – Antes de ser ordenado padre e pouco depois do Concílio Vaticano II e do Maio de 1968, pedia-se que os futuros padres fizessem um projeto. O meu era ler a Bíblia. Por que eu me interessei pela Sagrada Escritura? Eu tinha 4 anos e estava na pré-escola. A professora, que era religiosa, contou-nos a história de Caim e Abel. Quando ouvi esse relato, percebi que se tratava da minha história com meu irmão. Foi aí que entendi que a Bíblia falava da nossa existência. Evidentemente houve uma elaboração nessa percepção, já que eu era apenas uma criança naquela época. Quando eu ficava de castigo na escola e deveria copiar várias passagens de algum livro, copiava a Bíblia.

Atividade física – Faço natação. É algo que aprecio muito.

Literatura – Guerra e paz, de Tolstói, e Os irmãos Karamázov, de Dostoievski. Li poucos livros de romance. Mas se tivesse de citar outro livro que me marcou muito, este é A Divina Comédia, de Dante, que li por obrigação aos 18 anos.

Papa Francisco – Tenho uma boa impressão inicial do novo Sumo Pontífice. Mas é preciso esperar e ver o que virá pela frente.

Publicações – Em português, publiquei O homem bíblico (São Paulo: Loyola, 2006); José ou a invenção da fraternidade (São Paulo: Loyola, 2010) e De Adão a Abrão. Ou as errâncias do humano (São Paulo: Loyola, 2011). Juntamente com o psicanalista Jean-Pierre Lebrun, publiquei Des lois pour être humanain (Éditions érès, 2008, Ramonville Saint-Agne).

 

Leia mais...

André Wenin já concedeu duas entrevistas à IHU On-Line. Confira: 

* Aprender a ser humano. Uma leitura do Gênesis. Edição 306 da revista IHU On-Line, de 31-08-2009, disponível em http://bit.ly/12hSoKt 

* “O início da violência acontece quando não se considera o outro como sujeito”. Edição 413 da revista IHU On-Line, de 01-04-2013, disponível em http://bit.ly/101YJYU 

 

Leia, também, a cobertura das atividades conduzidas por André Wenin por ocasião de sua vinda ao IHU:

* O verdadeiro poder de Deus é o poder de reter-se. André Wenin, exegeta belga, analisa Gênesis 1-4. Notícias do Dia 19-03-2013, disponível em http://bit.ly/ZPB9f5 

* Decálogo, a revelação de Deus e caminho para felicidade? Notícias do Dia 19-03-2013, disponível em http://bit.ly/Yodzpv 

* Fraternidade: um projeto ético a ser conquistado. Notícias do Dia 20-03-2013, disponível em http://bit.ly/YWbh3y 

* A cobiça como desejo que não aceita ser estruturado por um limite. Leituras do Gênesis pelo exegeta André Wenin. Notícias do Dia 20-03-2013, disponível em http://bit.ly/15ZW4Bw 

* O feminino no Gênesis: homem e mulher face a face. Notícias do Dia 21-03-2013, disponível em http://bit.ly/ZW4aWs 

* Adão e Eva, Caim e Abel: sobre relações incestuosas e falsificadas. Notícias do Dia 21-03-2013, disponível em http://bit.ly/ZW7elB

 

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