Edição 361 | 16 Mai 2011

Carlos Alberto Britto Salamoni: Geração X

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Márcia Junges

Jornalista, Carlos Alberto Britto Salamoni chegou a cursar odontologia, mas decidiu tomar outros rumos profissionais. Fã de rock n' roll, compartilha o gosto musical com a filha Valentina, 3 anos. Ler livros em papel e baixar músicas da internet são gostos que o acompanham ao longo de sua trajetória.
Valentina (Z) e Carlos (X): gosto pelo rock em comum

Meu nome é Carlos Alberto Britto Salamoni. Nasci em Porto Alegre, em 1971. Tenho 39 anos. Vivo uma espécie de crise pré-40, questionando o que fiz da minha vida até agora. Por enquanto o saldo é positivo. Estudei em escola pública e fiz cursinho pré-vestibular para ingressar na universidade federal. Tentei ser cirurgião-dentista, mas desisti no primeiro semestre. Uma decisão difícil, porém correta. Mudei para o jornalismo, mais uma decisão correta. Trabalho com comunicação institucional, caminho que percorro desde o primeiro estágio, quando ainda estava na faculdade. Fiz várias publicações para dezenas de empresas, trabalhando em uma pequena editora. Teria feito carreira por lá, mas quatro anos foram suficientes para eu perceber que a remuneração não iria muito além do piso da categoria. Saí e trabalhei um tempo, produzindo vídeos publicitários. Experiência fascinante, porém desgastante pela falta de vínculos trabalhistas e da segurança financeira que um emprego formal proporciona, pagando salário todo mês, férias, 13º, fundo de garantia. Sou muito “pé no chão”. O convite para fazer uma entrevista em uma empresa foi suficiente para eu desistir da publicidade. Voltar à formalidade, deu uma certa tranquilidade, tanto que estou há dez anos nessa empresa. Só saio, se me mandarem embora.

Gosto de fazer uma coisa de cada vez e de me envolver em projetos longos. A multiplicidade de tarefas no mesmo dia e até na mesma hora atrapalha a minha produtividade. Perco o controle da situação, o que é desastroso. O reflexo direto disso é a bagunça na mesa de trabalho. Quando tudo está bem, minha mesa é digna de prêmio no 5S. Mantenho meus arquivos bem organizados no computador. Qualquer colega poderá encontrá-los com facilidade. Minha necessidade de organização virtual também vale para a minha caixa de e-mails. Caixa cheia me dá nos nervos. Procuro manter o mínimo necessário para não me confundir. Não fico olhando a caixa toda hora. E-mail urgente se manda por telefone.


Hábitos

Gosto de ler livros de papel, de anotar, de sublinhar. Comecei minha vida adulta acompanhando uma revolução tecnológica que hoje chegou aos tablets. Não consigo ler muito texto em telas, meus olhos cansam rapidamente, mesmo que eu esteja de óculos. Folhear faz parte da leitura. Na minha opinião, ainda está por ser inventado um suporte de comunicação escrita mais acessível do que livros e revistas.


Música

Sou apaixonado por música, principalmente por rock, mas não toco um acorde. Sou um ouvinte apaixonado. Alguns de meus ídolos morreram antes de eu nascer (Jim Morrison , Jimmy Hendrix , Janis Joplin ), seria a maldição da letra “J”? Outros, morreram quando eu era só um garotinho (Moon , Bonzo ). Mas há os resistentes às mazelas desse estilo de vida (Ozzy Osbourne , Keith Richards ). Como dizia Cazuza , “meus heróis morreram de overdose, meus inimigos estão no poder”, ou estavam? Colecionava discos de vinil que ouvia exaustivamente até arranhá-los. Troquei toda minha coleção pelo CD, mais durável e menos volumoso. Agora estou substituindo meus CDs por arquivos digitais, migrando do físico para o virtual. Já copiei toda a coleção para o computador, o que me permite recopiá-la para o MP3 player, meu aparelho de som favorito dada a portabilidade dele. A música está onde eu estiver. Na música, a tecnologia digital conseguiu substituir os meios tradicionais. A possibilidade de baixar músicas na internet abriu janelas que pareciam trancadas pelo tempo. Descobri bandas esquecidas ao longo da história que não chegaram aos meus ouvidos na adolescência. Hoje é possível ouvir o último lançamento de uma banda antes do CD chegar às lojas. Isso é fascinante. Como as gravadoras vão se virar com isso? Não sei, é problema delas.


Sonhos

Quero viajar com minha família, conhecer o velho mundo, sentir o seu cheiro, ouvir o seu barulho, sentir o sabor de sua culinária, tocar em paredes com centenas de anos, viver num outro jeito de viver. Fotografias são muito artificiais e limitadas.

Quero acompanhar mais de perto a educação da minha filha, hoje com três anos. Poder ajudá-la nas tarefas da escola. Vai ser divertido poder ensinar. Quem sabe, um dia, eu aprenda a tocar um instrumento, junto com ela. Tenho um teclado guardado embaixo da cama da minha filhota. Um dia vou apresentá-lo. Espero que ela goste.



Carlos Salamoni é jornalista, tem 39 anos e há 10 trabalha na Fundação CEEE, em Porto Alegre

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