Edição 196 | 18 Setembro 2006

João Geraldo Kolling

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IHU Online

Foi com a sexta sinfonia de Ludwig van Beethoven como fundo que o superior provincial da Província Brasil Meridional da Companhia de Jesus o padre João Geraldo Kolling recebeu a IHU On-Line. Natural de Chapada, Kolling revelou várias circunstâncias e cenários que fizeram, e fazem, parte de sua vida. Com simplicidade e simpatia, explicou seu trabalho e falou de seus estudos. Kolling, que é graduado pela Unisinos e pela Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, também é diretor-presidente da Associação Antônio Vieira, mantenedora da Unisinos.

Origens – Nasci em Linha Formosa, uma pequena comunidade do hoje município de Chapada (Palmeira das Missões até 1959). A família é de origem alemã. O pai trabalhava a terra, a mãe era professora, catequista e líder da comunidade. Em 1962, nos mudamo-nos para Guaraciaba, no Oeste Catarinense. Somos 10 irmãos, sete homens e três mulheres. Sou o segundo dos dez. O pai faleceu em primeiro de abril de 1990, e a mãe, há três anos, em 28 de maio de 2003.

Infância – Lembro com muito carinho do espaço que tínhamos para jogar futebol, descer um cerro no lombo de palmeiras, andar a cavalo. Recordo também dos primeiros anos de escola, de amigos e de alguns vizinhos próximos da família. A mãe foi a minha primeira professora e catequista. Também tenho vivo na memória a primeira “grande viagem” de Linha Formosa até Passo Fundo, na cabine de um caminhão.

Estudos – Fiz o primário em Linha Formosa e Sede Capela, o ginásio no seminário do Kappesberg, Salvador do Sul. Depois, o segundo grau no Colégio Catarinense em Florianópolis. Em seguida, o Noviciado, em Porto Alegre e os estudos de Filosofia e História na Unisinos. Retornei a Florianópolis para a fase de formação, chamada Magistério, quando atuei como Frater e Diretor do Seminário e, ao mesmo tempo, como professor de Ensino Religioso e OSPB no Colégio Catarinense. Em 1980, passei um semestre em Ubiratã, no Paraná e, em seguida, fui a Roma fazer Teologia e Psicologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, retornando à Província em 1987, atuando no Centro de Espiritualidade Cristo Rei - CECREI. Em 1989, fiz, no Peru, a rica experiência da terceira provação, última etapa da formação de um jesuíta. E continuo, em formação permanente, participando de algum curso mais breve, seminário e leituras.

Jesuíta – Uma graça. Com a vida, o presente de participar da extraordinária riqueza que é a espiritualidade inaciana ser servidor da missão de Cristo junto com muitos outros companheiros jesuítas pelo mundo inteiro.

Esporte – Na adolescência e juventude, costumava jogar futebol. Durante os estudos de teologia, basquete, no qual, mesmo não sendo tão habilidoso, era favorecido pela altura. Bons amigos e companheiros, nos divertíamos no pátio interno do Colégio del Gesù, em Roma. Depois, uns anos de futebol em Cascavel e, gradativamente, comecei a correr. Hoje, costumo caminhar.

Livro – Na adolescência, os de Karl May. Depois, obras de Érico Veríssimo, As sandálias do Pescador de Morris West. Ultimamente, estou lendo Paixão por Cristo, Paixão pela humanidade sobre os trabalhos do I Congresso Internacional da Vida Consagrada. Também, Palavras aos antigos alunos: reflexões do ser no agir, organizado por Mardilê Fabre, Rosa Maria Bavaresco e Águeda Bichels  e O Monge e o Executivo,  de James C. Hunter.

Autor – No tempo da adolescência, o autor preferido dos seminaristas era Karl May que líamos com gosto, pois facilitava a criação da fantasia, mas como autor certamente, destaco Erico Verissimo.

Dia perfeito – Um dia perfeito é um dia em que, depois de ter dormido bem, cultiva-se a relação com Deus, os trabalhos fluem, acrescido de algum momento de lazer com Beethoven ou algum outro alimento para a alma.

Música – Beethoven, Verdi, Mozart ou uma música gauchesca bem marcada como as do Renato Borghetti.

Filme - 2001 - Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick e Doutor Jivago, de David Lean. São dois filmes que guardo na memória.

Time – O campeão da Libertadores da América deste ano.

Política – Creio que há carência de líderes despojados e serviçais no cenário da política brasileira. Além disso, parece que as diferenças das propostas dos diversos candidatos e partidos são mínimas. Mas, mesmo assim, ou votamos em alguém, ou os outros decidem por nós.

Viagem – Certamente inesquecível foi à Terra Santa e a visita aos lugares inacianos na Espanha. Da mesma forma, porém, foi bom conhecer o Rio de Janeiro ou Florianópolis, bem como viver em Roma ou visitar Veneza.

Animais – Apóio toda iniciativa que favoreça o canto alegre e livre dos pássaros e que permita aos animais estar em seus respectivos habitats, e aprecio a elegância de um bonito cavalo.

Futuro – Nos próximos cincos anos, com a graça de Deus e a colaboração dos co-irmãos, espero dedicar-me generosamente à missão de Provincial. Depois, estarei disponível para nova missão.

Unisinos – É obra relevante que os jesuítas, em conjunto com tantos colaboradores, levam em frente no Sul do Brasil, em favor da Igreja e da sociedade gaúcha e brasileira. É espaço de luz, desafio, fonte de vida e esperança.

Instituto Humanitas – Admiro sua capacidade criativa, a irradiação ágil do conhecimento e da informação. É um trabalho pioneiro e científico, de muito fôlego. Parabenizo a equipe e faço votos que prossiga com essa energia toda, favorecendo a construção de uma sociedade mais justa e solidária.

 

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