Edição 400 | 27 Agosto 2012

IHU Repórter

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Thamiris Magalhães

“Sou obstinado por tecnologia. Realmente sou apaixonado por microeletrônica e semicondutores. Essa tecnologia para mim é fascinante. Esse é o meu lado profissional. Mas também sou um sonhador. Idealista. Já até sacrifiquei a minha vida pessoal várias vezes por causa da microeletrônica. Mas não me arrependo”, diz o consultor Celso Peter, em entrevista concedida pessoalmente à IHU On-Line. Peter é uma das poucas pessoas que fabricou chips no Brasil vendidos em volume para o mercado. Na Unisinos, ele é o responsável pela construção do ITT CHIP – Instituto Tecnológico de Semicondutores Unisinos. “Já trabalhei em multinacionais americanas e francesas. A Unisinos me contratou como consultor na área de semicondutores por causa da experiência. Não sou acadêmico, apesar de fazer pesquisa e já ter publicado alguns trabalhos. Fiz todos os créditos, mas infelizmente não defendi minha tese de doutorado na área de Física”. Conheça um pouco mais sua história.

Autodefinição – Sou obstinado por tecnologia. Realmente sou apaixonado por microeletrônica e semicondutores. Essa tecnologia para mim é fascinante. Esse é o meu lado profissional. Mas também sou um sonhador. Idealista. Já até sacrifiquei a minha vida pessoal várias vezes por causa da microeletrônica. Mas não me arrependo. 

Origem – Nasci em Camaquã no dia 22 de junho de 1964. Moro em Porto Alegre atualmente. Sou solteiro e não tenho filhos. Como quase todos em Camaquã, que com 17 anos saí de lá para fazer vestibular em uma cidade maior como Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria, Rio Grande etc., vim para POA, fiz vestibular para Engenharia Eletrônica na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS e Física na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Minha mãe é falecida e meu pai mora em Camaquã. Tenho duas irmãs, a Zaida e a Rejane, e um irmão, o Clairton. 

Formação – Fazia duas graduações ao mesmo tempo. Na UFRGS comecei a trabalhar no laboratório de microeletrônica. Era bolsista de Iniciação Científica e ajudei a construir o laboratório de microeletrônica, que era uma coisa nova na época. Sou engenheiro e físico, com especialização em microeletrônica. A minha grande experiência na especialização foi a microeletrônica, mais especificamente fabricação de chips. Meu trabalho sempre foi voltado à fabricação. 

Atuação no mercado – Logo que me formei, fui convidado a trabalhar na única fábrica de chips que existia no Brasil, a SID Microeletrônica, em Minas Gerais. Mudei-me para lá e fiquei 13 anos fabricando chips. Foi uma experiência muito boa. Infelizmente, ela fechou em 2000. Foi então que voltei para o Rio Grande do Sul e fui trabalhar na GM. Trabalhei cinco anos no Ceitec, até 2009. Depois, passei a trabalhar para diversas empresas e para a Unisinos. Então, além dessa instituição, trabalho como consultor para empresas de São Paulo e Minas Gerais, na área de microeletrônica e fabricação de chips.

Semicondutores – Em função da instalação da HT Micron, inclusive de outras empresas que estão em fase de definição para instalação dentro do Tecnosinos também nessa área de semicondutores, a Unisinos sentiu a necessidade de ter gente para intensificar a atuação nessa área. É algo que dentro da Universidade é novo. Ainda não havia pesquisa, formação e capacitação em tecnologias de semicondutores. Então, a Unisinos me contratou para ajudar a criar um plano de negócios para a área de semicondutores. Isso inclui capacitação de mão de obra, formação em todos os níveis etc. A área de semicondutores é multidisciplinar e fascinante, mas é complexa. Requer muito conhecimento específico. Os equipamentos são caros. É uma indústria cara, mas de alto valor agregado. Talvez o produto de mais alto valor agregado que a gente tenha hoje, que existe na indústria atual, é o chip, um semicondutor. Ademais, para a região trata-se de um setor novo.

Experiências – Tenho 25 anos de experiência em indústria, na área de microeletrônica e eletrônica. Antes de completar meus cursos universitários, comecei a trabalhar na indústria. Lecionei no curso de Engenharia no Cefet, em Minas Gerais, e também ofereço treinamentos, em cursos de especialização na área de semicondutores, aqui na Unisinos, para professores, engenheiros, técnicos etc.

Lazer – Tenho poucas horas livres. Quando não estou trabalhando, gosto de ler, cinema, música.

Livros – Gosto de tudo. Não curto ler nas horas livres coisas técnicas. Aprecio literatura. Estou em uma fase em que comecei a reler alguns clássicos que li há bastante tempo. Por exemplo, gosto bastante de Guimarães Rosa. Acabei de reler Grande Sertão: Veredas. Reli também Crime e Castigo. Quando era jovem, lia muito mais. 

Vencedor – Cheguei a ganhar prêmio de literatura quando tinha 17 anos. No ano em que Érico Veríssimo faria 100 anos, teve um concurso, e escrevi uma monografia sobre a obra dele – O tempo e o vento – e ganhei um prêmio. Então, na época lia muito, principalmente literatura nacional. 

Música – Gosto de rock and roll, principalmente rock progressivo. Tive uma banda em Camaquã com meus colegas quando adolescente. Sou eclético. Curto bastante música brasileira também. Adoro Chico Buarque. 

Filme – Adoro Fellini, Coppola. 

Religião – Sou luterano. 

Sonho – Gostaria de ver essa área de semicondutores e microeletrônica dando certo no Brasil, porque já houve várias tentativas. Pessoalmente, ser feliz. 

Unisinos – Trabalho há dois anos na Unisinos. Gosto muito deste ambiente. Surpreendi-me com a ousadia e o empreendedorismo da instituição, que é difícil de ser encontrada em outras. Por exemplo, a HT Micron só está vindo para o Rio Grande do Sul por causa da Unisinos, devido ao suporte, apoio, porque a instituição está construindo a fábrica. A obra já começou e até maio do ano que vem a fábrica deve ficar pronta. Isso é muito importante para a região. Além disso, a equipe de trabalho é muito boa.

Pioneirismo – Sou uma das poucas pessoas que fabricou chips no Brasil que foram vendidos em volume para o mercado. Quem realmente fez isso foi apenas um pequeno número de engenheiros. Na Unisinos, estou ajudando a criar o ITT CHIP (Instituto Tecnológico de Semicondutores Unisinos) e participei da criação do ITT FUSE (Instituto Tecnológico de Segurança Funcional e Confiabilidade). Já trabalhei em multinacionais americanas e francesas. A Unisinos me contratou como consultor na área de semicondutores por causa da experiência. Não sou acadêmico, apesar de fazer pesquisa e já ter publicado alguns trabalhos. Fiz todos os créditos, mas infelizmente não defendi minha tese de doutorado na área de Física, porque fiquei sem orientador.

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