Edição 340 | 23 Agosto 2010

Luis Henrique Rodrigues

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Graziela Wolfart

O professor Luis Henrique Rodrigues, do PPG em Engenharia de Produção e Sistemas e coordenador do grupo de pesquisa GMAP (Modelagem para Aprendizagem) da Unisinos estabelece uma diferença entre paciência e tolerância. E se declara muito paciente, porém pouco tolerante. Na entrevista que segue, ele conta um pouco de sua história de vida e explica que gosta de dar o máximo de si em tudo o que faz. “Apesar das pessoas dizerem que sou um bom professor, detesto dar aula. Mas acredito que não precisamos gostar daquilo que fazemos para fazer bem feito. Afinal, estamos fazendo o bem não para nós mesmos, mas para os outros”. Confira.

Origens – Sou porto-alegrense. Somos entre quatro irmãos, dois meninos e duas meninas. Eu sou o segundo. Somos todos colorados. Felizes sempre, agora mais. Tive uma infância normal, típica de uma família de classe média. Morávamos em um bairro que cresceu muito e hoje virou o shopping Iguatemi. Sempre pratiquei muitos esportes, jogava basquete, futebol, judô. Minha mãe era dona de casa e meu pai trabalhava no Grupo Iochpe, onde era gerente administrativo.

Formação - Parte da minha educação foi em Porto Alegre, até o mestrado. Estudei no Colégio La Salle São João, onde fiz o primeiro e o segundo graus, hoje ensino básico. Eu sempre tive bons resultados em termos escolares. Gostava mais da parte quantitativa e matemática, mas nunca tive muita aptidão para a prática de desenhos. Isso fez com que eu decidisse não entrar no curso de Engenharia. Mas também tinha um gosto pela questão da gestão. E foi por isso que optei por Administração de Empresas. Fiz o curso de 1983 a 1988 na UFRGS. No último ano comecei a me aventurar no mercado de trabalho, fazendo estágios e procurando emprego. Mas decidi ouvir o conselho de um professor e optei por aprofundar minha formação, ingressando no mestrado em Administração na UFRGS. No curso, recebi um forte incentivo para dar sequência ao doutorado. Foi quando fui para a Inglaterra, para a Lancaster University. O curso realizado lá foi em Management Sciences.

Carreira – Retornando ao Brasil, em 1994, recebi um convite para ser professor na UFRGS, no mestrado em Engenharia de Produção. Além disso, em 1995, eu e alguns colegas da universidade montamos uma empresa de consultoria para atuar de forma prática no mercado. A empresa ainda existe, mas há cerca de dois anos vendi a minha parte e me desliguei. Fui professor da UFRGS de 1994 a 1999. Foi quando resolvi sair da universidade e dois dias depois a Unisinos me fez um convite para vir trabalhar no PPG em Administração que estava começando. Desde então, estou aqui. Em 2006 montamos o PPG em Engenharia de Produção, onde passei a lecionar. Recentemente, juntamente com outros pesquisadores, formamos o GMAP Unisinos, que é um formato experimental de grupo de pesquisa, o qual vem desempenhando uma função de conexão entre a universidade, empresas privadas e governo.

Música – Na adolescência tive iniciação musical e tocava trompete. Até pensei em me tornar profissional. Eu dizia que era profissional porque tinha carteira de músico, mas só trabalhava quatro dias por ano, nos bailes de carnaval.

Casamento grego – Dois meses antes de concluir o doutorado e receber um retorno da minha tese, conheci minha esposa: uma grega, de Atenas, que também estava estudando em Lancaster. A Paraskevi é hoje também professora aqui na Unisinos. Casamos em setembro de 1995 aqui no Brasil. Foi uma cerimônia ecumênica. Primeiro nosso idioma comum era o inglês, depois fomos criando nosso esperanto familiar. Mas a Paraskevi tem uma facilidade impressionante para idiomas. Em seis meses ela já estava dando aulas em português. As diferenças culturais existem é claro, mas com o tempo vamos nos adaptando. Temos dois filhos, a Ariadne e o Nicolas, de 6 e 5 anos. A Ariadne tem a personalidade mais grega e o Nicolas tem um jeito mais brasileiro. Os dois são bilíngues. Ser pai é fazer todos os esforços para atender as necessidades da família e, o mais importante, estimular os filhos para que alcancem seus sonhos.

Autor – Ely Goldratt.

Livro A meta, de Ely Goldratt. É um divisor de águas, inclusive em relação à escolha da minha profissão.

FilmeCinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore.

Nas horas livres – Horas livres? O que é isso? (Risos). Hoje em dia o tempo livre é dedicado aos filhos, à família. Gosto de brincar e jogar com meus filhos.

Um sonho – Parar de trabalhar tanto e ensinar esportes às crianças.

Política no Brasil hoje – É difícil desvencilhar a questão política da econômica. O Brasil passou, está passando e provavelmente passará pelas próximas décadas por um privilégio econômico. E nessa bonança econômica a questão política fica extremamente facilitada, independentemente da matriz ideológica de quem está no poder. Politicamente o Brasil ainda é muito imaturo. Temos dificuldades de liderança. Mas é preciso lembrar que temos muito pouco tempo de república. Somos um país que ainda está engatinhando e a consequência disso é que nossa política é muito amadora, muito fraca.  

Unisinos – É uma instituição com valores bem definidos, oriundos da doutrina jesuíta e que se derivam para a gestão. E um dos valores que fica mais forte para mim e para meus alunos também é o da seriedade.

IHU – É uma referência. Dentro de uma sociedade consumista, materialista, ter uma frente mais humana e ao mesmo tempo não contrapondo essa sociedade, mas complementando-a, é um diferencial para a Unisinos.

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