Edição 354 | 20 Dezembro 2010

Editorial

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Niilismo e relativismo de valores. Mercadejo ético ou via da emancipação e da salvação?

O mais incômodo dos hóspedes não cessa de mover nosso chão e certezas. Quais são os valores e uma ética comum a todos os seres humanos? Que espaço sobra para a solidariedade numa sociedade marcada pelo relativismo? Enfim, mercadejo ético ou da emancipação e da salvação?

Essas são algumas das indagações que norteiam a revista a última edição de 2010 da revista IHU On-Line. Para debater o tema, convidamos diversos pesquisadores que examinam o fenômeno do niilismo e o relativismo de valores.

Para o filósofo Clademir Araldi, da Universidade Federal de Pelotas – UFPEL, o diagnóstico de Nietzsche sobre o fenômeno do niilismo continua atual e aponta a moral cristã como uma de suas origens. Radicalizar o niilismo é a única forma de superá-lo. Seus sintomas atingem inclusive a política, cujo projeto atual está esgotado.

O filósofo francês Paul Valadier, do Centre Sèvres, de Paris, analisa a intransigência e os limites do compromisso. Segundo ele, a fragilidade e a incapacidade de abertura ao Outro são sintomas da intransigência moral que grassa em nossos dias. O compromisso pode ser a sua contrapartida, mas sem compactuar com a injustiça ou a imoralidade, define.

O também filósofo Roberto Romano, da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, observa uma corrosão “de alto a baixo” no caráter de indivíduos e grupos e supervalorização do mercado como traços peculiares do niilismo em terras brasileiras. Um verdadeiro “mercadejo ético”.

Gianni Vattimo, filósofo italiano, afirma que a pretensão metafísica de absolutos como verdade e razão deve ser deixada de lado, tendo o exercício da caridade como solo comum. Se Deus está morto e a metafísica perdeu sua efetividade, somos livres para praticarmos a caridade, frisa.

O professor da Universidade de Roma, Paolo Flores D’Arcais, também diretor da revista Micromega, vale-se da Navalha de Ockham para acentuar que Deus é uma hipótese desnecessária.

O filósofo Luiz Filipe Pondé (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) fala sobre o “relativismo infiel” dos brasileiros, e que a estrutura social oligárquica fomenta a relativização das normas e, consequentemente, o clientelismo.

Um dossiê analisa os últimos 30 anos da economia gaúcha. Assim, entrevistamos os economistas da Fundação de Economia e Estatística (FEE), Octavio Conceição e Raul Bastos, a socióloga e consultora da Fundação Gaia, Naia Oliveira, e o economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pedro Bandeira.

Esta edição também debate a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Domini sobre a Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja, recentemente publicada por Bento XVI. Johan Konings, teólogo jesuíta e o teólogo uruguaio Daniel Kerber, que participaram como assessores do evento, comentam a publicação.

Uma entrevista com a filósofa Ana Luísa Janeira, da Universidade de Lisboa, analisando o binômio Utopia e heterotopia: o projeto jesuítico nas missões, e o artigo do jornalista Augusto de Sá Oliveira sobre o “redescobrimento” do Brasil pela França, completam esta edição.

A versão eletrônica da revista IHU On-Line estará disponível, em Pdf, Html e ‘versão para folhear’, nesta página, a partir das 17h desta segunda-feira.

A versão impressa circulará no câmpus da Unisinos, nesta terça-feira, a partir das 8h.

A todas e a todos uma ótima leitura com os melhores votos de Boas Festas de Fim de Ano!

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