Edição 382 | 28 Novembro 2011

IHU Repórter

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Thamiris Magalhães

Motorista há quase seis anos na Unisinos, Nélio acredita ser uma pessoa calma, fechada e que, por isso, muitas vezes pode ser mal interpretada. “Só que depois que as pessoas me conhecem, mudam de opinião”, diz. Prestes a ser pai, Nélio já trabalhou como motorista no Exército e, nas horas vagas, é instrutor de autoescola. Conheça um pouco mais de sua história, em entrevista concedida pessoalmente à IHU On-Line.

Origem – Nasci dia 13 de junho de 1979, em Ijuí-RS, região noroeste. Com cinco anos de idade, passei a morar em Novo Hamburgo com a minha família, que veio a trabalho. Desde então moro lá. Já tenho 32 anos e sou casado há seis. Minha mãe é falecida desde 2004 e meu pai mora bem perto de mim, com meu irmão que tem necessidades especiais. Minha mãe era doente; tinha atrofia muscular. Então, ela teve uma gravidez de risco. E depois que meu irmão nasceu fui eu quem cuidou dele praticamente. Ele tem 21 anos, mas mentalidade de um garoto de seis e é para mim quase um filho. Sempre que posso vou visitá-lo, brinco e todo dia converso com ele. Construí uma casa próximo à deles quando casei para poder ficar junto de meu irmão. Além dele, tenho uma irmã, que é casada e tem dois filhos.

Autodefinição – Sou uma pessoa calma. Às vezes, as pessoas me interpretam erroneamente porque sou fechado. Não sou muito de rir, mas isso é uma característica minha. Só que depois que as pessoas me conhecem, mudam de opinião. Ademais, sou alguém fácil de se fazer amizade.

Alegria
– Minha esposa, Sandra, está grávida de oito meses. Dezembro próximo nascerá o nosso primeiro filho, Guilherme. Será nosso presentão de Natal. Ela fez dois semestres de Psicologia, mas trancou por causa da gravidez. No entanto, pretende voltar. Atualmente é professora de trânsito.

Autoescola
– Durante o período que estou trabalhando na Unisinos, sempre conciliei a Universidade com a autoescola. Desde 2005, nos horários vagos, sou instrutor.

Exército – Comecei na área burocrática, quase como um secretário. Foi quando houve a necessidade de formação de um motorista. E, como eu tinha a carteira de habilitação e era um dos poucos que tinha a documentação, acabei indo para o cargo. Fui condutor de caminhão e de viaturas leves. Depois disso, passei a ser o motorista do comandante. Fiquei o tempo máximo no quartel permitido para um temporário, que são sete anos. A partir do sétimo ano, para permanecer só com concurso público e foi quando saí de lá. Arrependo-me de não ter feito concurso para continuar.

Formação
– Terminei o ensino médio; fiz um semestre de Direito na Unisinos, mas tranquei para continuar na autoescola no intuito de melhorar a renda familiar. No entanto, pretendo voltar porque gosto muito dessa área.

Lazer – Eu e minha esposa gostamos de ficar em casa. Além disso, gosto de assistir a filmes (ação). Tenho uma paixão que são os carros antigos, sempre que posso vamos aos encontros próximos e eventos desse tipo. Gostamos de passear em parques e tomar chimarrão. Agora, com nosso filho, vamos passear bastante. Também gosto de jogar futebol; pelo menos uma ou duas vezes por semana faço isso.

Sonho
– Comprar um carro antigo, uma relíquia. Quem sabe me formar em Direito. Gostei muito da carreira militar. Então, nessa área do Direito, gostaria de me especializar em alguma coisa nesse sentido.

Religião
– Sempre frequentei a Igreja Católica, mas já faz três anos que frequento uma igreja evangélica, Encontros de Fé, que tem filiais em vários lugares e cuja sede é em Porto Alegre. Estou gostando muito e pretendo me batizar nela.

Experiências – A Unisinos é um lugar muito bom de trabalhar. A cada dia temos experiência nova com passageiros diferentes, muitas vezes de outros lugares, que buscamos no aeroporto etc. Atendemos todos os setores da Unisinos. Como era motorista no quartel e depois instrutor de autoescola, sempre trabalhei na rua. Já estou acostumado. Não sei se conseguiria trabalhar num lugar fechado.

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