Edição 399 | 20 Agosto 2012

IHU Repórter

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Thamiris Magalhães

“Sou determinada e exigente comigo mesma e na minha profissão, porque, como profissional que lida com a saúde do ser humano, isso me impõe uma responsabilidade muito grande. Essa responsabilidade também está presente junto dos alunos, uma vez que auxilio na formação ética e profissional de qualidade desses futuros profissionais que irão lidar com seres humanos fragilizados em sua saúde”, frisa a professora do curso de Enfermagem Petronila Libana Rauber Cechin, em entrevista concedida pessoalmente à IHU On-Line. De bem com a vida, a docente, que trabalha há 38 anos nesta instituição, se diz contente, pois tudo aquilo que é e possui são conquistas que realizou, porque sempre colocou um foco em sua vida. Seu maior sonho é que a pobreza neste mundo possa se extinguir aos poucos. “Que as pessoas possam ter o pão de cada dia. E que exista um pouco mais de paz entre os povos.” Conheça um pouco mais sua história de vida.

Origem – Nasci dia 29 de junho de 1942. Tenho 70 anos. Sou de uma família de origem alemã. Nasci num distrito chamado Vigia, que pertence ao município de São Sebastião do Caí. Minha família é de lá. Meus pais são falecidos. Minha mãe faleceu há 35 anos, com 66 anos. E meu pai morreu há dois anos, com 97 anos, muito lúcido. Ele se coordenava sozinho. O grande hobby dele, nos últimos anos, era jogar carta e ler jornal em alemão, que era editado em São Paulo. Era um jornal bem compacto, ocupando praticamente a semana para a leitura. Na realidade, se ele não tivesse tido uma queda, provavelmente estaria vivo ainda hoje, porque era muito saudável. 

Vida pessoal – Sou casada. Meu marido, Ademar Rossi Cechin, é autônomo. Moramos em Porto Alegre. Temos duas filhas: Cláudia, fonoaudióloga, concursada pela Secretaria de Saúde de Bom Princípio, e Giovana, farmacêutica, que fez pós-graduação na Universidade de São Paulo – USP. Atualmente ela trabalha em uma empresa que elabora vacinas contra o câncer, aqui em Porto Alegre. Tenho uma irmã, Zita Maria Rauber Pedroti, que é professora aposentada; e dois irmãos, sendo que o mais velho, Arcênio Inácio, faleceu há um ano, e Vicente José Rauber é engenheiro e atualmente é diretor financeiro da Refinaria em Canoas – Refap. 

Incentivo – Meus pais sempre incentivaram meus irmãos e a mim para prosseguir os estudos. Tanto assim que todos nós somos formados. Então, com 13 anos, após concluir o primário (hoje fundamental) vim para São Leopoldo estudar no Colégio São José, fazer o Ginásio e em seguida cursei contabilidade no Colégio São Luiz, em São Leopoldo, como segundo grau, o que hoje corresponde ao ensino médio. 

Formação – Fiz Enfermagem na Faculdade de Enfermagem Madre Anna Möller, pertencente às Irmãs Franciscanas, em Porto Alegre. Essa Faculdade foi integrada na Universidade do Vale do Rio dos Sinos em 1974, o que constitui hoje o Curso de Graduação em Enfermagem – Unisinos. Em seguida, realizei um curso de especialização em Enfermagem Obstétrica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e, como fui convidada para lecionar no curso de auxiliar de enfermagem, que hoje são técnicos de enfermagem, percebi que tinha uma boa formação técnico-científica na área, mas me faltava uma formação pedagógica. Então, busquei o Curso de Licenciatura Plena na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. 

Mestrado – Posteriormente, com a exigência das universidades, que precisavam de mestres e doutores, fiz mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, na área da Saúde da Mulher. Na verdade, nos anos 1970 fui selecionada para uma vaga no mestrado na UFRGS, mas como eu era mais jovem, meu foco no momento não era exatamente prosseguir os estudos e sim viajar. Então, realizei uma viagem para a Europa.

Academia – Entrei em 1974 na Unisinos, portanto, trabalho há 38 anos nesta instituição, no Curso de Enfermagem. Minhas disciplinas sempre eram voltadas para a área da saúde da mulher, e na área da neonatologia. Lecionei também no curso de Biologia, na disciplina anatomia humana, na Unisinos e na UFRGS, como professora substituta, na saúde da mulher. Em 1994, fui eleita pelo colegiado do curso chefe de departamento, cujo cargo foi extinto em 1995, quando, então, a Unisinos criou as equipes de coordenadores. A partir daquela data até hoje componho a equipe de coordenação do Curso de Graduação em Enfermagem. Além disso, desde 1991, coordeno o Curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica, que se encontra hoje na décima edição.

Atuação na enfermagem – Na minha trajetória profissional, além de docente, também trabalhei com enfermeira assistencial, sempre na área da neonatologia e da obstetrícia. Concursada pelo Ministério Exército e pelo Instituto Nacional de Previdência Social – INPS, atuei em diferentes períodos no Hospital do Exército e no Hospital Presidente Vargas, ambos em Porto Alegre. Também atuei na área privada como enfermeira obstétrica no Hospital Ernesto Dornelles. Além da área hospitalar, fui concursada pela Secretaria da Educação, atuando na equipe de profissionais da saúde prestando atendimento às crianças e adolescentes da rede escolar do Estado, em Porto Alegre.

Lazer – Gosto de ler. Cinema. Viagem. 

Livro – Gosto de livros que contem a história da vida das pessoas e da cultura dos povos. Esses são dois focos que sempre procuro nas minhas leituras.

Filme – Seguem praticamente a mesma linha dos livros. Não gosto dos que têm guerra e violência; prefiro algo mais alegre e humorístico.

Religião – Sou católica. Eu construí minha espiritualidade na fé, pois temos momentos em nossa vida que são difíceis e são nestes momentos que a fé nos ilumina e nos dá o norte. Ela nos dá forças para podermos atravessar essas dificuldades. Nesse sentido, tenho uma frase que para mim é impactante – quando, humanamente, tudo parece impossível, cito que “Deus Proverá”. 

Sonho – Que a pobreza neste mundo possa se extinguir aos poucos. Que as pessoas possam ter o pão de cada dia, no sentido mais amplo. E que exista um pouco mais de paz entre os povos. 

Música – Gosto de clássicas e populares com cunho alegre. A música me dá paz e me eleva, deixa o ambiente leve, alegre.

Unisinos – É uma extensão da minha família. Na realidade, se eu for fazer os cálculos, grande parte das horas de minha vida aconteceram dentro da Unisinos. Ela representa para mim uma instituição onde cresci muito, profissional e pessoalmente. É um lugar que me ofereceu muita oportunidade, tanto na minha vida profissional como na minha vida pessoal. Tenho um grande carinho e agradecimento por esta instituição, porque ela apostou e confiou na Libana, tanto como docente quanto como coordenadora, uma vez que estou há muitos anos na coordenação. Vir para a Unisinos para mim sempre é um prazer, porque aqui temos um excelente ambiente de trabalho e pessoas que colaboram muito umas com as outras – aqui, criamos verdadeiros amigos. 

IHU – É um veículo muito importante e que projeta a Unisinos para fora dos seus muros, porque seleciona pessoas que trazem conhecimentos muito interessantes e importantes, ampliando os conhecimentos das pessoas que acompanham sua trajetória. 

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