Edição 389 | 23 Abril 2012

Projeções populacionais do RS – menos gaúchos até 2050

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Graziela Wolfart

Pedro Tonon Zuanazzi reflete sobre a contribuição oferecida pela demografia ao desenvolvimento econômico do estado do Rio Grande do Sul

Eis uma projeção do cenário populacional do Rio Grande do Sul para as próximas décadas: o número de jovens (até 14 anos) deve diminuir continuamente; o número de pessoas na idade potencialmente ativa (15 a 65 anos) deve crescer aproximadamente até 2020 e depois passar a diminuir; e o número de idosos (65 anos ou mais) deve aumentar continuamente. Os dados são trazidos pelo estatístico da FEE Pedro Zuanazzi, que abordará o tema Projeções populacionais do Rio Grande do Sul: mudanças no bônus demográfico na próxima quinta-feira, dia 26-04, das 17h30min às 19h na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU. Em entrevista concedida por e-mail para a IHU On-Line, Zuanazzi adianta aspectos do que discutirá na palestra em questão. E questiona: “no caso da educação em grandes cidades (onde não há o problema do deslocamento), será que precisamos abrir mais escolas em um cenário futuro em que teremos cada vez menos jovens? Será que o sistema atual de previdência comporta uma população cada vez maior de idosos e cada vez menor de pessoas em idade potencialmente ativa? Enfim, só estou levantando questões. O foco do meu trabalho é mais quantitativo, mas os resultados devem ser utilizados n o intuito de se planejar para essas questões”.

Pedro Tonon Zuanazzi é estatístico da Fundação de Economia e Estatística – FEE e mestrando na Universidade do Rio Grande do Sul – UFRGS.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – A partir das recentes projeções populacionais do Rio Grande do Sul, como o senhor afirma que o estado terá baixo crescimento populacional nas próximas décadas? 

Pedro Tonon Zuanazzi – Trata-se de uma tendência mundial que começou a ocorrer nos países desenvolvidos há mais tempo e que agora está atingindo o Brasil e o Rio Grande do Sul. A taxa de fecundidade, hoje, já está em menos de dois filhos por mulher (em 2010 era 1,86 no Brasil e 1,75 na região Sul). Ou seja, a população não está se repondo. Os efeitos disso, em breve, será a diminuição do crescimento vegetativo.

IHU On-Line – Em que se baseia ao afirmar que a população gaúcha deve atingir seu ápice em torno de 2030 e depois deve começar a diminuir?

Pedro Tonon Zuanazzi – Traçamos três cenários prováveis para a taxa de fecundidade e para as expectativas de vida masculina e feminina, baseados em métodos da ONU. Nesses três cenários a inversão do crescimento da população ocorreria entre 2025 e 2035. A grande dificuldade é prever a migração. O Rio Grande do Sul não é um estado com grande saldo migratório. Sendo assim, consideramos valor zero para esse componente demográfico. Podemos dizer assim: se o saldo migratório se comportar próximo a zero nas próximas décadas (como na década de 1990), a inversão da população deve ocorrer entre 2025 e 2035. Vale ressaltar que só saberemos o saldo migratório ocorrido na última década quando saírem os dados definitivos do Censo. Além de trabalhar com cenários para a população total, projetamos a população por faixa de idade: o número de jovens (até 14 anos) deve diminuir continuamente nas próximas décadas; o número de pessoas na idade potencialmente ativa (15 a 65 anos) deve crescer aproximadamente até 2020 e depois passar a diminuir; e o número de idosos (65 anos ou mais) deve aumentar continuamente.

IHU On-Line – A que se deve o fato de que o Rio Grande do Sul foi o estado que menos cresceu em população nos últimos 10 anos? Há alguma influência cultural nesse sentido?

Pedro Tonon Zuanazzi – Para responder a essa pergunta com maior precisão, precisamos aguardar a divulgação dos dados da amostra do Censo 2010. Com eles poderemos detectar qual foi o peso de cada um dos componentes demográficos (natalidade, mortalidade e migração) nos últimos 10 anos. Enquanto isso, podemos trabalhar apenas com hipóteses.

IHU On-Line – A partir dessa perspectiva de baixo crescimento da população gaúcha nas próximas décadas, o que deveria fazer parte de um planejamento estratégico, no sentido de atender a uma população mais idosa e menos ativa economicamente em 2050? 

Pedro Tonon Zuanazzi – Essa é uma questão que costumo repassar aos economistas e aos gestores públicos (risos). Os cenários estão aí. A Europa vive problemas com isso. A França teve uma dificuldade imensa para elevar a idade de aposentadoria em mais dois anos. Sem dúvida não há soluções triviais.

IHU On-Line – Em que sentido as modificações demográficas impactarão áreas como previdência, educação e saúde no estado?

Pedro Tonon Zuanazzi – No caso da educação em grandes cidades (onde não há o problema do deslocamento), será que precisamos abrir mais escolas em um cenário futuro em que teremos cada vez menos jovens? Será que o sistema atual de previdência comporta uma população cada vez maior de idosos e cada vez menor de pessoas em idade potencialmente ativa? Enfim, só estou levantando questões. O foco do meu trabalho é mais quantitativo, mas os resultados devem ser utilizados no intuito de se planejar para essas questões.

IHU On-Line – O que é o bônus demográfico e quais as mudanças mais recentes que ele tem sofrido?

Pedro Tonon Zuanazzi – O impacto das transições demográficas reflete-se na razão de dependência do estado, indicador que representa a razão do número de pessoas em idade inativa (jovens e idosos) pelo número de pessoas em idade potencialmente ativa. Ou seja, quanto menor a razão de dependência, melhor. Ela diz respeito à contribuição oferecida pela demografia ao desenvolvimento econômico do estado. Quando essa razão está diminuindo (processo que se iniciou no Rio Grande do Sul na década de 1960), tem-se a primeira etapa do bônus demográfico. Com boa precisão, em torno de 2015, essa etapa deve terminar, com a razão de dependência atingindo um mínimo em torno de 41,8%. A segunda etapa do bônus (quando a razão de dependência está abaixo de 50%) teve início em 2000, e essa deve se prolongar por mais tempo, terminando entre 2030 e 2040.

Leia mais...

>> Pedro Tonon Zuanazzi já concedeu outra entrevista à IHU On-Line. Confira:

Rio Grande do Sul terá baixo crescimento populacional nas próximas décadas. Entrevista publicada no sítio do IHU em 10-01-2012.

Últimas edições

  • Edição 546

    Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

    Ver edição
  • Edição 545

    Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

    Ver edição
  • Edição 544

    Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

    Ver edição