Edição 361 | 16 Mai 2011

Silvia Kihara: Geração Y

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Anelise Zanoni

As empresas têm muito a ganhar com a mescla de gerações, pondera Sílvia. Elas podem colaborar entre si, acredita. Nascida em 1986, faz parte de uma geração acostumada com a rapidez
Silvia Kihara

“Nasci em 1986 e me defino como uma clássica representante da geração Y. Não gosto desse rótulo de que somos ansiosos, mas, de certa forma, este nosso jeito de ser está relacionado com as tecnologias. Somos uma geração acostumada com respostas rápidas e queremos rapidez tanto nas relações de trabalho como nas de consumo.

Para compreender as críticas feitas a jovens da minha idade, estudei o comportamento da geração Y e recentemente finalizei o Trabalho de Conclusão de Curso do MBA. Na ocasião, estudei três empresas fundadas por profissionais Ys e vi que nessas organizações a relação com o trabalho é diferente, principalmente em relação à hierarquia. As empresas formadas por Ys são mais fluidas, flexíveis em relação ao horário, o que não significa que eles trabalhem menos, pelo contrário, em diversas situações trabalham muito mais. As pessoas são mais donas do seu tempo e das suas atividades. Existe hierarquia nas empresas.Todavia, o fato de se ter um chefe não diz nada. O chefe precisa mostrar para o restante da equipe que ele tem competência para assumir esta posição e a relação se dá pela credibilidade.
Para nós, as horas de trabalho têm menos importância do que a atividade a ser realizada e a questão do salário e do reconhecimento também é levado em conta. Temos mais facilidade em trabalhar com projetos e crescer na empresa não significa necessariamente trocar de cargo e, sim, ter novos desafios. Nas empresas formadas por Ys, percebi que há laços de amizades, algo que em muitas organizações tradicionais não é bem visto.

Penso que as empresas têm a ganhar com a mescla de gerações. Não é só de conflito que vivem as empresas. Se elas criarem um ambiente de compartilhamento e cooperatividade, podem obter bons resultados porque todas as gerações têm o que ensinar. A questão é todos os funcionários terem humildade para reconhecer as qualidades do outro.

Nesse sentido, a geração X pode contribuir com os Ys, ensinando três coisas que nós não encontramos no Google: valores, escolhas e foco. Sempre recorro a professores, familiares e peço sugestões para direcionar algumas atividades. Essa troca pode ser positiva.”


Educação Y

“A educação que temos hoje no ensino básico está na contramão das novas tecnologias, em especial porque o modelo de ensino de sala de aula e a exposição arquitetônica das salas são os mesmos do século passado. Falamos tanto das transformações do mundo e do trabalho, mas, enquanto isso, a educação caminha a passos curtos. Existem alguns estudos que propõem a educação a partir de jogos e penso que eles podem revolucionar o processo educacional.

Pensando na formação universitária, algumas questões não mudam nunca. O papel do professor na universidade, independentemente da geração a que pertença, é compreender seus alunos. Muitos profissionais têm perfil no Twitter, no Facebook e penso que isso é positivo porque não existe mais divisão entre a vida online e offline. Então, o espaço de relacionamento e de compartilhamento não precisa ser apenas a sala de aula; ele pode transcender.”


Silvia Kihara é formada em Ciências Sociais e pós-graduada em Gestão de Pessoas

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