Edição 364 | 06 Junho 2011

A 'História da loucura' e o discurso racional em debate

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

IHU On-Line

Uma obra que segue inquietante e atual para diversas áreas do conhecimento. Assim é A história da loucura, de Michel Foucault, lançada originalmente em 1961. Para debater seu impacto quando de seu surgimento, bem como o interesse que continua despertando 50 anos depois, a IHU On-Line entrevistou diversos pesquisadores e pesquisadoras.

Para o filósofo Cesar Candiotto (PUCPR), maquinaria criada para vigiar e corrigir, a prática asilar aplica ao louco a ortopedia moral. Cada época tem percepções diferentes da loucura, e a perda da liberdade, transformada em doença é fenômeno que remonta ao século XIX, como apontado por Foucault.

Segundo Guilherme Branco, filósofo e docente na UFRJ, apenas a partir do século XIX é que a loucura se tornou um fato científico e médico. Ele recupera a provocação de Foucault segundo a qual, em nosso tempo, a política “funciona nos mesmos moldes dos hospitais psiquiátricos”.

Alfredo Veiga-Neto, professor da Unisinos, analisa a loucura como mecanismo de exclusão. Em termos filosóficos e políticos, acentua, a doença mental continua sendo um mecanismo segregatório, vinculada a uma norma “faminta e incansável”, que atinge inclusive níveis microscópicos.

A psicóloga Andrea Scisleski, professora da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, recupera as ideias do filósofo francês, ao argumentar que apenas a razão é “autorizada” a falar sobre a loucura e, quando esta quer se pronunciar, é calada. Os manicômios surgem para “defender” a sociedade dos loucos, relembra.

O também filósofo Augusto Bach, afirma que, tal como Kant examinando as condições de possibilidade do conhecimento humano, Foucault coloca os discursos racionais sob questionamento em História da loucura.

Celso Kraemer, filósofo e professor da Universidade Regional de Blumenau, explica que há relação muito próxima entre normalidade e loucura, e a fim de sustentar o referente “normalidade”, faz-se preciso fabricar seu oposto. A produção da verdade acerca da loucura é o objeto da obra de Foucault.

Um artigo escrito pelo sociólogo francês Jean-François Bert e pelo historiador Philippe Artières complementam o debate sobre o livro de Michel Foucault.

“Reciprocidade, fraternidade, justiça: uma revolução da concepção de economia” é o título da entrevista concedida por Stefano Zamagni, economista italiano, ao analisar os desafios da ciência econômica na contemporaneidade. Um dos principais assessores de Bento XVI na elaboração da encíclica Caritas in Veritate, Zamagni narra a sua trajetória de vida como economista.

Os jovens indígenas e a inclusão digital é o tema abordado por José Francisco Sarmento, professor da Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Campo Grande, MS. Ele coordena o Fórum de Discussão Sobre Inclusão Digital nas Aldeias – Fida.

O roubo de dados da plataforma online da Sony é o tema do artigo Douglas Alves Medeiros e Anderson David G. dos Santos, participante e membro, respectivamente, do Grupo de Pesquisa Cepos, da Unisinos.

A pesquisadora Verônica Zevallos fala sobre Derrida e a educação. O acontecimento do impossível, tema do próximo IHU ideias, agendado para esta quinta-feira, 9-06-2011.

A todas e todos, uma ótima leitura e excelente semana!

Últimas edições

  • Edição 546

    Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

    Ver edição
  • Edição 545

    Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

    Ver edição
  • Edição 544

    Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

    Ver edição