Edição 367 | 27 Junho 2011

Editorial

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Redação

O que é o riso? Quais são seus significados? Como ele foi encarado ao longo da história? Quais suas relações com o esfacelamento do temor e da fé? Qual é o seu flerte com a transgressão? Esses são alguns dos questionamentos debatidos na IHU On-Line desta semana.

Na opinião do filósofo e psicanalista Mario Fleig, docente na Unisinos, o riso é dotado de força afirmativa, mas também subversiva, e demonstra a “eterna defasagem entre o que somos e o que deveríamos ser”. A partir da obra de Freud, ele analisa o significado do chiste e sua relação com uma verdade insuportável ao sujeito.

O historiador Elias Thomé Saliba, da Universidade de São Paulo – USP, analisa as raízes do riso e a ética emocional brasileira. Experiência humana diversificada, o riso popular permitiu o surgimento do humor como arma política contra a repressão, criando produções ambíguas, não inocentes e espécie de “espelho da sociedade, embora distorcido”, frisa.

Na opinião da professora do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Montes Claros, Maria Generosa Ferreira Souto, o riso é produto de uma cultura e resulta da complexidade do social.

Vera Machline, pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, examina a fisiologia do riso e a “moderação” da alegria. Segundo ela, o tema foi objeto de interesse por pensadores ao longo da história, merecedor de inúmeros rótulos, como verdadeiro e falso.

O riso como arma e libertação é a temática de Henrique Rodrigues, da Cátedra Unesco de Leitura PUC-Rio. Rir de si mesmo tem um efeito libertador, além do fato de que o riso faz com que o homem mostre seus dentes, movimento físico que expressaria agressividade, observa.

A historiadora Verena Alberti, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, examina o risível através dos tempos e aponta Arthur Schopenhauer como precursor de uma concepção do riso para alcançar o “impensado”.

Jesus riu? José Rivair de Macedo, professor da UFRGS, lembra que “a idéia de Cristo jamais riu, defendida por certos pensadores cristãos do início da Idade Média, tinha a finalidade mostrar que a renúncia aos prazeres mundanos era uma necessidade, pois segundo tais escritores o verdadeiro riso só deveria provir do gaudium, da felicidade eterna no Paraíso”.

Duas entrevistas com psicanalistas complementam essa edição. Uma delas com Marília Brandão Lemos Morais, do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, e a outra com Abrão Slavutsky, psicanalista e médico psquiatra.

Mais duas entrevistas e um artigo completam a edição.

A atual política social brasileira é analisada por Jorge Abrahão de Castro, professor da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e o  jornalista Moisés Sbardelotto, coordenador do Escritório da Fundação Ética Mundial no Brasil, um dos programas do  Instituto Humanitas Unisinos – IHU, descreve a relação de amor e ódio da Igrea com a internet.

A trajetória de Frank Jorge, um dos coordenadores do curso de graduação Produtores e Músicos de Rock da Unisinos, também pode ser lida nesta edição.

A todas e todos uma ótima leitura e excelente semana!

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