Edição 367 | 27 Junho 2011

Últimos ataques político-midiáticos dos EUA contra Cuba

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Noel Manzanares Blanco

Um cabo da agência espanhola EFE, vindo de Washington em 27 de maio, informou que a deputada republicana da Flórida, Ileana Ros-Lehtinen, está promovendo um projeto de lei que impõe sanções a empresas e indivíduos que ajudem Cuba a desenvolver sua indústria petrolífera, de acordo com notas oficias advindas do escritório dessa senhora.

Por Noel Manzanares Blanco* 

Um cabo da agência espanhola EFE, vindo de Washington em 27 de maio, informou que a deputada republicana da Flórida, Ileana Ros-Lehtinen, está promovendo um projeto de lei que impõe sanções a empresas e indivíduos que ajudem Cuba a desenvolver sua indústria petrolífera, de acordo com notas oficias advindas do escritório dessa senhora.
Ros-Lehtinen é uma congressista que representa os interesses da comunidade de empresários originários de Cuba, cujos expoentes em Miami e arredores, são muito ligados a atividades de inteligência. Com esse projeto, a republicana pretende impor sanções a “pessoas físicas e jurídicas que ajudem a ilha de José Martí a desenvolver sua indústria do petróleo, inclusive em águas perigosamente próximas aos Cayos da Flórida”, e busca negar vistos para entrar nos Estados Unidos “a qualquer pessoa que invista mais de um milhão de dólares no setor petroleiro de Cuba”.
O fato político (ainda declarativo) foi seguido de fatos midiáticos. O jornal Novo Herald (publicado nos EUA em castelhano) declarou apoio ao projeto, dando a seguinte ênfase: “Parece magnífico porque a única forma de sancionar ao regime de Havana é com sanções”, disse Ninoska Pérez Castellón, jornalista da Rádio Mambí e membro do Conselho pela Liberdade de Cuba.
O bombardeio de conteúdo midiático não parou. Carlos Saladrigas, presidente do Cuba Study Group, um think tank da direita cubana com sede em Washington D.C., reforçando a mescla de realidade e ficção, afirmou: “Tal medida forçaria Cuba a negociar com empresas petrolíferas de países que não lhe interessam essa proibição e que não vão ter os recursos nem os preparativos para conter qualquer tipo de vazamento que possa ocorrer em Cuba. E isso vai afetar diretamente à Flórida”.

Essencialmente, o projeto se insere no programa Carril I das agressões contra Cuba. Trata-se do mais longo bloqueio imposto pelas autoridades políticas dos Estados Unidos, proibindo aos norte-americanos, a suas empresas e a suas subsidiarias – mesmo quando criadas em outros países e sob distinta legislação – a ter qualquer tipo de vínculo econômico, comercial e financeiro com a ilha.
Enquanto os republicanos de origem cubana e seus apoiadores faturam em cima do pensamento reacionário, outro cabo de agência de notícias, este da Associated Press (AP) anuncia que “novas normas ampliariam turismo estadunidense à ilha”. A AP informa que serão promulgadas pelo governo de Barack Obama para ampliar o acesso a Cuba, pois, segundo o texto da norma, justifica-se “porque já é um dos destinos favoritos de turistas de outros países”.

Aclara a agência que as viagens autorizadas não serão apenas para turismo de lazer, pois os visitantes estadunidenses deverão suar a camisa em passeios a estabelecimentos agrários ou conferências sobre história para justificar as viagens, já que a intenção, de acordo com Washington, é que os dois povos “se conheçam melhor”.
O conteúdo de mensagem não dá margem para dúvidas: “Não serão apenas dias de praia e noites bailando salsa. Se é para comer e beber, não se afrouxa as regras do bloqueio. Isso não cumpre com os critérios de uma viagem com propósitos sérios”, disse uma fonte do Departamento de Estado que declarou para a AP pedindo resguardo do sigilo da fonte.

É necessário refletir que esta medida é um complemento do plano Carril I. Aumentando o fluxo de viajantes, tratam de reativar o Carril II, fortalecendo a chamada subversão ideológica, jorrando dinheiro para a “dissidência” cubana. Reafirmo que é necessário verificar quem são os dissidentes reais e o que a maior parte deles realmente faz. Tal preocupação justifica-se através de outro cabo que li, sendo este oriundo de DDC | Madri, onde se informa que a Agência Estadunidense para o Desenvolvimento Internacional – USAID tem três editais abertos para projetos relacionados com a liberdade de informação e expressão e o apoio à sociedade civil em Cuba. Nestes projetos serão destinados 21 milhões de dólares, incluídos seis milhões para fomentar a liberdade de expressão e associação nos jovens dentre 12 e 24 anos por fora do controle oficial.

O despropósito é tamanho que um senador como John Kerry, um Falcão belicista e que preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado, é contra a iniciativa dos projetos. Kerry, um democrata conservador, mas que apoia a nova norma da adminsitração Obama facilitando o turismo para Cuba fez uma forte declaração exigindo que a oposição cubana e os envolvidos em atividades de inteligência deixem de fazer um uso errado do dinheiro do contribuinte dos EUA. O senador disse: “porque iniciativas deste tipo (como da USAID, abrindo concurso para projetos contra Cuba) só têm servido para provocar ao governo cubano”.

Uma boa leitura dos estudos realizados a respeito do tema pelo jornalista Jean Guy Allard revela que, no fundo, os EUA têm a intenção de querer “fomentar a participação das populações marginalizadas e vulneráveis, como são os negros e mulatos, assim como os jovens rurais que vão morar no centro das cidades, os jovens portadores de necessidades especiais, os órfãos e adolescentes em situação de risco (como os de famílias interrompidas ou de tipo mono-parental, chefiadas por mulheres)”.

O discurso da direita cubana parece fora de propósito. Um dos alvos da operação de propaganda seriam crianças e adolescentes em situação de risco. Kerry está correto ao afirmar que estes recursos serão gastos à toa para o contribuinte dos EUA. No último dia 8 de junho, o Comitê de Direitos da Criança do Fundo das Nações Unidas para a Infância aprovou o Relatório de Cuba, recomendando o reforço na cooperação internacional e reconhecendo as conquistas em saúde e educação.

*Noel Manzanares Blanco é historiador, jornalista e professor na Universidade de Camagüey, Cuba. É o colaborador titular de Kaos en la Red/Cuba e participa regularmente das atividades do Grupo Cepos. E-mail: .

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