Edição 391 | 07 Mai 2012

Editorial

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Redação

Em 18 de maio celebra-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. A data enseja uma série de reflexões sobre saúde mental, desinstititucionalização e lutas em busca de uma sociedade mais justa e democrática. A data remete ao Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, ocorrido em 1987, na cidade de Bauru-SP. Como processo decorrente desse movimento, ocorreu a reforma psiquiátrica, definida pela lei n. 10216 de 2001, também conhecida como Lei Paulo Delgado.

Nesta edição profissionais que pesquisam e atuam na área da saúde mental participam de um debate que diz respeito ao conjunto da sociedade contemporânea.

Thomas Szasz, professor emérito da Universidade Estadual de Nova Iorque em Siracusa, abre a discussão com uma conclusão: a psiquiatria não pode ser reformada. Ela tem que ser abolida, assim como a escravidão. 

Para o filósofo italiano Massimo Canevacci, ninguém é totalmente normal, e a questão da doença mental não pode ser compreendida somente como um problema médico. É algo legitimado culturalmente, assegura. 

Osvaldo Saidon, psicanalista argentino, retoma a tradição libertária da luta antimanicomial e questiona se entramos em uma era pós-manicomial. 

A médica Rosana Onocko Campos, da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, destaca a importância de se valorizar a fala, o conhecimento e a trajetória das pessoas para se construir um outro tipo de saúde mental. “O reconhecimento de que eles portam um saber, sim, diferente do acadêmico, porém não menos valioso”, ou seja, trata-se do empowerment.

A diretora do Departamento de Ações em Saúde – DAS da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, Sandra Fagundes, pondera que o estigma da loucura ainda não foi superado e comenta a experiência gaúcha no contexto antimanicomial.

O nascimento do capitalismo e da internação dos excluídos é a temática abordada pelo psicólogo Osvaldo Gradella Júnior, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. Nossa sociedade é baseada na exploração humana, e a violência é intrínseca a esse modo de produção, observa. 

Fábio Alexandre Moraes, psicólogo e professor na Unisinos, compreende a luta antimanicomial como uma luta ético-política. Ele detecta o nexo entre o modelo capitalista de trabalho e o surgimento da doença mental.

O psicólogo Bernardo Malamut adverte que “novos desviantes sociais” poderão ocupar o lugar discursivo antes reservado aos loucos. É o caso dos usuários de crack, pontua. 

O psiquiatra José Jackson Sampaio Coelho, da Universidade Estadual do Ceará – UECE, menciona que, em condições históricas que podem tornar tudo num “manicômio”, é preciso repensar o poder do psiquiatra e da psiquiatria sobre a equipe e o cliente. 

Martinho Braga Batista e Silva, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, retoma o Caso Damião Ximenes e a condenação do Brasil por violação dos direitos humanos.

Tempos e ritmos de ver: cegueira e visibilidade no mundo contemporâneo é um artigo de Adriana Melo, da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, e Maria Teresa F. Ribeiro da Universidade Federal da Bahia – UFBA.

Fernanda Azeredo de Moraes debate O clube da luta (David Fincher, 1999), e Marcelo Fabri, da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, descreve alguns aspectos da temática que abordará no dia 10-05-2012, falando sobre a alteridade radical de Levinas e a ética racionalista de Husserl.

A obra Uma sociologia indignada. Diálogos com Luiz Werneck Vianna (Juiz de Fora, 2012) inspira a entrevista com seus organizadores, Rubem Barboza Filho, da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF e Fernando Perlatto, do Centro de Estudos Direito e Sociedade (Cedes/PUC-Rio).

As quatro décadas de vivências na Unisinos são rememoradas por José Alcides Renner, professor do curso de Direito da Universidade.

A todas e a todos uma boa leitura e uma ótima semana!

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